domingo, 3 de abril de 2016

Passos, o líder isolado

Carlos Guimarães Pinto

Alguns orgãos de comunicação social e comentadores ligados ao PS têm falado de Passos Coelho como um líder isolado dentro do partido. Um líder prestes a cair e com uma oposição interna forte e consolidada prestes a substituí-lo. O congresso, tanto aquele que passa nas câmeras de televisão como o dos bastidores, conta uma história completamente diferente.

Passos é hoje um líder consensual. Para além dos habituais apelos às bases, as únicas palavras que conseguem sacar aplausos dos delegados do PSD são os elogios a Passos. Aqueles que poderiam, efectivamente, a curto prazo substituir Passos, são mais passistas que o próprio Passos. Paulo Rangel e Aguiar-Branco, que perderam as eleições internas contra Passos, são hoje os seus mais acérrimos defensores.

Mesmo os opositores declarados só conseguiram sacar palmas do congresso quando elogiavam Passos Coelho. Todos, sem excepção, sentiram a necessidade de elogiar Passos no princípio das suas intervenções para garantir que os congressistas se mantinham interessados até ao final. A oposição a Passos é tão inócua que se fica na dúvida se pessoas como José Eduardo Martins não estarão a fazer o mesmo papel que Filipe Anacoreta Correia teve durante a liderança de Portas: identificar a oposição com um líder sem carisma, impedindo assim que uma verdadeira oposição se desenvolva.

Congresso do PSD – Sábado

Vitor Cunha
Muito mais que um acto de puro marketing político, considerei o tempo concedido pelo presidente do PSD – Pedro Passos Coelho – aos convidados como um gesto genuíno de confirmação da mensagem de um homem obstinadamente convicto da sua missão na oposição com os seus críticos pontuais sem o ónus de responsabilidades políticas. Se alguma mensagem nova saiu dessa reunião foi a da confirmação que Passos Coelho conquistou, contra as adversidades de um regime balofo, um rumo a uma estabilidade ténue agora posta em grande perigo com a geringonça: nomeadamente, a mensagem que Passos acredita, genuinamente, ter feito de tripas coração a uma situação minada à partida para uma progressiva transformação do regime político em direcção a uma normalidade que já tarda, isto após 42 anos da revolução que nos trouxe a Constituição de 296 artigos, 16 artigos por distrito.

Santana Lopes, sendo Santana Lopes, sem o excessivo cuidado de um discurso minuciosamente preparado, ilustrou o ridículo de uma eventual fuga de apoio ao líder que, contra todas as expectativas criadas ao longo de 4 longos anos nos média comprometidos com o status quo pachorrento de que “isto é tudo do PS”, ganhou mesmo as eleições.

Toda a diferença é facilmente desmontável. O leitor comprometido e deslumbrado com a desgraça dirá que “ganhou as eleições, mas isso já lá vai”. Porém, não só tal situação seria aceite pacificamente com o PS sem o viés esquerdista dos média – vide, 4 anos a repetir bujardas sobre a rejeição do PEC 4 -, como seria comumente aceite como o discurso oficial, o da reconquista do poder a qualquer custo, a qualquer preço. Pelo contrário, Passos Coelho considera que o governo da geringonça terá que cair sozinho e, esperamos todos, sem estragos demasiado profundos pelo caminho.

Desculpar-me-ão os que esperam que termine isto com um “mas”. Passos Coelho não se apresenta apenas como o melhor que se arranja; é o único, actualmente e nestas circunstâncias, disposto a aguentar com o desgastante discurso oligárquico para impedir, na medida do possível, que a alternativa da geringonça seja uma geringonça à lá grega. E isso não é nada poucochinho.
Título e Texto: Vitor Cunha, Blasfémias, 3-4-2016

Relacionados:

Refus de porter le voile


Charada (207)

Quantas voltas completará
o ponteiro dos minutos
de um relógio
no intervalo de tempo em que
o ponteiro das horas
completar 
duas voltas e meia?

