sábado, 5 de janeiro de 2013

A guerra de 2012 contra Passos Coelho


Miguel Castelo Branco
Contrariando o ritual da passagem de ano - os bloguers têm todos um gene de Professor Karamba - não deixei quaisquer previsões sobre 2013. Contudo, não me posso furtar a um sumário balanço do ano que agora terminou, menos terrível do que muitos apocalípticos previam, bem pior do que teria sido se ao longo dos últimos 30 ou 40 anos não tivessemos sido governados por gente absolutamente falha daquela elementar faculdade que se exige dos políticos, ou seja, da racionalidade. A crise que nos bateu à porta arrasou modos de vida, destruiu sonhos, mordeu com o desemprego, a fome e a emigração forçada centenas de milhares, mas teria sido pouco mais que um sobressalto se os portugueses - manietados, condicionados e cloroformizados de demagogia - não tivessem querido sucessivamente Cavaco, Guterres, Barroso e Sócrates, não se tivessem iludido com um "Estado social" feito à medida de uma riquíssima Suécia, não levantassem a mais leve objecção a respeito de um consumo que muitas vezes duplicava o rendimento por via do crédito.
O desmancha-prazeres foi Passos Coelho. Contra ele - o único que não fugiu (vide Cavaco, vide Guterres, vide Barroso, vide Sócrates) - levantaram-se os lóbis, as corporações, as redes formais e informais do empregadorismo, as lojas e as sotainas, as fardas, os debitadores de conselhos, os ricos do aparelho do Estado, os reformados milionários, os médicos, os professores, os enfermeiros, os estivadores, os pilotos, os autarcas, os polícias e até a velha classe política que não quer ceder passo a uma nova geração.
A guerra atingiu culminâncias de paroxismo em Setembro, com a tal manifestação por muitos já mitificada (antes, a juventude fazia revoluções, hoje invoca uma passeata metendo abraços e beijos aos policias) que mostrou a que ponto a tal classe média, filha dilecta do regime, não queria abrir mão da ilusão.

Muda o Governo, "muda" a Constituição

Alberto de Freitas
Em muitos sectores, advoga-se a teoria que o governo, caso o TC chumbe o OE2013, se devia demitir. A curiosidade leva-me a concordar. Quais serão as alternativas, da alternativa solução? Buscando pela informação disponível, nada encontro. Todos criticam o que se faz, mas não encontrei indicação do como fazer.
Ao Estado, cortar é inconstitucional, cobrar também. Cada decisão é analisada por “amigo da onça”, o TC.
Mas o TC só cumpre aquilo a que se obrigou, razão da sua existência: velar pelo cumprimento da Constituição. Ora como os presumíveis alternantes ao governo, se recusam a mexer nela, como farão? Sim, porque tal como o governo em funções, só têm duas opções a dosear: cortar e cobrar.
Indo às arrecuas ao governo anterior, vislumbrei a solução: tornar o Tribunal Constitucional, mais sujo que pau de galinheiro.
Passará força de bloqueio; serão publicitados ganhos, mordomias e reformas douradas dos juízes; que terão os passados vasculhados até à infância; incluindo familiares próximos. Percalços, amores, adultérios e demais pecadilhos, serão publicitados. Na imprensa e nos blogues. Os mesmos que agora apelam ao TC, para que cumpra o seu Pátrio dever.
Não justificando alterar a Constituição - nisso, razão para a oposição - bastando destruir a capacidade de quem tenha a capacidade de a interpretar
Foi esta gente - de certeza - que deu a ideia ao Colombo. Relativamente ao “ovo”, obviamente.
Título e Texto: Alberto de Freitas, 05-01-2013

Columbus Breaking the Egg' (Christopher Columbus), by William Hogarth (died 1764). The National Portrait Gallery, London.
Do mesmo autor:

