domingo, 9 de agosto de 2020

[As danações de Carina] Os pensamentos não passam... Se eternizam

Carina Bratt

A vida passa, as horas passam, tudo passa. Tudo passa, tudo vira poeira, pó fuligem, partícula, cisco. Tudo passa, queridas amigas, tudo, menos nossos pensamentos. Eles não se entregam, não abrem a guarda, não vão embora, tampouco arredam pé.


Ficam perturbando, atazanando, torrando a paciência, enchendo o saco, atulhando, aglomerando, até que o coloquemos diante do público leitor. Quando isto ocorre, quando o trazemos diante de todos, eles se tornam livres e soltos, declarados e ilimitados, autônomos e desassombrados.

Melhor de tudo: viram histórias, crônicas, contos, ou até romances...  Simplesmente se adulteram em linhas da mais pura literatura. Eu, por exemplo, gosto de escrever. Amo, de paixão, colocar no papel, despejar na folha branca do Word da tela do meu laptop, aquilo que estou sentindo.

O incômodo que está me tirando do foco, do sério e me desfigurando, ou me deteriorando do direito de ser feliz comigo mesma. Seja um pensamento, seja uma ficção, uma mentira... O importante, caras amigas, é colocar, para fora da alma, do corpo e da mente o que nos tenta dificultar a vida.

Tudo o que nos embaralha o belo, ou o formoso do cotidiano, se torna chato e fora de propósito. Devemos fazer com aquilo que imaginamos ser mal e pernicioso se transformar numa espécie de realidade nua e crua. Feito isto, dar um belo e possante chute no traseiro e mandar o que nos encoleriza para os quintos do espaço.

Dizem os antigos que os pensamentos voam, enquanto as palavras preferem ir a pé. Talvez seja para tomarem conhecimento ou se agarrarem às coisas novas, ou, para num outro ângulo, alcançarem a difícil arte de capturarem pequenos e insignificantes detalhes que, pelo fato de estarem voando, passariam despercebidos.

A pé, pelos incertos da vida, vivendo, a cada novo segundo uma emoção diferente, os pensamentos se transfigurem, se metamorfoseiem e se vivifiquem em coisas maravilhosas. As coisas belas e maravilhosas são, por sua vez, os pequenos mimos e canduras que a loucura sopra em nossos ouvidos.

É exatamente aí, que a razão que igualmente mora dentro de nós, capta, no ar fazendo com que o escritor entre em cena e deixe a sua marca registrada, seja ela numa simples crônica ou num intrincado romance repleto, até a borda, de nuances perigosos e literalmente imaginativos.

Escrever, queridas amigas, faz com que os pensamentos se tornem realidade. Escrever é fácil. Tentem colocar alguma coisa no papel (no guardanapo do restaurante, num pedaço de papel sanitário, num caderno, ou até mesmo num diário...).

Escrever é tão fácil como tirar um saco de pipocas das mãos de uma criança indefesa. Escrever não é só fácil e simples, dócil ou leviano. É um pouco mais saboroso.  Começamos com as maiúsculas e terminamos com os pontos finais.

O enredo é a comodidade sutil que todas nós temos de falarmos o que tivermos vontade, seja gritando, berrando, se esperneando, ou pior, com o medo mais ultrajante corroendo a nossa alma. Escrever é nos livrarmos dos obstáculos, sem sermos interrompidas ou questionadas.

Olhem que legal: sem sermos interrompidas ou questionadas. Escrever, portanto, é ir um pouco mais longe do aquém invisível. Escrever é conversar com a nossa imaginação, com nosso coração, com nosso “eu” interior. O mais importante, minhas amigas leitoras. Escrever é sermos livres.

Escrever é falarmos o que der na telha, sem nos importarmos com melindres, e o mais importante, sem sermos oprimidamente analisadas, alteradas, falsificadas, tolhidas.  Procuremos criar nosso próprio estilo. Um bom estilo não deve mostrar nenhum sinal de esforço.

Lembrem sempre que o que é escrito deverá parecer, custe o que custar, um feliz a glorioso acidente. Para escrever, para deixarmos para a posteridade nossos pensamentos, para que eles se tornem imorredouros, só existem duas regras básicas: ter algo a dizer, e claro, dizê-lo. Sem meios termos, sem receio... Simplesmente abrir a boca, escancarar os dentes e DIZER.     

Título e Texto: Carina Bratt, de Vila Velha, no Espírito Santo, 9-8-2020

Anteriores:

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Não aceitamos/não publicamos comentários anônimos.

Se optar por "Anônimo", escreva o seu nome no final do comentário.

Não use CAIXA ALTA, (Não grite!), isto é, não escreva tudo em maiúsculas, escreva normalmente. Obrigado pela sua participação!
Volte sempre!
Abraços./-