domingo, 6 de janeiro de 2013
sábado, 5 de janeiro de 2013
A guerra de 2012 contra Passos Coelho
Miguel Castelo Branco
Contrariando o ritual da
passagem de ano - os bloguers têm todos um gene de Professor Karamba - não
deixei quaisquer previsões sobre 2013. Contudo, não me posso furtar a um
sumário balanço do ano que agora terminou, menos terrível do que muitos
apocalípticos previam, bem pior do que teria sido se ao longo dos últimos 30 ou
40 anos não tivessemos sido governados por gente absolutamente falha daquela
elementar faculdade que se exige dos políticos, ou seja, da racionalidade. A
crise que nos bateu à porta arrasou modos de vida, destruiu sonhos, mordeu com
o desemprego, a fome e a emigração forçada centenas de milhares, mas teria sido
pouco mais que um sobressalto se os portugueses - manietados, condicionados e
cloroformizados de demagogia - não tivessem querido sucessivamente Cavaco,
Guterres, Barroso e Sócrates, não se tivessem iludido com um "Estado
social" feito à medida de uma riquíssima Suécia, não levantassem a mais
leve objecção a respeito de um consumo que muitas vezes duplicava o rendimento por
via do crédito.
O desmancha-prazeres foi
Passos Coelho. Contra ele - o único que não fugiu (vide Cavaco, vide Guterres,
vide Barroso, vide Sócrates) - levantaram-se os lóbis, as corporações, as redes
formais e informais do empregadorismo, as lojas e as sotainas, as fardas, os
debitadores de conselhos, os ricos do aparelho do Estado, os reformados
milionários, os médicos, os professores, os enfermeiros, os estivadores, os
pilotos, os autarcas, os polícias e até a velha classe política que não quer
ceder passo a uma nova geração.
A guerra atingiu culminâncias
de paroxismo em Setembro, com a tal manifestação por muitos já mitificada
(antes, a juventude fazia revoluções, hoje invoca uma passeata metendo abraços
e beijos aos policias) que mostrou a que ponto a tal classe média, filha
dilecta do regime, não queria abrir mão da ilusão.
Muda o Governo, "muda" a Constituição
Alberto de Freitas
Em muitos sectores, advoga-se
a teoria que o governo, caso o TC chumbe o OE2013, se devia demitir. A
curiosidade leva-me a concordar. Quais serão as alternativas, da alternativa
solução? Buscando pela informação disponível, nada encontro. Todos criticam o que
se faz, mas não encontrei indicação do como fazer.
Ao Estado, cortar é
inconstitucional, cobrar também. Cada decisão é analisada por “amigo da onça”,
o TC.
Mas o TC só cumpre aquilo a
que se obrigou, razão da sua existência: velar pelo cumprimento da
Constituição. Ora como os presumíveis alternantes ao governo, se recusam a
mexer nela, como farão? Sim, porque tal como o governo em funções, só têm duas
opções a dosear: cortar e cobrar.
Indo às arrecuas ao governo
anterior, vislumbrei a solução: tornar o Tribunal Constitucional, mais sujo que
pau de galinheiro.
Passará força de bloqueio;
serão publicitados ganhos, mordomias e reformas douradas dos juízes; que terão
os passados vasculhados até à infância; incluindo familiares próximos.
Percalços, amores, adultérios e demais pecadilhos, serão publicitados. Na
imprensa e nos blogues. Os mesmos que agora apelam ao TC, para que cumpra o seu
Pátrio dever.
Não justificando alterar a
Constituição - nisso, razão para a oposição - bastando destruir a capacidade de
quem tenha a capacidade de a interpretar
Foi esta gente - de certeza -
que deu a ideia ao Colombo. Relativamente ao “ovo”, obviamente.
Título e Texto: Alberto de
Freitas, 05-01-2013
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| Columbus Breaking the Egg' (Christopher Columbus), by William Hogarth (died 1764). The National Portrait Gallery, London. |
Do mesmo autor:
Drunk passenger duct-taped after booze-fuelled meltdown
![]() |
| Photo: Andy Ellwood |
The 46-year-old is said to
have guzzled duty-free alcohol before his booze-fuelled meltdown.