Drunk passenger duct-taped after booze-fuelled meltdown

Photo: Andy Ellwood
THIS is the moment a plane passenger was duct-taped to his seat after he attacked a woman and screamed the plane was going to crash.
The 46-year-old is said to have guzzled duty-free alcohol before his booze-fuelled meltdown.
He was arrested upon when the New York-bound flight from Iceland landed at JFK on Thursday.
Andy Ellwood, whose friend was aboard the plane, posted a picture of the restrained flyer on his Tumblr page.
Beneath the picture, he wrote: “Passenger drank all of his duty free liquor on the flight from Iceland to JFK yesterday.
“When he became unruly, (i.e. trying to choke the woman next to him and screaming the plane was going to crash), fellow passengers subdued him and tie him up for the rest of the flight. “
“He was escorted off the flight by police when it landed.”

President Autopen

Obama leaves the real work to the “professionals.” They’re certainly scraping the barrel for heroes these days. And — THAT is CNN? All this, plus: ManBearPig cashes in! Presented in 1080 hi-def, for free! It’s The Great Eight from the Personal Liberty Digest™!
Ben Crystal, January 5, 2013, Personal Liberty Digest


Ben Crystal is a 1993 graduate of Davidson College and has burned the better part of the last two decades getting over the damage done by modern-day higher education. He now lives in Savannah, Ga., where he has hosted an award-winning radio talk show and been featured as a political analyst for television. Currently a principal at Saltymoss Productions—a media company specializing in concept television and campaign production, speechwriting and media strategy—Ben has written numerous articles on the subjects of municipal authoritarianism, the economic fallacy of sin taxes and analyses of congressional abuses of power.

Prensa británica exige distancia a Argentina sobre las Malvinas

El Gobierno isleño le asegura a Kirchner que no son colonia de Reino Unido
EL UNIVERSAL
El diario de mayor tirada de Reino Unido, el sensacionalista The Sun, respondió al nuevo llamamiento de la presidenta argentina Cristina Fernández de Kirchner a la devolución de las disputadas islas Malvinas o Falklands en una carta abierta publicada en el Buenos Aires Herald.
Al día siguiente de que Fernández de Kirchner publicara un anuncio publicitario en la prensa británica con su propia misiva al primer ministro David Cameron pidiéndole el "fin del colonialismo", The Sun puso otro aviso en el diario bonaerense en lengua inglesa advirtiendo a Argentina que no toque el archipiélago del Atlántico Sur que los británicos denominan Falklands, informó AFP.

Activistas argentinos prenden fuego al aviso del diario británico "The Sun" que defiende el derecho de Reino Unido de gobernar las Malvinas. 
Foto: Reuters/EL UNIVERSAL
"La soberanía británica sobre las islas Falklands data de 1765 - antes de que la República Argentina ni siquiera existiera -. Las islas nunca fueron gobernadas ni formaron parte del territorio soberano de la República Argentina", afirma The Sun en su misiva, en la que considera "infundada" la afirmación de que el país suramericano fue "despojado" del archipiélago hace 180 años.
El diario defiende la posición oficial del Gobierno sobre el derecho a la autodeterminación de los isleños, que hasta ahora han optado por permanecer ligados a Reino Unido como territorio británico de ultramar.
"Hasta que el mismo pueblo de las islas Falklands decida ser argentino, seguirá siendo decididamente británico", agregó el diario The Sun.
"En nombre de nuestros millones de lectores, y para decirlo con otras palabras: ¡LAS MANOS QUIETAS!", concluye.

Será a fuga ao Fisco, patriótica?

Alberto de Freitas
O governo adoptou o lema: "Todos têm que pagar". E muito bem, pois assim - prometem - todos pagarão menos. Mas... – em Portugal há sempre um "mas" – esqueceu-se de determinar: "todos têm que parar de gastar... o que não é deles".

É que nem a determinação juramentada do Primeiro-ministro, emperra a "máquina". Também conhecida como "monstro". Este governo combate a crise com saque fiscal, não conseguindo (ou não querendo) controlar a gula no usufruto desse saque.

O Tribunal de Contas chama a atenção para a ausência de transparência nos gastos dos Gabinetes: desde ganhos extra-salariais, a utilização de cartões de crédito. Continua o fartar-vilanagem.

