domingo, 13 de maio de 2018

[Discos pedidos] Mãe



A canção original “Mãe Preta” é brasileira, sendo seus autores Piratini (António Amabile) e Caco Velho (Matheus Nunes). A letra, todavia, fora proibida pela censura em Portugal (o momento político ditatorial que vivia Portugal não recomendava textos que fizessem referência à escravatura), sendo a sua letra considerada subversiva.

Pode ser um adendo desnecessário, mas, para quem não sabe, Portugal viveu mais de 40 anos de ditadura, de 1933 a 1974, quando havia um serviço de censura prévia às publicações periódicas, emissões de rádio e de televisão, protegendo permanentemente a doutrina e ideologia do Estado Novo Português e defendendo a moral e os bons costumes.

A letra foi proibida em Portugal. David Mourão-Ferreira escreveu, então, outra letra falando da tragédia de um desaparecido no mar. Eis a letra:

Barco Negro

De manhã, que medo, que me achasses feia!
Acordei, tremendo, deitada n’areia
Mas logo os teus olhos disseram que não,
E o sol penetrou no meu coração.[Bis]

Vi depois, numa rocha, uma cruz,
E o teu Barco Negro dançava na luz
Vi teu braço acenando, entre as velas já soltas
Dizem as velhas da praia, que não voltas:

São loucas! São loucas!

Eu sei, meu amor,
Que nem chegaste a partir,
Pois tudo, em meu redor,
Me diz qu’estás sempre comigo. [Bis]

No vento que lança areia nos vidros;
Na água que canta, no fogo mortiço;
No calor do leito, nos bancos vazios;
Dentro do meu peito, estás sempre comigo.

A primeira a gravar Barco Negro foi a portuguesa, “Maria da Conceição”. No entanto, a lusitana que transformou “Barco Negro” num dos fados mais conhecidos de todos os tempos foi Amália Rodrigues, no tema do filme “Amantes do Tejo”. Apenas em 1978 que Amália Rodrigues gravou a versão original com a letra de Caco Velho.

Um fado combina com lamento; combina com saudade; com a tristeza de um barco que vai longe. Uma melodia. Duas tristezas. A da mãe que embala o filho do sinhô enquanto seu filho apanha; a tristeza da saudade de quem foi no Barco negro...

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Um comentário:

  1. Prestem atenção nos versos de Teixeirinha. Apreciem como um bom vinho, o lirismo e a magnificência de "Barco Negro" de Caco Velho. Bem diferente desse lixo que a mídia nos enfia, goela abaixo, como Pablo Vittar, Rico Dalasam, Aretuza lovi e outras bostas cheirando a merda que a cada dia surgem dos quintos com força total. Cadê a magia dos apaixonados? Onde estão os ouvidos maviosos dos sonhadores? Para onde foram os seresteiros que faziam suspirar as moças debruçadas nas janelas? Aparecido Raimundo de Souza, 65 anos, jornalista. (de São Paulo, Capital).

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