Que horror, vêm aí os turistas!

Paulo Ferreira
Durante décadas, comprámos apartamentos novos na periferia, com boxes para carros e elevadores com memória. Enquanto isso, lamentávamos a falta de gente a viver no centro e a degradação dos edifícios.

O turismo é dos poucos sectores que corre muito bem a Portugal. Mas parece que muita gente não está satisfeita com isso. São uns chatos, os turistas. Não só têm o desplante de vir conhecer o país e deixar cá o seu dinheiro – há décadas eram as famosas “divisas”, que não tínhamos nos cofres para pagar as importações de petróleo – como ainda levam a arrogância ao ponto de serem utilizadores de coisas como tuk-tuks, de gostarem de experimentar a nossa comida em restaurantes e de precisarem de hotéis para dormir.

Perante um grande aumento da procura há pessoas ainda mais estranhas do que os turistas que se lembram de investir e fazer negócios para a satisfazer, criando riqueza e emprego para o país – e para algumas delas também, o que me parece totalmente legítimo quando feito de acordo com as regras e a lei.

Essa gente está a abrir hotéis um pouco por todo o país, sobretudo nas maiores cidades, que atraem mais visitantes, sucedendo-se a abertura de novas unidades e a promessa de outras.

E somos então chegados ao ponto em nos queixamos de uma coisa e do seu contrário. Lamentamos a nossa sorte quando a actividade económica cai ou é anémica, quando o investimento não aparece e quando a criação de emprego é uma miragem. Mas lamentamos igualmente o nosso destino quando alguns sectores mostram uma dinâmica nunca vista, quando se inova, se investe, se cria emprego e se desenvolvem negócios que levam os turistas a gastar mais dinheiro por cá.

Corrupção no seu país


Congresso PSD – primeiro discurso de Passos Coelho

Vitor Cunha

O discurso de Passos Coelho que abriu o congresso versou dois ângulos: o trabalho feito no governo e o futuro. Estava a ouvir o discurso, que foi longo, e antecipei, mal começou, a reacção da generalidade dos média: sobre o passado diriam algo como “o passado já lá vai” e sobre o futuro diriam que Passos está “preso ao passado, que já lá vai”.

De facto, o que se passou, foi que Passos Coelho venceu as eleições. Ele sabe-o e, por muito que se dê palco ao actual governo para propagar a extrema necessidade (“pelo bem do país”) de renovar a liderança da oposição – coadjuvado pela prova de vida que alguns críticos aproveitam para fazer nestas alturas -, Passos assume estar na oposição contra a vontade expressa dos eleitores, num novo paradigma eleitoral que implica a renovação da proposta política desta liderança do PSD, na oposição.

Ao propor uma reforma do sistema eleitoral, assumindo ser esta a altura adequada pela inexistência de eleições legislativas no futuro próximo, demonstra ter assumido, em pleno, o seu papel de líder da oposição, retirando qualquer argumentação sobre compassos tácitos de espera pela destruição, por ferrugem, da geringonça.

De certa forma, apesar do uso do termo “renovação”, ficou claro que o que se espera é uma reafirmação do caminho traçado no governo, o de que nos compete, a nós, portugueses, a tarefa de limpar a casa, não o catastrófico discurso papagueado pelo governo que consiste em esperar que o BCE, a União Europeia ou o Pai Natal façam por nós o que nos compete. Mais que noções vagas sobre esquerda e direita, “social-democracia” ou “neoliberalismo”, a renovação proposta parece ser, exactamente, entre a estratégia que assegura um futuro europeu para Portugal, através de competitividade e reforma real da crescente burocracia castradora e a estratégia do governo, que assegura um futuro para o clientelismo do aparelho de Estado até à próxima explosão que termina sempre com um muito cínico “eu não tenho culpa”.
Título e Texto: Vitor Cunha, Blasfémias, 2-4-2016