Esta gente só parará quando não houver dinheiro. Razão para, tal como toxicodependentes, assaltam tudo e todos para alimentar o vício. Relevam todos os comportamentos que permitem a corrupção e incidem o combate contra tasqueiros, mecânicos e barbeiros.

A quem me corta o cabelo, já disse: "Não quero factura". No café onde tomo a bica, onde o homem se esfalfa com a ajuda da mulher, das 7 da manhã às 23. Sem feriados, férias, direito a greve, nem a subsídio de desemprego, falei alto a mesma intenção.

Os poucos euros furtados ao Estado, não chegam para a gorjeta da lauta almoçarada do assessor ou da secretária do Secretário de Estado. E os delinquentes fiscais talvez tenham dinheiro para uma refeição melhor. Ou mesmo, terem refeição.

Ou há moral, ou comem todos. Porém, moral é coisa que não há e comer nem a todos é possível.
Título e Texto: Alberto de Freitas, 05-01-2013
PS. Para o "estudo" da reforma do IRC, o Estado com um número indeterminado (acima de 700 mil?) de funcionários; incluindo técnicos - do maior gabarito - em todas as áreas, necessitou de "contratar" fora. Ou o "monstro" é monstruosamente incapaz, ou... (conclusão ao critério de cada um).

Après Depardieu, Brigitte Bardot dit son "ras-le-bol" de la France

Après Depardieu, Brigitte Bardot, qui a menacé vendredi de demander la nationalité russe si les autorités françaises décidaient d'euthanasier deux éléphantes malades à Lyon, dit son "ras-le-bol" de la France et annonce qu'elle rendra bientôt visite à Vladimir Poutine, dans un entretien publié samedi dans les quotidiens du groupe Nice-Matin.
"Je suis très sérieuse. J'en ai plein le c... Ras-le-bol ! Je ne supporte plus ce pays. Depuis Sarkozy et ses promesses non tenues, personne ne répond à mes requêtes. Ça me met dans une douleur et une rage folle de voir cette impuissance. Je ne demande rien d'extraordinaire: une RE-PON-SE pour sauver ces animaux !", déclare l'ancienne actrice et chanteuse, âgée de 78 ans.
"L'éléphant est intelligent, courageux... C'est mon animal préféré au monde. Si on euthanasie Baby et Népal, il va y avoir un drame. Je suis capable de tout !", ajoute-t-elle, déplorant que sa fondation de défense des animaux ne puisse pas faire de contre-expertise des deux éléphantes suspectées de tuberculose par la préfecture du Rhône.
"J'ai adressé une lettre par porteur à (François, ndlr) Hollande avant-hier (mercredi, ndlr), avec toute la documentation pour expliquer comment la fondation prendrait en charge leur mise en quarantaine, les soins et leur sauvetage. Pas de réponse", regrette Bardot, expliquant avoir choisi la Russie "par rapport à Poutine".
"Je lui trouve beaucoup d'humanité. A chaque fois que je lui demande quelque chose, en principe il me l'accorde. Il a fait plus pour la protection animale que tous nos présidents successifs. Et puis là-bas, ils n'ont pas l'Aïd-el-Kébir...", souligne la résidente de Saint-Tropez (Var), qui "programme un voyage en Russie pour voir Poutine".
Le sort des deux éléphantes du cirque Pinder suscite une levée de boucliers des défenseurs de la cause animale depuis la mi-décembre. La Fondation Brigitte Bardot avait demandé à la préfecture d'ordonner la "saisie" des deux pachydermes pour les lui confier au lieu de les euthanasier. Un pourvoi vient d'être déposé au Conseil d'Etat par les avocats du cirque pour demander la suspension de l'euthanasie.
Cette annonce de Brigitte Bardot, star mondiale du cinéma et de la chanson dans les années 50 et 60, intervient en pleine polémique sur l'exil fiscal de l'acteur Gérard Depardieu, qui vient d'obtenir la citoyenneté russe du président Vladimir Poutine.
Brigitte Bardot emboîte donc le pas à l'acteur, qu'elle n'a jamais rencontré selon sa Fondation, mais qu'elle a vivement soutenu.
"Je soutiens Gérard Depardieu, victime d'un acharnement extrêmement injuste, bien qu'il soit un amateur de corridas, ce qui ne l'empêche pas d'être un acteur exceptionnel", avait-t-elle déclaré à la mi-décembre.
Le hashtag (mot-clé) #JeDemandeLaNationalitéRusse est rapidement arrivé en tête des sujets les plus commentés vendredi après-midi sur Twitter.
"Bravo et chapeau Mme Bardot", a réagi Gilbert Edelstein, le propriétaire des pachydermes et directeur du cirque Pinder. "C'est elle qui va les sauver", a-t-il affirmé à l'AFP. "Si elle sauve mes éléphantes, je veux la rencontrer et la réconcilier avec les vrais cirques, avec les gens qui aiment les animaux".
Des ministres français ont ironisé sur l'annonce de Brigitte Bardot. "Elle pourra demander Gérard Depardieu en mariage, ce sera formidable!", a lancé le ministre délégué à la Consommation Benoît Hamon.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

