segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

China atuou para moldar a opinião pública, sobre a covid

Novos documentos revelam o ‘modus operandi’ da máquina de desinformação comunista acerca do coronavírus


Cristyan Costa

O Partido Comunista da China (PCC) atuou para moldar a opinião pública e controlar a narrativa sobre o surto de coronavírus. É o que revelam novos documentos obtidos pelo jornal The New York Times, que publicou uma reportagem sobre o assunto, no sábado 19. O material foi divulgado por um grupo de hackers autointitulado “PCC sem máscara”, checado e autenticado por especialistas a pedido do jornal. São 3,2 mil comunicados e 1,8 mil memorandos internos do PCC. A papelada mostra instruções enviadas a subordinados da ditadura chinesa, com ordens de modo a manipular veículos de comunicação e redes sociais, sobre a covid-19.

O secretário-geral do PCC, Xi Jinping, chegou a ordenar que fossem produzidos milhares de comentários falsos na internet, enfatizando a necessidade de discrição sobre o vírus. Um dos gatilhos para acionar a máquina de desinformação foi a morte do médico Li Wenlia, conhecido por denunciar o potencial de infecção do patógeno quando a covid-19 estava restrita à China. Isso mobilizou o governo a articular-se de modo a intervir, através da desinformação, em sites de notícias e plataformas de mídia social. No início de dezembro, Oeste noticiou que o PCC omitiu um terço dos casos do novo coronavírus, no início do surto, e minimizou os efeitos da doença.

Trechos de orientações do PCC aos subordinados da ditadura

Mensagens para controle da narrativa

a) Aos sites e aplicativos de notícias: “Notícias negativas sobre a prevenção e o controle da ‘nova epidemia de pneumonia coronária’ não podem aparecer em todos os sites, clientes e outras novas mídias e plataformas de aplicativos. Se for necessário relatar, use apenas as informações oficiais do Diário do PovoAgência de Notícias Xinhua, CCTV, Comissão de Saúde, Ministério das Relações Exteriores e outros departamentos relevantes, bem como os departamentos relevantes da Província de Hubei e da cidade de Wuhan. Nosso escritório intensificará as inspeções e a supervisão e, se forem encontradas violações de notificações pop-up, elas serão tratadas imediatamente. O conteúdo das instruções acima deve ser implementado de forma rápida e estritamente confidencial.”

b) A todas as mídias de notícias: 1) “Todos os relatos da mídia sobre os casos relatados de inação e quadros dos departamentos relevantes e obstrução da prevenção e controle da epidemia devem ser moderados e, em princípio, não coletados; 2) Ao reportar sobre medidas de prevenção e controle, como viagens restritas, acesso controlado, etc., a mídia não usa termos como fechamento de cidade, fechamento de estrada, fechamento de porta e lacre; 3) A fiscalização da opinião pública sobre a implementação de medidas de controle de base deve ser moderada e, em princípio, deve se refletir nos canais internos; 4) Em relação ao progresso da pesquisa de medicamentos para o tratamento de novos coronavírus, os relatórios devem ser baseados em informações oficiais emitidas pelo Departamento Nacional de Saúde. A eficácia dos medicamentos que não foram colocados em uso clínico deve ser apreendida com cuidado e as notícias on-line não devem ser reimpressas à vontade.”

Instruções para servidores locais

c) Distrito de Xiaoshan (12 de fevereiro de 2020): “Mobilizar comentaristas on-line para comentar e orientar mais de 40.000 vezes, eliminando efetivamente o pânico dos residentes da cidade, aumentando a confiança nos esforços de prevenção e controle e criando uma boa atmosfera de opinião pública para vencer a batalha contra a epidemia.”

d) Condado de Tonglu (13 de fevereiro de 2020): “Em 13 de fevereiro, nosso condado publicou 15 postagens desmascarando boatos, repostou 62 desmascarando boatos, 16 pessoas foram investigadas por órgãos de segurança pública, 14 pessoas foram educadas e advertidas, duas pessoas foram colocadas em detenção administrativa”.

Título e Texto: Cristyan Costa, revista Oeste, 21-12-2020, 9h20

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