He was arrested upon when the
New York-bound flight from Iceland landed at JFK on Thursday.
Andy Ellwood, whose friend was
aboard the plane, posted a picture of the restrained flyer on his Tumblr page.
Beneath the picture, he wrote:
“Passenger drank all of his duty free liquor on the flight from Iceland to JFK
yesterday.
“When he became unruly, (i.e.
trying to choke the woman next to him and screaming the plane was going to
crash), fellow passengers subdued him and tie him up for the rest of the
flight. “
“He was escorted off the
flight by police when it landed.”
President Autopen
Obama leaves the real work to
the “professionals.” They’re certainly scraping the barrel for heroes these
days. And — THAT is CNN? All this, plus: ManBearPig cashes in! Presented in
1080 hi-def, for free! It’s The Great Eight from the Personal Liberty Digest™!
Ben Crystal is a 1993 graduate of Davidson College and has burned the better part of the last two decades getting over the damage done by modern-day higher education. He now lives in Savannah, Ga., where he has hosted an award-winning radio talk show and been featured as a political analyst for television. Currently a principal at Saltymoss Productions—a media company specializing in concept television and campaign production, speechwriting and media strategy—Ben has written numerous articles on the subjects of municipal authoritarianism, the economic fallacy of sin taxes and analyses of congressional abuses of power.
Prensa británica exige distancia a Argentina sobre las Malvinas
El Gobierno isleño le asegura
a Kirchner que no son colonia de Reino Unido
EL UNIVERSAL
El diario de mayor tirada de
Reino Unido, el sensacionalista The Sun, respondió al nuevo llamamiento de la presidenta argentina Cristina
Fernández de Kirchner a la devolución de las disputadas islas Malvinas o
Falklands en una carta abierta publicada en el Buenos Aires Herald.
Al día siguiente de que
Fernández de Kirchner publicara un anuncio publicitario en la prensa británica
con su propia misiva al primer ministro David Cameron pidiéndole el "fin
del colonialismo", The Sun puso otro aviso en el diario bonaerense en
lengua inglesa advirtiendo a Argentina que no toque el archipiélago del
Atlántico Sur que los británicos denominan Falklands, informó AFP.
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Activistas argentinos prenden
fuego al aviso del diario británico "The Sun" que defiende el derecho
de Reino Unido de gobernar las Malvinas.
Foto: Reuters/EL UNIVERSAL
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El diario defiende la posición
oficial del Gobierno sobre el derecho a la autodeterminación de los isleños,
que hasta ahora han optado por permanecer ligados a Reino Unido como territorio
británico de ultramar.
"Hasta que el mismo
pueblo de las islas Falklands decida ser argentino, seguirá siendo
decididamente británico", agregó el diario The Sun.
"En nombre de nuestros
millones de lectores, y para decirlo con otras palabras: ¡LAS MANOS
QUIETAS!", concluye.
Será a fuga ao Fisco, patriótica?
Alberto de Freitas
O governo adoptou o lema:
"Todos têm que pagar". E muito bem, pois assim - prometem - todos
pagarão menos. Mas... – em Portugal há sempre um "mas" – esqueceu-se
de determinar: "todos têm que parar de gastar... o que não é deles".
É que nem a determinação juramentada do Primeiro-ministro, emperra a "máquina". Também conhecida como "monstro". Este governo combate a crise com saque fiscal, não conseguindo (ou não querendo) controlar a gula no usufruto desse saque.
É que nem a determinação juramentada do Primeiro-ministro, emperra a "máquina". Também conhecida como "monstro". Este governo combate a crise com saque fiscal, não conseguindo (ou não querendo) controlar a gula no usufruto desse saque.
O Tribunal de Contas chama a
atenção para a ausência de transparência nos gastos dos Gabinetes: desde ganhos
extra-salariais, a utilização de cartões de crédito. Continua o
fartar-vilanagem.
Esta gente só parará quando
não houver dinheiro. Razão para, tal como toxicodependentes, assaltam tudo e
todos para alimentar o vício. Relevam todos os comportamentos que permitem a
corrupção e incidem o combate contra tasqueiros, mecânicos e barbeiros.