A farra da Espanha (e de outros!)


Recebi este arquivo, originalmente, em power point.
Nele constatamos a irresponsabilidade despesista da Espanha. 
Outros países, como Portugal, também gastaram o que tinham e o que não tinham. Agora, bem, agora, os que gastaram são contra o ajustamento, contra "pagar as dívidas do caderninho preto". Isto é, continuam com o blá-blá-blá demagogo e perverso da... "política de investimentos"... e continuam culpando quem lhes emprestou... 
Em Portugal, por escolha do povo, eles arriscam voltar para praticar, again, "políticas de crescimento", é mole?! 

Coices e relinchos

Nelson Motta

A maneira mais estúpida, autoritária e desonesta de responder a alguma crítica é tentar desqualificar quem critica, porque revela a incapacidade de rebatê-la com argumentos e fatos, ideias e inteligência. A prática dos coices e relinchos verbais serve para esconder sentimentos de inferioridade e mascarar erros e intenções, mas é uma das mais populares e nefastas na atual discussão política no Brasil.
A outra é responder acusando o adversário de já ter feito o mesmo, ou pior, e ter ficado impune. São formas primitivas e grosseiras de expressão na luta pelo poder, nivelando pela baixaria, e vai perder tempo quem tentar impor alguma racionalidade e educação ao debate digital.
Nem nos mais passionais bate-bocas sobre futebol alguém apela para a desqualificação pessoal, por inutilidade. Ser conservador ou liberal, gay ou hétero, honesto ou ladrão, preto ou branco, petista ou tucano, não vai fazer o gol não ser em impedimento, ser ou não ser pênalti. Numa metáfora de sabor lulístico, a política é que está virando um Fla-Flu movido pelos instintos mais primitivos.
Na semana passada, Ferreira Gullar, considerado quase unanimemente o maior poeta vivo do Brasil, publicou na Folha de S. Paulo uma crônica criticando o mito Lula com dureza e argumentos, mas sem ofensas nem mentiras. Reproduzida em um "site progressista", com o habitual patrocínio estatal, a crônica foi escoiceada pela militância digital.
Ler os cento e poucos comentários, a maioria das mesmas pessoas, escondidas sob nomes diferentes, exigiria uma máscara contra gases e adicional de insalubridade, mas uma pequena parte basta para revelar o todo. Acusavam Gullar, ex-comunista, de ter se vendido, porque alguém só pode mudar de ideia se levar dinheiro, relinchavam sobre a sua idade, sua saúde, sua virilidade, sua aparência, sua inteligência, e até a sua poesia. E ninguém respondia a um só de seus argumentos.
Mas quem os lê? Só eles mesmos e seus companheiros de seita. E eu, em missão de pesquisa antropológica. Coitados, esses pobres diabos vão morrer sem ter lido um só verso de Gullar, sem saber o que perderam.
Título e Texto: Nelson Motta, O Estado de S. Paulo, 04-01-2013

