quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Voando com CRM

Da Filosofia Operacional Técnica À Filosofia Interativa Humana

Organização:
Maria da Conceição Pereira

Colaboradores:
Alejandro Covello,
Angela Maria Arend de Melo,
Fernando Liberman,
Hugo Oscar Leimann Patt,
João Carlos Bieniek,
Mónica Gómez Caniella e
Selma Leal de Oliveira Ribeiro.

Apresentação:
Este livro vem mostrar, nos escritos aqui apresentados, trabalhos que foram aos poucos se tornando uma vivência concreta de profissionais que se preocuparam, dentro da aviação, com práticas que permitissem, antes de qualquer coisa, a perspectiva do entendimento de que fazer um avião voar é mais do que colocar um objeto mais pesado no ar, é mais do que desafiar as leis específicas da natureza.

Fazer um avião voar e voar seguro é empreender ações que vão atender às necessidades iminentes de um homem que avança no seu desenvolvimento sobre a terra, que quer respostas rápidas e precisas para as suas demandas.

Fazer um avião voar é mais do que montar uma máquina ultramoderna, que se torna cada vez mais automatizada, mas que não se resolve por si só, pois mesmo que um dia estejamos todos voando em máquinas que não mais exijam a presença do homem, em uma cabina de controle, terá que estar sendo monitorada por um ser humano.

Este livro tem outra proposta: estar em tempo de não mais só importar ensinamentos para o nosso mundo sul-americano. Já é momento de estarmos apresentando e exportando o nosso conhecimento diante da aviação mundial; os tempos atuais não mais permitem monopólios de conhecimentos, principalmente diante de atividades que, em sua essência, carregam universalidade.

Assim, apresentando o conhecimento construído e voltado para o CRM, com base em experiências realizadas no contexto da nossa realidade brasileira e sul-americana com a proposta de servir de referência para outras realidades.

A Angela Arend, ex-comissária de voo na Varig, escreve dois capítulos:


CRM – Origem, Evolução e Contribuição para a Segurança de Voo e

O primeiro, como o próprio título deixa adivinhar, relata como e porquê surgiu o CRM – inicialmente Cockpit Resource Management – e acompanha a evolução dessa ferramenta até aos dias atuais: CRM de sexta geração.

Deixemos Angela concluir este bem informativo capítulo:

“O que se espera atualmente é que ocorra uma forma de aprendizagem mais suave e menos dolorosa, sem que se percam vidas humanas e patrimônio das empresas, através da utilização de ferramentas, tais como: a implantação de cursos de CRM e outros treinamentos, evolução dos procedimentos técnicos, LOSA, LOFT, etc. O trabalho dos grupos d CRM consiste, entre outras tarefas, minimizar a manifestação da ‘Teoria do Sangue’.

Sabe-se também que os cursos de CRM não irão oferecer uma resposta para todos os problemas que envolvem a aviação, pois esta é uma atividade por demais complexa e dinâmica, e, os treinamentos empregados pelas empresas são os mais variados. Além disso, sabe-se também que o CRM não consegue sensibilizar a todos. Sempre haverá aqueles que consideram os conceitos de CRM como algo completamente dispensável. Estas pessoas são conhecidas sob os mais variados nomes, tais como: Boomerangs, Cowboys ou Drongos (é um tipo de pássaro muito conhecido na Austrália, que voa baixo, defecando na cabeça das pessoas). Na aviação não é diferente, teremos sempre tripulantes com postura de drongos, para os quais o CRM não surtirá efeito.”.

Na outra colaboração, “CRM no ar – A experiência VARIG em Fatores Humanos.”, Angela, além de, naturalmente, nos contar como foi implantado o curso de CRM na Varig (em janeiro de 1998, através do Varig Flight Training Center), discorre sobre o processo de construção de um curso de CRM. Mostra-nos as dificuldades dessa construção e os desafios em mantê-lo atualizado.

E Angela conclui (e recomenda):

“O treinamento em CRM não irá substituir nenhum outro tipo de treinamento técnico, mas devará integrar os conceitos de Fatores Humanos com as habilidades técnico-operacionais, proporcionando um melhor desempenho, através da melhoria do trabalho em equipe e do processo decisório.

Vale lembrar também que o homem é muito mais do que um ‘recurso disponível’, ele é o agente da ação. E como tal deve ser tratado.

Um curso de CRM deve envolver a participação de todos os segmentos de uma organização, pois a segurança da atividade aérea e não apenas do voo em si, é responsabilidade de todos. Esta é a razão pela qual todos os funcionários devem passar pelo curso de CRM e se conscientizarem da sua importância.”.

Este Editor participou de um desses cursos lá no CTO, não lembro o ano.

O livro, editado pela Comunigraf Editora, de Recife, em 2004, está esgotado.

Relacionados:

2 comentários:

  1. Parabéns Angela pelo seu eterno amor à aviação e por mais essa realização.
    José Manuel

    ResponderExcluir
  2. Parabéns Angela! seu esforço aparecerá em forma de sucesso! que orgulho que tenho de você, brilhe sempre!

    ResponderExcluir

Por favor, evite o anonimato! Mesmo que opte pelo botãozinho "Anônimo", escreva o seu nome no final do seu comentário.
Não use CAIXA ALTA, (Não grite!), isto é, não escreva tudo em maiúsculas, escreva normalmente.
Obrigado pela sua participação!
Volte sempre!
Abraços./-