A quem me corta o cabelo, já
disse: "Não quero factura". No café onde tomo a bica, onde o homem se
esfalfa com a ajuda da mulher, das 7 da manhã às 23. Sem feriados, férias,
direito a greve, nem a subsídio de desemprego, falei alto a mesma intenção.
Os poucos euros furtados ao
Estado, não chegam para a gorjeta da lauta almoçarada do assessor ou da
secretária do Secretário de Estado. E os delinquentes fiscais talvez tenham
dinheiro para uma refeição melhor. Ou mesmo, terem refeição.
Ou há moral, ou comem todos.
Porém, moral é coisa que não há e comer nem a todos é possível.
Título e Texto: Alberto de Freitas, 05-01-2013
Título e Texto: Alberto de Freitas, 05-01-2013
PS. Para o "estudo"
da reforma do IRC, o Estado com um número indeterminado (acima de 700 mil?) de
funcionários; incluindo técnicos - do maior gabarito - em todas as áreas,
necessitou de "contratar" fora. Ou o "monstro" é
monstruosamente incapaz, ou... (conclusão ao critério de cada um).
Après Depardieu, Brigitte Bardot dit son "ras-le-bol" de la France
Après Depardieu, Brigitte
Bardot, qui a menacé vendredi de demander la nationalité russe si les autorités
françaises décidaient d'euthanasier deux éléphantes malades à Lyon, dit son
"ras-le-bol" de la France et annonce qu'elle rendra bientôt visite à
Vladimir Poutine, dans un entretien publié samedi dans les quotidiens du groupe
Nice-Matin.
"Je suis très sérieuse.
J'en ai plein le c... Ras-le-bol ! Je ne supporte plus ce pays. Depuis Sarkozy
et ses promesses non tenues, personne ne répond à mes requêtes. Ça me met dans
une douleur et une rage folle de voir cette impuissance. Je ne demande rien
d'extraordinaire: une RE-PON-SE pour sauver ces animaux !", déclare
l'ancienne actrice et chanteuse, âgée de 78 ans.
"L'éléphant est
intelligent, courageux... C'est mon animal préféré au monde. Si on euthanasie
Baby et Népal, il va y avoir un drame. Je suis capable de tout !",
ajoute-t-elle, déplorant que sa fondation de défense des animaux ne puisse pas
faire de contre-expertise des deux éléphantes suspectées de tuberculose par la
préfecture du Rhône.
"J'ai adressé une lettre
par porteur à (François, ndlr) Hollande avant-hier (mercredi, ndlr), avec toute
la documentation pour expliquer comment la fondation prendrait en charge leur
mise en quarantaine, les soins et leur sauvetage. Pas de réponse",
regrette Bardot, expliquant avoir choisi la Russie "par rapport à Poutine".
"Je lui trouve beaucoup
d'humanité. A chaque fois que je lui demande quelque chose, en principe il me
l'accorde. Il a fait plus pour la protection animale que tous nos présidents
successifs. Et puis là-bas, ils n'ont pas l'Aïd-el-Kébir...", souligne la
résidente de Saint-Tropez (Var), qui "programme un voyage en Russie pour
voir Poutine".
Le sort des deux éléphantes du
cirque Pinder suscite une levée de boucliers des défenseurs de la cause animale
depuis la mi-décembre. La Fondation Brigitte Bardot avait demandé à la préfecture
d'ordonner la "saisie" des deux pachydermes pour les lui confier au
lieu de les euthanasier. Un pourvoi vient d'être déposé au Conseil d'Etat par
les avocats du cirque pour demander la suspension de l'euthanasie.
Cette annonce de Brigitte
Bardot, star mondiale du cinéma et de la chanson dans les années 50 et 60,
intervient en pleine polémique sur l'exil fiscal de l'acteur Gérard Depardieu,
qui vient d'obtenir la citoyenneté russe du président Vladimir Poutine.
Brigitte Bardot emboîte donc
le pas à l'acteur, qu'elle n'a jamais rencontré selon sa Fondation, mais
qu'elle a vivement soutenu.