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Ferreira Gullar
Muitos de vocês, como eu também, hão de se perguntar por que, depois de tantos escândalos envolvendo os dois governos petistas, a popularidade de Dilma e Lula se mantém alta e o PT cresceu nas últimas eleições municipais. Seria muita pretensão dizer que sei a resposta a essa pergunta. Não sei, mas, porque me pergunto, tento respondê-la ou, pelo menos, examinar os diversos fatores que influem nela.
Assim, a primeira coisa a fazer é levar em conta as particularidades do eleitorado do país e o momento histórico em que vivemos. Sem pretender aprofundar-me na matéria, diria que um dos traços marcantes do nosso eleitorado é ser constituído, em grande parte, por pessoas de poucas posses e trabalhadores de baixos salários, sem falar nos que passam fome.
Isso o distingue, por exemplo, do eleitorado europeu, e se reflete consequentemente no conteúdo das campanhas eleitorais e no resultado das urnas. Lá, o neopopulismo latino-americano não tem vez. Hugo Chávez e Lula nem pensar.
Historicamente, o neopopulismo é resultante da deterioração do esquerdismo revolucionário que teve seu auge na primeira metade do século 20 e, na América Latina, culminaria com a Revolução Cubana. A queda do Muro de Berlim e o fim da União Soviética deixaram, como herança residual, a exploração da desigualdade social, já não como conflito entre o operariado e a burguesia, mas, sim, entre pobres e ricos. O PT é exemplo disso: nasceu prometendo fazer no Brasil uma revolução equivalente à de Fidel em Cuba e terminou como partido da Bolsa Família e da aliança com Maluf e com os evangélicos.
Esses são fatos indiscutíveis, que tampouco Lula tentou ocultar: sua aliança com os evangélicos é pública e notória, pois chegou a nomear um integrante da seita do bispo Macedo para um de seus ministérios. A aliança com Paulo Maluf foi difundida pela televisão para todo o país. Mas nada disso alterou o prestígio eleitoral de Lula, tanto que Haddad foi eleito prefeito da cidade de São Paulo folgadamente.

O pintam

João César das Neves
Há muitos anos que Portugal não começa um ano debaixo de tanto pessimismo. É consensual que o Governo está povoado por incompetentes, criminosos ou pior. A Economia aproxima-se do abismo ou já lá terá caído, conforme as opiniões. Não existem dúvidas que o Estado Social está defunto e aproxima-se o colapso, que devia ter acontecido em 2012, mas que foi adiado.
As previsões são tão más que dá vontade de hibernar doze meses e passar já a 2014. De facto, 2013 será um dos melhores anos dos últimos, precisamente por causa destas antevisões catastrofistas. Por muito mal que as coisas se passem, têm de ser muito melhores que as conjecturas. O sofrimento, que é sem dúvida terrível, parece ter deflagrado um campeonato de queixas, onde os participantes produzem cenários negros à desgarrada, procurando dizer ainda pior que o anterior.
Com o Orçamento para 2013 parece ter-se chegado aos limites, excitando os últimos dotes bombásticos dos comentadores. Já não se consegue dizer muito pior.  Em qualquer caso, é já evidente que a realidade, por mais que se esforce, nunca poderá conseguir atingir as profundezas antevistas. Pelo contrário, qualquer evolução menos má constituirá uma boa notícia.
O rating da República caiu tão baixo que já só pode subir. O investimento é tão pequeno que as evoluções recentes representam aumentos. Os pessimistas exageraram tanto que já só conseguem fazer com que a triste realidade brilhe em comparação. Estamos como a piada que garante que o pior de tudo é o «pintam», porque nem o diabo é tão mau como o pintam.
Título e Texto: João César das Neves, Destak, 04-01-2013

