sábado, 23 de janeiro de 2021

[Para que servem as borboletas?] O dever-ser da ética...

Valdemar Habitzreuter

A vida humana é regida pela ética, ou deveria ser. As leis do Estado são feitas, justamente, para um viver ético. Mas nem todas são justas. Como proceder então para estar sob a égide de uma lei justa e viver eticamente? Filósofos têm suas versões. Sócrates nos remete à maiêutica, ou ao diálogo e daí parir a lei justa, o bem agir ético. Platão estabelece o Bem Supremo que devemos almejar para uma vida justa, pacífica e feliz. Aristóteles é mais específico, coloca a virtude como base do agir ético. Ser virtuoso é não adotar posições extremistas em decisões situacionais quanto ao agir ético. Assim, por exemplo, a virtude da coragem está entre o medo e a covardia. Mas, mesmo assim, não sabemos onde está, ao certo, o meio termo. A coragem está mais para o lado do medo ou da covardia? Sem dúvida, fica mais para o lado do medo do que da covardia, acho. O corajoso pode sentir medo, mas não foge do perigo, enquanto o covarde chispa, se manda e deixa de agir corretamente ...

No entanto, para Aristóteles, o critério último mesmo da eticidade é a reta razão. O que entendemos por reta? Em geometria, é a distância mais curta entre dois pontos. Um pedreiro que estica seu fio de nylon para construir uma parede reta não levanta uma parede encurvada, torta. Mas, e a razão? O que é a reta razão? Pode haver uma razão encurvada? Curvas da razão, essa é boa! Talvez nas curvas da razão possa se derrapar para o mal; na reta não (rsrs). Mas, recorramos a Kant para saber o que ele diz da reta razão, da razão ética. Ele nos dá a dica aludindo à razão prática. Há um tipo de “dever-ser” em todos os povos e culturas e em todos os tempos; não importa a variedade de culturas e costumes dos diferentes povos, manifesta-se aí em todos um “dever-ser” ético. Isso é um fato da razão, diz Kant. Existe um Eu transcendental prático à priori, subjacente à toda humanidade, que se guia por um único grande princípio geral: o Imperativo Categórico, como lei universal, que estabelece o seguinte: “age sempre de tal maneira que a norma da tua ação possa ser elevada ao estatuto de uma lei universal”... Não mentir, por exemplo, é um imperativo que a todos é pertinente, e realizável por todos; tem, pois, o estatuto de lei  universal, passível e possível de observância por todos… em todas as culturas e povos, mentir é antiético; ninguém quer ser ludibriado por mentiras.

Título e Texto: Valdemar Habitzreuter, 23-1-2021

Colunas anteriores:
As ficções embelezam a vida...
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O que podemos assimilar do romantismo filosófico? 
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4 comentários:

  1. Recorrendo à maiêutica:
    Como aguentaram 33 anos de um socialismo fajuto de encher as burras dos corruptos, não aguentam 4 anos de Bolsonaro?
    Simples faltaram com a ética, são inescrupulosos.
    Hoje cantam suas políticas corretas de merda.
    Estou azêdo.

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  2. DESCULPE MAS, ESTOU COM BARRIGADAS DE RISO!
    VC ESTA AZÊDO!
    SERIA ISTO POSSIVEL?

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    Respostas
    1. Com você temos de praticar a Antifilosofia.
      Coleção de modos de ver que, como o irracionalismo e o ceticismo radical, nega a possibilidade ou desejo da discussão ou dos conhecimentos racionais, ou do olhar filosofante como perda de tempo ou como angústia resultante dos erros de linguagem e, portanto, como curável com uma dose de análise linguística.
      ( BUNGE, M.)

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  3. Não tenho ideia do que vc fala!
    Por isto é melhor nāo contrariar, sabe-se lá ,vai que esteja certo !

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