Relacionados:

sábado, 2 de abril de 2016

A Luz de Abril

Imagem: www.IEgool.com

José Carlos Bolognese
Tenho uma relação de sentimentos conflitantes, alegres e tristes, com o mês de abril. Sua luz e temperaturas amenas inauguram uma fase gostosa do ano. Nas minhas lembranças da aviação viajando mundo afora, este mês começava com um alívio das temperaturas extremas. Não nasci neste mês, mas coisas importantes na minha vida ocorreram neste espaço de trinta dias. Antes de entrar para a aviação já curtia esta parte do ano que vai até mais ou menos outubro, na maior parte do planeta. Mas foi viajando que descobri que ao contrário dos seres humanos, o clima em lugares distantes e muito diferentes uns dos outros é capaz de ficar suportável por sete meses, sem discrepâncias radicais.

Na manhã de 6 de abril de 1970, meus pés me levaram a um lugar onde minha cabeça jamais sonhara chegar; as instalações da Varig no aeroporto de Congonhas. No dia anterior, um domingo, cumprira a busca na seção de empregos de um grande jornal. Sem saber ao certo o que procurava – só estava claro que não podia viver de brisa – topei com um interessante anúncio da Varig procurando candidatos à função de comissário de bordo. Gostava de aviões, adorava ver Electras e Viscounts voando no céu distante, mas eu, penetrar naquele mundo, era outra história, mais ou menos como viajar a outro planeta. Com 22 anos já tinha trabalhado bastante, mas a aviação jamais iria ser outro emprego para mim. Ia ser – e foi – outra vida.

Esta outra vida começou de fato após a primeira entrevista e a aprovação nos primeiros exames de admissão. Não demorei a descobrir a grande empresa onde ia trabalhar por sua disposição em bancar dispendiosos exames de saúde, apostando de antemão no profissional que precisava formar. Não sei como ficou depois do meu tempo e como é agora quando um jovem se prepara para a adorável profissão que eu tive. Só sei que conheci uma empresa, na época, muito generosa com seus trabalhadores e este é um sentimento que fica para sempre. Quarenta e seis anos depois, ainda me felicito pela nossa mútua escolha: a da Varig e a minha.

Eu MORO com ele

Paulo Angelim
Rosangela Moro, esposa do mais querido e aplaudido juiz federal do Brasil, tomou uma decisão corajosa. Criou uma página no Facebook para compartilhar as várias mensagens e manifestações de apoio e agradecimento que chegam a ele, de todo o Brasil.


Meu convite é que façamos desta a página mais concorrida, curtida e compartilhada, numa demonstração clara do quanto o Brasil apoia seus verdadeiros heróis, aqueles que com retidão estão devolvendo a esperança e dignidade ao povo brasileiro.

E que um dia, depois de sua missão cumprida na Lava Jato, o Juiz possa alçar voos maiores em sua cruzada contra a corrupção, imoralidade e indecência neste nosso Brasil.
Título e Texto: Paulo Angelim, 1-4-2016

Rosangela Moro, fez uma pequena correção: 
“Só uma pequena correção: a página é de agradecimento pelas manifestações recebidas em cartas, emails, etc.”

Congresso PSD – Objectivos

Vitor Cunha
Hoje, amanhã e Domingo, estarei no congresso do PSD como convidado blogger. Como blogger, vejo a minha função não como de relatar os acontecimentos e sim como olho independente interessado em descobrir a correlação entre os acontecimentos do congresso e o que é reportado pelos média convencionais.

A julgar pelas notícias desta manhã, os jornais parecem decididos em mostrar que, além do PS, também uma parte substancial do PSD está interessada na rápida substituição de Passos Coelho por um cordeirinho mais simpático para permitir latitude à geringonça. Partindo da dúvida oriunda da visível agenda mediática, quero ver se é mesmo assim. 
Título e Texto: Vitor Cunha, Blasfémias, 1-4-2016

[Quero andar a pé! Posso?] Na Quinta da Piedade não há Piedade pelos peões


Título e Imagem: Passeio Livre, 1-4-2016

Uma defensora de Dona Dilma

João Roberto Gullino
Os defensores do governo Dilma, semelhantes aos diálogos gravados de Lula, refletem bem a “democracia socialista” que propagam e que o povo teleguiado deveria tomar conhecimento, tal o desprezo que dão a todos.