Um país de sem-vergonhas

Humberto de Luna Filho
 
José Genoíno, foto: Valter Campanato/Agência Brasil
O Brasil transformou-se em um país de sem-vergonhas, de gente sem caráter, sem pudor e sem um mínimo de respeito ao cidadão de bem. Ontem assisti pela Internet um espetáculo deprimente ocorrido em um dos três poderes da República. Um marginal condenado pela suprema corte do país tomando posse, imaginem, como legislador. Legislador do quê? Da bandidagem? E mais, arrogante e ameaçador com os jornalistas que trabalhavam, cumprindo o seu dever profissional e direito constitucional de informar. O bandidão estava cheio de coragem. Aquela coragem que lhe faltou no Araguaia, onde foi preso sem a menor reação e, antes de levar o primeiro tapa no escutador de novelas, delatou todos os companheiros. É bem verdade que a Justiça brasileira permite tais aberrações, pois no processo no qual foi condenado pela suprema corte do país ainda cabe recurso ao réu. Porém, por caráter, princípios morais e em respeito à sociedade, o recém-empossado não deveria ter comparecido a essa cerimônia promovida pelo podre e desmoralizado poder Legislativo. Vou além, em um país sério o novo "nobre" parlamentar dessa triste república teria saído do tribunal, após a condenação, algemado e estaria atrás das grades, esperando o resultado de um possível recurso favorável impetrado por seus advogados. Mas, nessa republiqueta bananal, foi transformado em um legislador. Pergunto: o que podemos esperar de um país que não tem o menor respeito pelo cidadão, pela civilidade e pelos princípios éticos e morais? No Brasil de hoje, ser mentiroso, ladrão e mau-caráter é virtude; que o diga o chefe dos chefes. Um bêbado desqualificado que transformou o Palácio do Planalto em balcão de negócio e o avião presidencial em motel.
Título e Texto: Humberto de Luna Freire Filho, médico e CIDADÃO brasileiro sem medo de CORRUPTOS, 04-01-2013

França: a imagem de Hollande vai mal! Entra o assessor de imagem...

François Hollande solicitou o conselho do antigo jornalista Claude Sérillon sobre como remodelar sua imagem. Dois peritos em comunicações propuseram três soluções para reconquistar o coração dos franceses:
1) vigiar sua linguagem (por exemplo, jamais dizer "eu creio");
2) cuidar de sua atitude corporal (por exemplo, fazendo atenção à preparação física e bebendo água em lugar de álcool);
3) atentar para sua roupa (por exemplo, evitar o nó de gravata simples e a aparência negligenciada).
Título e Texto: Ex-Blog do Cesar Maia, 04-01-2013

Photo: SIPA Press

A história que interessa

José Carlos Bolognese
Cada um tem o direito à própria história e ao seu controle, se possível. Quando esse controle é feito por terceiros, não se tem uma história, mas a versão de quem conta. Nesses últimos seis, quase sete anos, apesar de esforços individuais, a história dos variguianos, como vem sendo contada, é feita segundo um modelo que não deixa dúvidas quanto à culpa pela degradação da vida desses trabalhadores. Eles próprios seriam os responsáveis por estarem sofrendo o desemprego, a perda dos direitos trabalhistas e o calote nas pensões dos aposentados. Alvo de suas escolhas equivocadas, os ex-trabalhadores e aposentados da Varig estariam – numa estranha demonstração de que no Brasil a justiça funciona – pagando até por antecipação, antes mesmo de sentença “transitada em julgado”, como se diz em juridiquês, haja vista esses quase sete anos de penúria, num caso em que nem se considera a “progressão de pena”, benefício que contempla vários tipos de crimes – corrupção, sem dúvida – e outros onde o senso comum recomenda que se tranque o criminoso e se jogue fora a chave.


Absurda assim, esta é a história que se conta sobre nós cada vez que a “União”, através de seus vigilantes do peso das arcas do tesouro nacional expedem liminares descumprindo decisão judicial (não sei como conseguem, mas no Brasil pode) impedindo-nos de sair dessa história de horror que já se aproxima do sétimo ano.
Vivemos numa época em que, dependendo de quem conta, as versões valem mais do que os fatos, pois contar uma história que se pretende verídica sobre seja lá o que for, é um exercício de poder. Com uma imprensa que cada vez mais vocaliza em vez de questionar as falas e atitudes do estado, não sobra poder do lado mais fraco para contar sua história, ainda que inacreditável, mas verdadeira, como a que se passa com os variguianos.

