terça-feira, 22 de dezembro de 2020

[Diário de uma caminhada] O tumor maligno entre Poder e Povo. Três teses


Gabriel Mithá Ribeiro

Tese 1: Existe uma doença mental chamada jornalismo

Uma sociedade mentalmente sã centra a relação com os seus poderes tutelares, políticos e administrativos, nas realizações dos últimos e, por essa razão, secundariza os seus programas, projetos ou promessas. Assim procedem as pessoas normais na vida habitual. 

A política, no entanto, virou do avesso a sanidade mental da espécie. A par dos meios universitários, tal subversão deve-se à classe jornalística. Contranatura, uns e outra impõem às sociedades a hipervalorização do acessório ou do ilusório, promessas de futuros melhores que nunca chegam, em troca da sobre desvalorização do essencial ou do factual. Por essa razão, tornámo-nos mentalmente insensíveis aos estragos danosos causados na vida presente em nome desse futuro distópico. O fenómeno tem nome: alienação. 

Só lavagens cerebrais em grande escala explicam o milagre das pessoas comuns terem enormíssimas dificuldades em ver e, mais ainda, em reagir face ao crescimento continuado de uma carga fiscal simultânea de serviços públicos cada vez mais degradados, a uma dívida soberana galopante que sacrificará os que ainda nem sequer nasceram, à desregulação persistente da intimidade das salas de aula, à degradação da segurança em quotidianos suburbanos, à dissolução de muitas famílias, a crises endémicas nunca ultrapassadas. Exemplos de fenómenos nefastos que se arrastam há anos e anos, ou mesmo décadas. 

A fixação da imprensa no programa partidário do CHEGA é bastante sintomática de tudo isso. Bastava comparar os programas dos partidos políticos dos últimos quarenta anos com aquilo em que efetivamente se transformou a sociedade portuguesa para ficar óbvia a postura bizarra dos jornalistas. Essa classe profissional nem sequer indicia ter aprendido que, naquilo que é fundamental, vezes sem conta o grau de imprevisibilidade da realidade deita às urtigas programas e intenções de partidos políticos. Só nos anos recentes, aconteceu com a crise financeira de 2010-2011, com os incêndios de 2017 ou com a pandemia chinesa. 

Como é que a imprensa procede? Mantendo-se ultra entretida com discursos, programas e promessas de políticos tanto mais simpáticos aos olhos dos jornalistas quanto mais difícil é a sua relação com a realidade, coisa horrorosa que só interessa a populistas. 

Claro que os programas são importantes na definição dos traços de identidade e de orientação dos partidos políticos, mas roça o patológico confundir tais escritos com a própria realidade, com as próprias pessoas, as suas ideias e ambições tal como existem e tal como se manifestam nos seus quotidianos. Só aí reside o essencial, nas evidências empíricas, coisa estranha na cabeça de um jornalista-padrão que vê a essência da verdade onde ela é acessória, no papel e na promessa, e transforma em acessória a verdade fundada no essencial, na vida efetivamente vivida. 

É até muitíssimo útil que os partidos políticos ousem rever os seus programas e documentos associados sempre que os sintam desajustados do que entendem ser a sua identidade, tal como a mesma é vivida no quotidiano. A atitude é tanto mais mentalmente saudável quando está em causa um partido político novo em rápido crescimento, como o CHEGA, que vai alargando o leque de sensibilidades sociais que integra, o que obriga a renovar os consensos no seu interior. De qualquer modo, o que tem estado em causa no programa partidário do CHEGA são detalhes de forma e não matérias de substância. 

Se os jornalistas se arrogam o direito divino de julgar a toda a hora políticos e partidos, chegou o tempo de se habituarem ao inverso. Os jornalistas também têm de ser avaliados por quem quer fazer política com honestidade e eles impedem, assim como têm de ser avaliados pelos portugueses no seu conjunto tal como estes avaliam os políticos, portugueses até agora tratados pela imprensa como massa passiva, submissa, mansa face a toda e qualquer alarvidade fabricada nas redações que, no pior, não se diferenciam de qualquer organização partidária ou, pior, venal. 

Dois atributos de carácter definem a atual classe jornalística: preguiça intelectual e ódio ao real vivido. No primeiro caso, sobrevalorizar o que está no papel ou meras intenções ou indícios serve de disfarce aos que se furtam a um trabalho exigente, mas honesto e digno, o de compreender a complexidade e ambivalências das pessoas comuns e o real em que vivem tal como existem, o que obrigaria os jornalistas a sujar os sapatos, a correr riscos, a ter de admitir que os primeiros dogmas a desfazer são os próprios, a precondição da busca genuína da verdade e da honestidade. No segundo caso, quem fecha a mente ao real antecipa-o como seu inimigo para não sofrer o choque de ter de descobrir que, afinal, a vida coletiva não está povoada de hordas crescentes de racistas, xenófobos, fascistas e demais gente pestilenta, antes por gente trabalhadora, honesta, digna, moralmente bem formada, saturada de quem tem mandado e que quer apenas o melhor para a sua família, amigos e concidadãos, evidência demasiado cruel para a bolha alucinada em que vivem os jornalistas. 

O facto é que o CHEGA vai destapando os papões que povoam as cabeças infantis e indigentes de jornalistas conceituados, de Miguel Sousa Tavares a João Adelino de Faria, entre tantos outros. Eles apenas refletem o padrão mental da sua classe profissional fruto de uma ciência jornalística que consiste em construir o seu equilíbrio existencial a partir de ilusões e mentiras sobre os outros e sobre o real e, depois, teimar em mil e uma artimanhas em fuga a esse mesmo real. Outra definição de alienação. 

Em nenhuma circunstância é admissível que uma patologia mental que uma classe profissional deixou disseminar entre os seus membros se transforme num fenómeno social em rédea solta, o que significa ser conivente com a caminhada que andamos a percorrer rumo à sociedade louca. Alguém tem de chamar à razão uma instituição, a imprensa, à qual a sociedade concedeu o monopólio da gestão da informação e que simplesmente atropela os seus deveres morais e intelectuais mais elementares. Basta que se consulte o quem sido publicado no site oficial do CHEGA nos meses recentes para se perceber a justiça e os fundamentos da constatação. 

O atual retrato alucinado do CHEGA – incluindo dos seus dirigentes, militantes, votantes, simpatizantes, presentes e futuros – fabricado pela comunicação social portuguesa constitui a prova empírica inequívoca da existência de uma doença mental chamada jornalismo. Não é o CHEGA que tem de mudar para haver uma sociedade justa e próspera. É a imprensa que tem de se curar. Felizmente é cada vez maior o número de portugueses que exige o mesmo, e felizmente também para a própria imprensa, para que ultrapasse o seu estado de miséria mental.

Título e Texto: Gabriel Mithá Ribeiro, Vice-Presidente do CHEGA!, 22-12-2020 

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