"Je soutiens Gérard
Depardieu, victime d'un acharnement extrêmement injuste, bien qu'il soit un
amateur de corridas, ce qui ne l'empêche pas d'être un acteur
exceptionnel", avait-t-elle déclaré à la mi-décembre.
Le hashtag (mot-clé)
#JeDemandeLaNationalitéRusse est rapidement arrivé en tête des sujets les plus
commentés vendredi après-midi sur Twitter.
"Bravo et chapeau Mme
Bardot", a réagi Gilbert Edelstein, le propriétaire des pachydermes et
directeur du cirque Pinder. "C'est elle qui va les sauver", a-t-il
affirmé à l'AFP. "Si elle sauve mes éléphantes, je veux la rencontrer et
la réconcilier avec les vrais cirques, avec les gens qui aiment les
animaux".
Des ministres français ont
ironisé sur l'annonce de Brigitte Bardot. "Elle pourra demander Gérard Depardieu
en mariage, ce sera formidable!", a lancé le ministre délégué à la
Consommation Benoît Hamon.
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
A farra da Espanha (e de outros!)
Recebi este arquivo,
originalmente, em power point.
Nele constatamos a
irresponsabilidade despesista da Espanha.
Outros países, como Portugal,
também gastaram o que tinham e o que não tinham. Agora, bem, agora, os que
gastaram são contra o ajustamento, contra "pagar as dívidas do caderninho preto". Isto é, continuam com o blá-blá-blá demagogo
e perverso da... "política de investimentos"... e continuam culpando
quem lhes emprestou...
Em Portugal, por escolha do
povo, eles arriscam voltar para praticar, again,
"políticas de crescimento", é mole?!
Coices e relinchos
Nelson Motta
A maneira mais estúpida,
autoritária e desonesta de responder a alguma crítica é tentar desqualificar
quem critica, porque revela a incapacidade de rebatê-la com argumentos e fatos,
ideias e inteligência. A prática dos coices e relinchos verbais serve para
esconder sentimentos de inferioridade e mascarar erros e intenções, mas é uma
das mais populares e nefastas na atual discussão política no Brasil.
A outra é responder acusando o
adversário de já ter feito o mesmo, ou pior, e ter ficado impune. São formas
primitivas e grosseiras de expressão na luta pelo poder, nivelando pela
baixaria, e vai perder tempo quem tentar impor alguma racionalidade e educação
ao debate digital.
Nem nos mais passionais
bate-bocas sobre futebol alguém apela para a desqualificação pessoal, por
inutilidade. Ser conservador ou liberal, gay ou hétero, honesto ou ladrão,
preto ou branco, petista ou tucano, não vai fazer o gol não ser em impedimento,
ser ou não ser pênalti. Numa metáfora de sabor lulístico, a política é que está
virando um Fla-Flu movido pelos instintos mais primitivos.
Na semana passada, Ferreira
Gullar, considerado quase unanimemente o maior poeta vivo do Brasil, publicou na Folha de S. Paulo uma crônica criticando o mito Lula com dureza e
argumentos, mas sem ofensas nem mentiras. Reproduzida em um "site
progressista", com o habitual patrocínio estatal, a crônica foi escoiceada
pela militância digital.
Ler os cento e poucos
comentários, a maioria das mesmas pessoas, escondidas sob nomes diferentes,
exigiria uma máscara contra gases e adicional de insalubridade, mas uma pequena
parte basta para revelar o todo. Acusavam Gullar, ex-comunista, de ter se
vendido, porque alguém só pode mudar de ideia se levar dinheiro, relinchavam
sobre a sua idade, sua saúde, sua virilidade, sua aparência, sua inteligência,
e até a sua poesia. E ninguém respondia a um só de seus argumentos.
Mas quem os lê? Só eles mesmos
e seus companheiros de seita. E eu, em missão de pesquisa antropológica.
Coitados, esses pobres diabos vão morrer sem ter lido um só verso de Gullar,
sem saber o que perderam.