Avião da TAP penhorado no Brasil

OJE/Lusa

A Justiça brasileira determinou a penhora de uma aeronave da TAP como garantia do pagamento de dívidas a trabalhadores num processo movido contra o Estado português por uma funcionária da embaixada portuguesa em Brasília.
A ordem, expedida no dia 19 de dezembro pelo juiz Luiz Fausto Marinho de Medeiros, do Tribunal Regional do Trabalho de Brasília, determina a penhora da aeronave Airbus 330-200 da companhia aérea TAP, "cuja totalidade do poder acionário detém o Governo português".
Entretanto, a TAP afirmou desconhecer a decisão judicial brasileira que decretou a penhora, disse hoje à Lusa o porta-voz da empresa, adiantando não acreditar que a medida se concretize.
De acordo com o porta-voz da TAP, António Monteiro, a companhia estava alertada sobre o processo, mas apenas pela comunicação social, e desconhecia que já havia uma decisão judicial confirmada por um tribunal no Brasil desde 19 de dezembro.
António Monteiro admite que seria "péssimo para a imagem da TAP" que esta decisão judicial se efetivasse", mas disse também que "não passa pela cabeça de ninguém que seja concretizada", até porque a penalização de uma companhia aérea num processo no qual não tem responsabilidades "não é decidida de ânimo leve".
O processo, aberto em 2010, já chegou ao fim, com ganho de causa para a funcionária brasileira, que deverá receber o valor de 750 mil reais (280 mil euros) em avenças e benefícios atrasados, disse à Lusa o advogado responsável pela ação, Renato Rezende.
Na fase da execução da ordem de pagamento, no entanto, surgiu a dificuldade criada pela imunidade diplomática, uma vez que os bens, imóveis e conta bancária da missão diplomática portuguesa no exterior estão protegidos pela Convenção de Viena.

Berlin prépare de nouvelles mesures d'austérité

Le Monde
Le gouvernement allemand prévoit de cinq à six nouveaux milliards d'euros de baisse des dépenses publiques, afin d'équilibrer son budget pour 2014, affirme vendredi 4 janvier le journal Rheinische Post, citant des sources internes au ministère des finances. Le quotidien précise que les baisses prévues par Wolfgang Schäuble, le ministre des finances, devraient concerner tous les ministères, ainsi que le système de santé.
"Si nous voulons obtenir un budget équilibré sur un plan structurel en 2014, nous devrons combler un vide de cinq milliards d'euros", a reconnu Michael Meister, chef adjoint du groupe parlementaire de l'Union chrétienne-démocrate (CDU) de la chancelière Angela Merkel, cité par le Rheinische Post. "Cela se fera seulement à l'aide de coupes budgétaires", a-t-il précisé, excluant des hausses d'impôts.

Wolfgang Schäuble, le ministre allemand des finances. Photo: Miguel Riopa/AFP
UNE ANNÉE DIFFICILE
Le ministère des finances a démenti le mois dernier des allégations du magazine Der Spiegel, selon lesquelles Wolfgang Schäuble prévoyait de baisser les dépenses publiques et d'augmenter la TVA. L'opposition sociale-démocrate du SPD accuse Wolfgang Schäuble de garder le silence sur de nouvelles mesures d'austérité, afin d'éviter à la CDU de perdre une élection régionale prévue le 20 janvier dans le Land de Basse-Saxe.
Angela Merkel est candidate à un troisième mandat à l'issue des prochaines élections législatives, prévues en septembre, et dont l'issue paraît incertaine en raison des différents jeux d'alliance entre partis. Lors de ses vœux, elle a préparé les Allemands à une année difficile.
Le Monde, le 04.01.2013 à 09h24

