segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

[Diário de uma caminhada] «Visão»: nojo racista chegofóbico


Gabriel Mithá Ribeiro

A última edição da revista Visão (10-12-2020) cumpriu a missão watchdog da imprensa que só morde à direita. Para não largar o osso, o tema da capa é uma investigação que mostra O CHEGA por dentro com textos e imagens.

O conteúdo resume-se a isto:

1) O CHEGA é um bando de vigaristas e malfeitores, algo que a Visão já tinha certezas absolutíssimas e, após a investigação, apenas acrescenta uns quantos dissidentes bonzinhos para transmitir aos seus leitores certezas superlativas absolutas que, a cada segundo que passar nos próximos mil e um anos (para manter o rigor da investigação) sem que o CHEGA imploda, Portugal e o mundo estarão próximos do fim, uma vez que têm de ter em conta as ramificações internacionais do Partido.

2) Dado o objeto da investigação, a Direção do Partido e quem a ela se associa, ser preto do CHEGA não dá direito a nome nem sequer nas legendas das fotografias que aparecem nas páginas da revista, muito menos direito a pertencer à humanidade pensante, sendo que a parte da investigação que me emocionou até ao fundo da alma resulta de, desde pequenino, querer muitas vezes passar despercebido e suponho que nunca tinha conseguido tão bem como desta vez.

Se o estimado Leitor quiser captar a fundo a matéria jornalística basta lê-la em árabe, em sentido inverso:

1. O CHEGA tem pretos com nome, vontade própria e pensamento, na sua estrutura, porém, o segredo tem de ser bem guardado da opinião pública pela Visão para não estragar a masturbação do racismo e da xenofobia que diverte os chegófobos, posto que se fosse um partido de esquerda andavam aos saltinhos em busca das virtudes inatas da pele bronzeada.

2. O CHEGA é sobretudo constituído por gente honesta, digna e trabalhadora que quer o melhor para o seu país e para as gerações futuras porque, como comprova a investigação da Visão, são pessoas que não andam a propor nem a assaltar o próximo através do saque fiscal ao contribuinte e, por isso, não instigam o parasitismo social.

Espero que a Visão faça muitas e muitas investigações, posto que ando por dentro do CHEGA e ainda não dei por tanto Diabo em forma de gente à minha volta, eu que lá vou deixando o telemóvel ou a carteira em cima das mesas, incluindo na II Convenção Nacional, em Évora, pelos vistos uma espécie de prisão de alta segurança onde andavam à solta centenas e centenas delinquentes, eu que então me senti bastante confortável entre pessoas comuns desconhecidas de todo o país, e não me faltaram convivas para refeições, cafés e cavaqueira.

Ajudo a investigação da Visão: até na sua especialidade – serem larápios, racistas e xenófobos – a seita é profundamente incompetente, do soldado raso ao líder, razão para a imprensa desiludida exigir a imediata extinção do CHEGA. Ilegalização não basta!

Moral da história: se você quer conhecer o mundo através da imprensa, o máximo que conhecerá é o interior da redação. A investigação jornalística da Visão é um autorretrato mental da imprensa absolutamente notável.

Título e Texto: Gabriel Mithá Ribeiro, Vice-Presidente do CHEGA!, 14-12-2020

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