Me engana que eu gosto
Ferreira Gullar
Muitos de vocês, como eu
também, hão de se perguntar por que, depois de tantos escândalos envolvendo os
dois governos petistas, a popularidade de Dilma e Lula se mantém alta e o PT
cresceu nas últimas eleições municipais. Seria muita pretensão dizer que sei a
resposta a essa pergunta. Não sei, mas, porque me pergunto, tento respondê-la
ou, pelo menos, examinar os diversos fatores que influem nela.
Assim, a primeira coisa a
fazer é levar em conta as particularidades do eleitorado do país e o momento
histórico em que vivemos. Sem pretender aprofundar-me na matéria, diria que um
dos traços marcantes do nosso eleitorado é ser constituído, em grande parte,
por pessoas de poucas posses e trabalhadores de baixos salários, sem falar nos
que passam fome.
Isso o distingue, por exemplo,
do eleitorado europeu, e se reflete consequentemente no conteúdo das campanhas
eleitorais e no resultado das urnas. Lá, o neopopulismo latino-americano não
tem vez. Hugo Chávez e Lula nem pensar.
Historicamente, o neopopulismo
é resultante da deterioração do esquerdismo revolucionário que teve seu auge na
primeira metade do século 20 e, na América Latina, culminaria com a Revolução
Cubana. A queda do Muro de Berlim e o fim da União Soviética deixaram, como
herança residual, a exploração da desigualdade social, já não como conflito
entre o operariado e a burguesia, mas, sim, entre pobres e ricos. O PT é
exemplo disso: nasceu prometendo fazer no Brasil uma revolução equivalente à de
Fidel em Cuba e terminou como partido da Bolsa Família e da aliança com Maluf e
com os evangélicos.
Esses são fatos indiscutíveis,
que tampouco Lula tentou ocultar: sua aliança com os evangélicos é pública e
notória, pois chegou a nomear um integrante da seita do bispo Macedo para um de
seus ministérios. A aliança com Paulo Maluf foi difundida pela televisão para
todo o país. Mas nada disso alterou o prestígio eleitoral de Lula, tanto que
Haddad foi eleito prefeito da cidade de São Paulo folgadamente.
O pintam
João César das Neves
Há muitos anos que Portugal
não começa um ano debaixo de tanto pessimismo. É consensual que o Governo está
povoado por incompetentes, criminosos ou pior. A Economia aproxima-se do abismo
ou já lá terá caído, conforme as opiniões. Não existem dúvidas que o Estado
Social está defunto e aproxima-se o colapso, que devia ter acontecido em 2012,
mas que foi adiado.
As previsões são tão más que
dá vontade de hibernar doze meses e passar já a 2014. De facto, 2013 será um
dos melhores anos dos últimos, precisamente por causa destas antevisões
catastrofistas. Por muito mal que as coisas se passem, têm de ser muito
melhores que as conjecturas. O sofrimento, que é sem dúvida terrível, parece
ter deflagrado um campeonato de queixas, onde os participantes produzem cenários
negros à desgarrada, procurando dizer ainda pior que o anterior.
Com o Orçamento para 2013
parece ter-se chegado aos limites, excitando os últimos dotes bombásticos dos
comentadores. Já não se consegue dizer muito pior. Em qualquer caso, é já evidente que a
realidade, por mais que se esforce, nunca poderá conseguir atingir as
profundezas antevistas. Pelo contrário, qualquer evolução menos má constituirá
uma boa notícia.
O rating da República caiu tão baixo que já só pode subir. O
investimento é tão pequeno que as evoluções recentes representam aumentos. Os
pessimistas exageraram tanto que já só conseguem fazer com que a triste
realidade brilhe em comparação. Estamos como a piada que garante que o pior de
tudo é o «pintam», porque nem o diabo é tão mau como o pintam.
Título e Texto: João César das Neves, Destak, 04-01-2013
Um país de sem-vergonhas
Humberto de Luna Filho
![]() |
| José Genoíno, foto: Valter Campanato/Agência Brasil |
O Brasil transformou-se em um
país de sem-vergonhas, de gente sem caráter, sem pudor e sem um mínimo de
respeito ao cidadão de bem. Ontem assisti pela Internet um espetáculo
deprimente ocorrido em um dos três poderes da República. Um marginal
condenado pela suprema corte do país tomando posse, imaginem, como legislador.