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Gol contra

Arnaldo Niskier
Tínhamos tudo para caminhar serenamente, em nosso país, na implantação do Acordo Ortográfico de Unificação da Língua Portuguesa. Ele foi aceito por todas as camadas da nossa população, mas no último minuto, quando o jogo parecia ganho, o governo fez um gol contra, adiando o início para 2016, de forma incompreensível para os brasileiros.
Embora parecesse pacífica a implementação do Acordo Ortográfico de Unificação da Língua Portuguesa, na sua versão de 1990, a comunidade lusófona reagiu de maneira diferente. O Brasil aderiu com entusiasmo a essa ideia desimplificação. A partir de 2013 todos os seus instrumentos de comunicação, como jornais, revistas, livros e emissoras de rádio e televisão obedecerão aos ditames do Acordo, sacramentado pelo ex-presidente Lula, em 2008, numa simpática cerimônia, simbolicamente realizada na sede da Academia Brasileira de Letras.
O mesmo, infelizmente, não está ocorrendo em Portugal e nas nações luso-africanas. Há fortes reações, com argumentos inaceitáveis: o Brasil estaria exercendo uma forma de neocolonialismo, querendo impor a sua vontade cultural. Alguns jornais portugueses, como Correio da Manhã, Jornal de Notícias, Público, i, Diário Econômico e Jornal de Negócios, além da revista Sábado, desrespeitam o Acordo e agem como se estivessem com a corda no pescoço. Não existe o consenso social mínimo em torno do assunto.
Um bom número de intelectuais protesta contra o que eles classificam como “empobrecimento da língua portuguesa”. A Faculdade de Letras de Lisboa está na linha do que se pode classificar como desacordo. O jornal Público anuncia com entusiasmo que o governo brasileiro estaria para dar uma volta e conceder um prazo de mais seis anos para tornar obrigatórios todos os postulados. Não é o que se espera. Livros, jornais e revistas circulam de acordo com as novas regras, com a expectativa de que assim será possível sonhar com a oficialização do nosso idioma na Organização das Nações Unidas, uma velha reivindicação estratégica, que se liga ao pedido para que tenhamos assento permanente no Conselho de Segurança da entidade.

Ser poeta


Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

Florbela Espanca
Colaboração: Fatima Lopes 

Elas são difíceis mesmo

Via Sandra Jeane

Juros a dez anos caem abaixo dos 6,4%


Eva Gaspar
Evolução dos indicadores de custo de financiamento do Estado português sustenta a possibilidade de Portugal regressar mais plenamente aos mercados ao longo deste ano.
As taxas de juro (“yields”) associadas aos títulos de dívida pública portuguesa a dez anos recuaram 16,7 pontos base e desceram sucessivamente ao longo da sessão desta quinta-feira abaixo de 6,5% e 6,4%, para se fixarem, a meio da tarde, em 6,392%, segundo os dados compilados pela agência Bloomberg.
Trata-se do valor mais baixo desde meados de Dezembro de 2010. Há um ano, os “juros” no mercado secundário de dívida estavam acima de 17%.
No cenário-base do Fundo Monetário Internacional (FMI) Portugal conseguirá dispensar nova ajuda externa e financiar-se integralmente através dos mercados a partir de meados de 2013 se as taxas de “financiamento rondarem os 7%, assumindo que cairão gradualmente para 5% nos quatro anos seguintes e permanecerão estáveis nos anos subsequentes”.
No Orçamento do Estado para 2013 não está prevista a emissão de dívida de longo prazo. A emissão adicional de bilhetes do Tesouro deverá, no cenário mais conservador, acomodar o novo défice e garantir os reembolsos de dívida do próximo ano. Sobretudo as obrigações a pagar em Setembro, cujo montante caiu para quase metade com a operação de troca realizada em Outubro.
A curva de rendibilidade dos títulos portugueses tem recuperado progressivamente desde o Verão um perfil mais “saudável”, oscilando agora entre 3,321% para as obrigações a dois anos e 6,392% para as maturidades de dez anos.