sábado, 26 de dezembro de 2020

[Versos de través] Se as penas com que Amor tão mal me trata

Luís de Camões 

Se as penas com que Amor tão mal me trata 
permitirem que eu tanto viva delas,
que veja escuro o lume das estrelas,
Em cuja vista o meu se acende e mata;

E se o tempo, que tudo desbarata
Secar as frescas rosas sem colhê-las,
Mostrando a linda cor das tranças belas
Mudada de ouro fino em bela prata;

Vereis, Senhora, então também mudado
O pensamento e aspereza vossa,
Quando não sirva já sua mudança.

Suspirareis então pelo passado,
Em tempo quando executar-se possa
Em vosso arrepender minha vingança.


Anteriores:

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Perseguição
Se tanta pena tenho merecida
O meu primeiro amor
Descalça vai para a fonte
Verdes são os campos
Da minha juventude
Honras ao Poeta

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