domingo, 31 de janeiro de 2021

[Viagens & Destinos] Caminhos da História – Museu do Holocausto

Museu do Holocausto abriu no Porto este mês

O primeiro Museu do Holocausto na Península Ibérica foi inaugurado no Porto, na Rua do Campo Alegre, no dia 20 de janeiro. Vai ser tutelado por membros da Comunidade Judaica do Porto, cujos familiares foram vítimas do Holocausto

Ana Patrícia Silva

O Museu do Holocausto do Porto, criado pela Comunidade Judaica do Porto (CIP/CJP), retrata a vida judaica antes, durante e após o Holocausto – desde a expansão do nazismo na Europa, aos guetos, os refugiados, os campos de concentração, de trabalho e de extermínio, até à libertação e ao pós-guerra, a história é contada pelas suas vítimas.

Os visitantes terão oportunidade de visitar uma reprodução dos dormitórios de Auschwitz, uma sala de nomes, um memorial da chama, cinema, sala de conferências, centro de estudos, corredores com a narrativa completa, fotografias e vídeos.

O novo espaço museológico é tutelado por membros da Comunidade Judaica do Porto, cujos pais, avós e outros familiares foram vítimas do Holocausto, e desenvolverá parcerias de cooperação com museus do Holocausto em Moscovo, Hong Kong, Estados Unidos e Europa. Charles Kaufman, presidente da organização de direitos humanos B'nai B'rith International, afirma, em comunicado, que o museu é um "testemunho da herança e resiliência judaicas", esperando que "sirva de farol para Portugal e para o resto da Europa".

Em 2013, a Comunidade Judaica do Porto partilhou com o Museu do Holocausto de Washington todos os seus arquivos referentes a refugiados que passaram pela cidade portuense. Estes arquivos, agora regressados à Invicta, incluem documentos oficiais, testemunhos, cartas e centenas de fichas individuais. 

A construção deste museu contou também com "um donativo substancial de uma família sefardita portuguesa do Sudeste da Ásia, que foi vítima de um campo de concentração japonês durante a Segunda Guerra Mundial", revela o tesoureiro da CIP/CJP Michael Rothwell, descendente de vítimas do Holocausto. Estarão ainda expostos dois Sifrei Torá (rolos da Torá), oferecidos à sinagoga do Porto por refugiados.

A abertura ao público foi no dia 27 de janeiro, o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, em que o museu abriu as portas aos alunos de escolas da região do Porto. A inauguração oficial aconteceu em 20 de janeiro, com uma cerimônia reservada, em ambiente controlado, liderada por Dias Ben Zion, presidente da Comunidade Judaica do Porto, e Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto.

A cerimônia contou também com a presença dos embaixadores das potências envolvidas na Segunda Guerra Mundial, e de Israel, assim como de Karel Fracapane (especialista do programa do Holocausto da UNESCO), do embaixador Luíz Barreiros (chefe da delegação de Portugal à IHRA - Aliança Internacional Memória do Holocausto), de Marta Santos País (comissária do Projeto Nunca Esquecer), do Bispo do Porto e do presidente da Comunidade Muçulmana da cidade. O Governo foi representado pelo Secretário de Estado da Cultura.

Endereço: Rua do Campo Alegre, 790
Horário: 10h às 17h
Preço: Entrada livre

Texto: Ana Patrícia Silva, Time Out

É por entre as paredes de história do Museu do Holocausto, na cidade do Porto, que o historiador Joel Cleto afirma que "se estima que cerca de 50 mil judeus conseguiram chegar a Portugal, fundamentalmente entre 1940 e 1941. Um dos destinos daqueles que rumaram para Portugal foi a cidade do Porto".


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