Legislador do quê? Da bandidagem? E mais, arrogante e ameaçador com os
jornalistas que trabalhavam, cumprindo o seu dever profissional e direito
constitucional de informar. O bandidão estava cheio de coragem. Aquela coragem
que lhe faltou no Araguaia, onde foi preso sem a menor reação e, antes de levar
o primeiro tapa no escutador de novelas, delatou todos os companheiros. É bem
verdade que a Justiça brasileira permite tais aberrações, pois no processo no
qual foi condenado pela suprema corte do país ainda cabe recurso ao réu. Porém,
por caráter, princípios morais e em respeito à sociedade, o recém-empossado não
deveria ter comparecido a essa cerimônia promovida pelo podre e desmoralizado
poder Legislativo. Vou além, em um país sério o novo "nobre"
parlamentar dessa triste república teria saído do tribunal, após a condenação,
algemado e estaria atrás das grades, esperando o resultado de um possível
recurso favorável impetrado por seus advogados. Mas, nessa republiqueta
bananal, foi transformado em um legislador. Pergunto: o que podemos esperar de
um país que não tem o menor respeito pelo cidadão, pela civilidade e pelos
princípios éticos e morais? No Brasil de hoje, ser mentiroso, ladrão e mau-caráter
é virtude; que o diga o chefe dos chefes. Um bêbado desqualificado que
transformou o Palácio do Planalto em balcão de negócio e o avião presidencial
em motel.
Título e Texto: Humberto de Luna Freire Filho, médico e
CIDADÃO brasileiro sem medo de CORRUPTOS, 04-01-2013
França: a imagem de Hollande vai mal! Entra o assessor de imagem...
François Hollande solicitou o
conselho do antigo jornalista Claude Sérillon sobre como remodelar sua imagem.
Dois peritos em comunicações propuseram três soluções para reconquistar o
coração dos franceses:
1) vigiar sua linguagem (por
exemplo, jamais dizer "eu creio");
2) cuidar de sua atitude
corporal (por exemplo, fazendo atenção à preparação física e bebendo água em
lugar de álcool);
3) atentar para sua roupa (por
exemplo, evitar o nó de gravata simples e a aparência negligenciada).
A história que interessa
José Carlos Bolognese
Cada um tem o direito à
própria história e ao seu controle, se possível. Quando esse controle é feito
por terceiros, não se tem uma história, mas a versão de quem conta. Nesses
últimos seis, quase sete anos, apesar de esforços individuais, a história dos variguianos,
como vem sendo contada, é feita segundo um modelo que não deixa dúvidas quanto
à culpa pela degradação da vida desses trabalhadores. Eles próprios seriam os
responsáveis por estarem sofrendo o desemprego, a perda dos direitos
trabalhistas e o calote nas pensões dos aposentados. Alvo de suas escolhas
equivocadas, os ex-trabalhadores e aposentados da Varig estariam – numa
estranha demonstração de que no Brasil a justiça funciona – pagando até por
antecipação, antes mesmo de sentença “transitada em julgado”, como se diz em
juridiquês, haja vista esses quase sete anos de penúria, num caso em que nem se
considera a “progressão de pena”, benefício que contempla vários tipos de
crimes – corrupção, sem dúvida – e outros onde o senso comum recomenda que se
tranque o criminoso e se jogue fora a chave.
Absurda assim, esta é a
história que se conta sobre nós cada vez que a “União”, através de seus
vigilantes do peso das arcas do tesouro nacional expedem liminares descumprindo
decisão judicial (não sei como conseguem, mas no Brasil pode) impedindo-nos de
sair dessa história de horror que já se aproxima do sétimo ano.
Vivemos numa época em que,
dependendo de quem conta, as versões valem mais do que os fatos, pois contar
uma história que se pretende verídica sobre seja lá o que for, é um exercício
de poder. Com uma imprensa que cada vez mais vocaliza em vez de questionar as
falas e atitudes do estado, não sobra poder do lado mais fraco para contar sua
história, ainda que inacreditável, mas verdadeira, como a que se passa com os
variguianos.
