quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

[Para que servem as borboletas?] As ficções embelezam a vida...

Valdemar Habitzreuter 

Procuramos sempre conhecer a verdade das coisas e fatos e, assim, poder nos posicionar frente ao que representam para nossas vidas. 

Desse modo, inclinamo-nos a confiar nas teorias científicas que, supostamente, nos fornecem a verdade.  

Mas, pautar-nos exclusivamente ao que a razão nos demonstra como verdadeiro pode não ser sempre uma boa. Pode, às vezes, ser mais útil deixar-nos levar pelo “como se” kantiano… Isto é, considerar nossas crenças como se fossem alicerçadas na verdade, mesmo que, supostamente, falsas, mas que nos fossem úteis e benfazejas. 

Assim, verdade e utilidade, não necessariamente, se identificam. A razão segundo Kant, tem seus limites na compreensão de certas ideias que ela se coloca, como Deus, alma e mundo; não há um conhecimento objetivo disso. 

Mas podemos tomar essas ideias como úteis à nossa vida prática. Embora privadas de validade científica, servem de livres criações poéticas para embelezar e elevar a vida. 

A essência da religião vai justamente neste sentido: como “livre poesia do espírito nos mitos” em que os valores intelectuais estão subordinados à vida prática; isto é, o que é útil à vida tem mais peso que o mero filosofar teorético. 

A “Filosofia do como Se” do filósofo Hans Vaihinger (1852-1933) vai nesse sentido: todo conhecimento humano é ficção - o saber comum, as ciências e a filosofia são privadas de qualquer validade teorética, pois seus princípios e hipóteses se baseiam em ficções. 

E assim deve ser, diz ele: o uso consciente e prudente das ficções. A ficção não deve ser considerada como hipótese científica que persegue a verdade; deve apenas servir para alguma coisa, ser útil, nada mais. As ciências e a filosofia devem ser pragmáticas, ficções, em que o útil é o mais relevante para a vida… 

Se o amigo leitor tem uma crença religiosa e lhe faz bem e lhe é útil … é o que importa; dispensa teorizar e especular sobre a existência de Deus. 

Título e Texto: Valdemar Habitzreuter, 10-12-2020 

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Nossos projetos de vida...
O que podemos assimilar do romantismo filosófico?
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