segunda-feira, 2 de outubro de 2017

[Atualidade em xeque] O voto

José Manuel

Já de há muito não me iludo com o Brasil. Já de há muito perdi a esperança em dias melhores. Já de há muito deixei de acreditar nas instituições e por isso mesmo já de há muito não perco mais o meu tempo com textos bem elaborados ou em comentários sobre o que é, como é e o que virá a ser o Brasil daqui para a frente.
Apenas e por impulso, ainda faço pequenas inserções em rede social, sem o compromisso de que alguém me leia.

Isto, claro, não deveria ser assim e à primeira vista parece ser antipatriótico, anticidadão, anticívico e blá-blá-blás costumeiros, mas não tenho alternativa senão ficar calado e em stand by, porque o Brasil não me dá, ou melhor, pensando bem, nunca me deu oportunidades. O que sou e o que tenho, devo exclusivamente aos meus 50 anos de trabalho, que ainda por cima foram criminosamente surripiados em boa parte por esse mesmo Brasil que se diz preocupado com o cidadão e com a sociedade. Mentira.
Nunca foi e nunca será!

O Brasil, não sabe e não quer saber o que seja democracia. Não lhe interessa.
O Brasil desconhece o que seja cidadania. Não lhe convém.
O Brasil confunde educação com escolaridade e não tem nem uma nem outra. Está perdido.
O Brasil desconhece o que são deveres para com a sociedade. Só cobra obrigações.

O Brasil não é normal, pois deslumbrados 5% acham que são ricos e os outros acomodados 95% desconhecem ou vivem a miséria que cresce por todos os lados. Os que desconhecem, passam ao largo, no Caribe ou nos paraísos fiscais e nunca olham para a esquerda ou à direita, quando passam numa periferia.

O Brasil não percebe e nem sabe onde começa a bandidagem trivial e termina a máfia oficial. Tá tudo junto e misturado.
Todo mundo sabe, menos o Brasil.
O Brasil pode ser resumido pelo contraste do que você vê na sua garagem e aqueles que sobem com você no elevador. É bastante sintomático.

Então, leio nas redes sociais, pessoas cultas, tentando explicar o inexplicável. As suas boas intenções são diretamente proporcionais ao descaso do seu país por aquele que perde o seu tempo em tentar consertar o torto viciado.
Estão preocupados com 2018, porque simplesmente não existem salvadores da pátria. A preocupação deveria ser outra.

Agora, para terminar, e me esquecerem, o Brasil só será algo pujante como a sua natureza, a sua beleza e a sua riqueza natural, no dia que eliminar do seu nefasto currículo, o voto obrigatório.

As nações mais desenvolvidas em nosso planeta já o fizeram há muito tempo e são democracias de valor, intelectualidade e pujança econômica.

Em tempo, o crepúsculo da caserna e a alvorada dos Generais aconteceu agora, porque sabem, têm certeza, de que a única pessoa em quem confiam para consertar o Brasil, está dando sinais visíveis de esgotamento físico e psicológico, e sem ele, um buraco negro se aproxima com contornos de tragédia.

Pois é, caro amigo que não cansa de escrever, continue fazendo o que de melhor faz, mas mude o tom, mude o discurso, escreva para acabar com o voto obrigatório.

O voto obrigatório é cabresto, jamais democracia.

O voto obrigatório colocou o país de rastros, de joelhos, jogou você na vala comum.

O Brasil que você idealiza, poderá ser realidade.
Tomara! 
Título e Texto: José Manuel, não sou cidadão, sou tutelado num país perdido em contradições. Lamentável. 2-10-2017

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4 comentários:

  1. Prezado e respeitado colega Jmanuel;
    Tem dias que eu me sinto assim também.
    Mas ,ao contrário de vc , jamais pela obrigatoriedade do voto.
    Minha percepção de voto não vê obrigatoriedade, pois não voto.
    É a minha opção!
    Nunca votei, não concordo com o formato, recuso-me me a sujeitar-me e fazer,algo que sei totalmente inútil.
    Meu sentimento de “abandono” é maior.
    É causado pela falta de fé.
    Para que eu quero um governo, se nem tenho um Deus?
    E na falta deste tudo o resto é insignificante.
    Não aceito outro “gestor” para minha vida.
    Qualquer governo é “governo”... E anarquicamente, dispenso!
    Principalmente a exigência feita ao cidadão, para que com seu voto valide, alguém para me tutelar.
    Não sei outros, mas escrevo muito, às vezes mais do que as pessoas estão dispostas a ler.
    E se o faço ,assim como outros, é para dar vazão a esta insatisfação, esta sensação de impotência.
    É uma terapia, que talvez seja o caso do amigo que você se refere no seu texto.
    Hoje... então, estou prolixo, capaz até ,de comentar sobre o ensaio do absurdo, onde o personagem mitológico Sísifo, rolando montanha acima uma pedra que sempre volta a cair, e que encarna a inutilidade do esforço humano.
    Um grande e sincero abraço!
    Paizote

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  2. Obrigado Paizote pelo seu comentário.
    O meu texto na realidade não é bem um desabafo como à primeira vista parece ser. É muito mais que isso. É um alerta para que as pessoas se conscientizem de que sem o fim do voto obrigatório este país não irá a lugar nenhum, porque sempre existirão as compras de votos, as malditas urnas adulteradas e coisas do gênero que mantém este país refém dessas máfias conhecidas.
    Também não voto, até porque não preciso mais pois estou com 71 anos, mas há vários anos que anulava, não comparecia e pagava a multa dependendo do meu humor. Mas uma andorinha não faz verão e o que é necessário é acabar com essa industria malévola que não deixa o país crescer, se desenvolver
    Depois, punição todos nós sabemos que é uma palavra em desuso por aqui, então....
    Um abraço
    José Manuel

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  3. Bem, já escrevi, e volto a escrever.
    Sem voto obrigatório jamais tiramos eles do poder.
    Nas últimas eleições 28 milhões não votaram, 15 milhões foram brancos e nulos.
    Com voto livre PMDB e PT jamais deixariam o poder.
    Com voto obrigatório, talvez esses 43 milhões tivessem feito alguma diferença.

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  4. O assunto é atualíssimo. Merece uma pesquisa. Vai sair.

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