Avião da TAP penhorado no Brasil
OJE/Lusa
A Justiça brasileira
determinou a penhora de uma aeronave da TAP como garantia do pagamento de
dívidas a trabalhadores num processo movido contra o Estado português por uma
funcionária da embaixada portuguesa em Brasília.
A ordem, expedida no dia 19 de
dezembro pelo juiz Luiz Fausto Marinho de Medeiros, do Tribunal Regional do
Trabalho de Brasília, determina a penhora da aeronave Airbus 330-200 da
companhia aérea TAP, "cuja totalidade do poder acionário detém o Governo
português".
Entretanto, a TAP afirmou
desconhecer a decisão judicial brasileira que decretou a penhora, disse hoje à
Lusa o porta-voz da empresa, adiantando não acreditar que a medida se
concretize.
De acordo com o porta-voz da
TAP, António Monteiro, a companhia estava alertada sobre o processo, mas apenas
pela comunicação social, e desconhecia que já havia uma decisão judicial
confirmada por um tribunal no Brasil desde 19 de dezembro.
António Monteiro admite que
seria "péssimo para a imagem da TAP" que esta decisão judicial se
efetivasse", mas disse também que "não passa pela cabeça de ninguém
que seja concretizada", até porque a penalização de uma companhia aérea
num processo no qual não tem responsabilidades "não é decidida de ânimo
leve".
O processo, aberto em 2010, já
chegou ao fim, com ganho de causa para a funcionária brasileira, que deverá
receber o valor de 750 mil reais (280 mil euros) em avenças e benefícios
atrasados, disse à Lusa o advogado responsável pela ação, Renato Rezende.
Na fase da execução da ordem
de pagamento, no entanto, surgiu a dificuldade criada pela imunidade
diplomática, uma vez que os bens, imóveis e conta bancária da missão
diplomática portuguesa no exterior estão protegidos pela Convenção de Viena.
Berlin prépare de nouvelles mesures d'austérité
Le Monde
Le gouvernement allemand prévoit de cinq à six
nouveaux milliards d'euros de baisse des dépenses publiques, afin d'équilibrer
son budget pour 2014, affirme vendredi 4 janvier le journal Rheinische Post,
citant des sources internes au ministère des finances. Le quotidien précise que
les baisses prévues par Wolfgang Schäuble, le ministre des finances, devraient concerner
tous les ministères, ainsi que le système de santé.
"Si nous voulons obtenir un budget équilibré
sur un plan structurel en 2014, nous devrons combler un vide de cinq milliards
d'euros", a reconnu
Michael Meister, chef adjoint du groupe parlementaire de l'Union
chrétienne-démocrate (CDU) de la chancelière Angela Merkel, cité par le Rheinische Post. "Cela se fera seulement à l'aide de coupes budgétaires",
a-t-il précisé, excluant des hausses d'impôts.
Le ministère des finances a démenti le mois
dernier des allégations du magazine Der Spiegel, selon lesquelles
Wolfgang Schäuble prévoyait de baisser les dépenses publiques et d'augmenter la
TVA. L'opposition sociale-démocrate du SPD accuse Wolfgang Schäuble de garder
le silence sur de nouvelles mesures d'austérité, afin d'éviter à la CDU de perdre
une élection régionale prévue le 20 janvier dans le Land de Basse-Saxe.
Angela Merkel est candidate à un troisième mandat
à l'issue des prochaines élections législatives, prévues en septembre, et dont
l'issue paraît incertaine en raison des différents jeux d'alliance entre
partis. Lors de ses vœux, elle a préparé les Allemands à une année difficile.
Le Monde, le 04.01.2013 à 09h24
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
Gol contra
Arnaldo Niskier
Tínhamos tudo para caminhar
serenamente, em nosso país, na implantação do Acordo Ortográfico de Unificação
da Língua Portuguesa. Ele foi aceito por todas as camadas da nossa população,
mas no último minuto, quando o jogo parecia ganho, o governo fez um gol contra,
adiando o início para 2016, de forma incompreensível para os brasileiros.
Embora parecesse pacífica a implementação do Acordo Ortográfico de Unificação da Língua Portuguesa, na sua versão de 1990, a comunidade lusófona reagiu de maneira diferente. O Brasil aderiu com entusiasmo a essa ideia desimplificação. A partir de 2013 todos os seus instrumentos de comunicação, como jornais, revistas, livros e emissoras de rádio e televisão obedecerão aos ditames do Acordo, sacramentado pelo ex-presidente Lula, em 2008, numa simpática cerimônia, simbolicamente realizada na sede da Academia Brasileira de Letras.
Embora parecesse pacífica a implementação do Acordo Ortográfico de Unificação da Língua Portuguesa, na sua versão de 1990, a comunidade lusófona reagiu de maneira diferente. O Brasil aderiu com entusiasmo a essa ideia desimplificação. A partir de 2013 todos os seus instrumentos de comunicação, como jornais, revistas, livros e emissoras de rádio e televisão obedecerão aos ditames do Acordo, sacramentado pelo ex-presidente Lula, em 2008, numa simpática cerimônia, simbolicamente realizada na sede da Academia Brasileira de Letras.
O mesmo, infelizmente, não
está ocorrendo em Portugal e nas nações luso-africanas. Há fortes reações, com
argumentos inaceitáveis: o Brasil estaria exercendo uma forma de
neocolonialismo, querendo impor a sua vontade cultural. Alguns jornais
portugueses, como Correio da Manhã, Jornal de Notícias, Público, i, Diário
Econômico e Jornal de Negócios, além da revista Sábado, desrespeitam o Acordo e
agem como se estivessem com a corda no pescoço. Não existe o consenso social
mínimo em torno do assunto.
Um bom número de intelectuais
protesta contra o que eles classificam como “empobrecimento da língua portuguesa”.
A Faculdade de Letras de Lisboa está na linha do que se pode classificar como
desacordo. O jornal Público anuncia com entusiasmo que o governo brasileiro
estaria para dar uma volta e conceder um prazo de mais seis anos para tornar
obrigatórios todos os postulados. Não é o que se espera. Livros, jornais e
revistas circulam de acordo com as novas regras, com a expectativa de que assim
será possível sonhar com a oficialização do nosso idioma na Organização das
Nações Unidas, uma velha reivindicação estratégica, que se liga ao pedido para
que tenhamos assento permanente no Conselho de Segurança da entidade.
Ser poeta
Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
Florbela Espanca
Colaboração: Fatima Lopes
Juros a dez anos caem abaixo dos 6,4%
Evolução dos indicadores de custo de financiamento do Estado português
sustenta a possibilidade
de Portugal regressar mais plenamente aos mercados ao longo deste ano.
As taxas de juro (“yields”)
associadas aos títulos de dívida pública portuguesa a dez anos recuaram 16,7
pontos base e desceram sucessivamente ao longo da sessão desta quinta-feira
abaixo de 6,5% e 6,4%, para se fixarem, a meio da tarde, em 6,392%, segundo os
dados compilados pela agência Bloomberg.
Trata-se do valor mais baixo desde meados de Dezembro de
2010. Há um ano, os “juros” no mercado secundário de dívida estavam
acima de 17%.
No cenário-base do Fundo Monetário Internacional (FMI)
Portugal conseguirá dispensar nova ajuda externa e financiar-se integralmente
através dos mercados a partir de meados de 2013 se as taxas de “financiamento
rondarem os 7%, assumindo que cairão gradualmente para 5% nos quatro anos
seguintes e permanecerão estáveis nos anos subsequentes”.
No Orçamento do Estado para
2013 não está prevista a emissão de dívida de longo prazo. A emissão adicional
de bilhetes do Tesouro deverá, no cenário mais conservador, acomodar o novo
défice e garantir os reembolsos de dívida do próximo ano. Sobretudo as
obrigações a pagar em Setembro, cujo montante caiu para quase metade com a
operação de troca realizada em Outubro.
A curva de rendibilidade dos
títulos portugueses tem recuperado progressivamente desde o Verão um perfil
mais “saudável”, oscilando agora entre 3,321% para as obrigações a dois anos e
6,392% para as maturidades de dez anos.
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