A deputada do PCdoB, Jandira Feghali [foto] - comenta-se na internet – fechou sua empresa sem pagar os fornecedores e pior, também os empregados. E agora tem a desfaçatez de agredir o jurista Miguel Reale Jr., em pleno Congresso, “ como sendo um velho gagá e indagando quando iria se aposentar e dar sossego ao governo”.

 Apesar de possuir foro privilegiado, o jurista deveria processá-la, inclusive exigindo da justiça que a obrigasse a lavar a boca com detergente e desinfetante, como seus demais companheiros do PT e do PCdoB.

Como disse certa atriz do cinema mudo, Mae West, ao nascer, sua mãe deve tê-la jogado fora e criado somente a placenta, pois não deve respeitar nem os próprios pais. 
Título e Texto: João Roberto Gullino, 01-04-2016

'Le Monde' desmascara discurso golpista de Dilma

Luciano Henrique

No Brasil, há alguns (não tantos quanto antes) trouxas que ainda caem na esparrela petista de que “impeachment é golpe”. Lá na França, o jornal Le Monde não caiu na conversa e ainda sugeriu que Dilma deveria renunciar:

Um editorial publicado pelo jornal francês “Le Monde” rejeita a tese de que o possível impeachment da presidente Dilma Rousseff seria equivalente a um golpe de Estado. O jornal critica a postura defensiva do governo, lembra de outros momentos em que se discutiu impeachment no Brasil e apontou que o processo pode ocorrer de forma legal.

O texto foi publicado com o título em francês “Ceci n’est pas un coup d’Etat” (Isso não é um golpe de Estado). Ele questiona a posição do governo e defende que “a destituição de um chefe de Estado é prevista e regulamentada pela Constituição brasileira”. O editorial ganhou ampla repercussão, e teve trechos publicados também pela Radio França Internacional.

O “Monde” diz que o governo deveria escolher melhor os termos usados para se defender em meio à crise política do país, sem tentar desqualificar o posicionamento da oposição. Apesar de tratar de impeachment como procedimento legal, o editorial segue a postura adotada pela revista “The Economist”, e defende a renúncia da presidente como melhor caminho para o fim da crise no país. “O impeachment não é a melhor solução para o impasse. A renúncia da chefe de Estado, que perdeu a maioria parlamentar, seria menos complicada”, diz.

Quem sabe Dilma e sua escória não passa a dizer que “o Le Monde é golpista e diz isso por não querer ver pobre viajando de avião”.
Via Luciano Henrique, Ceticismo Político, 31.3-2016

[Quero andar a pé! Posso?] Em Oeiras, estacionar no passeio à profissional

Em Oeiras, os passeios servem para estacionar, com o alto patrocínio da CM Oeiras. Assim, até os "condutores profissionais" (assim os chamam), ocupam os passeios com os seus veículos.




Os CTT, empresa que afirma ter uma "vocação de sustentabilidade – vertentes social e ambiental" devem ter sido contagiados por este profissionalismo oeirense de estacionar no passeio. O número de telefone está lá, para quem tiver paciência para ligar...
Título, Imagens e Texto: Passeio Livre, 31-3-2016

O novo ministro das Relações Exteriores

Cesar Maia     
1. A hipótese do impeachment de Dilma é cada dia mais concreta. A crise econômica profunda se mostra em todas as latitudes com a queda do PIB que passa a ser depressão, taxa de desemprego recorde, quebra de milhares de empresas, taxas de juros extravagantes, perda do grau de investimento por todas as agências de risco, a indústria definhando, inflação roçando os dois dígitos, Estados quebrados...
     
2. É natural que os debates, as análises, as colunas, as entrevistas, e o noticiário se concentrem na questão econômica. E especulem sobre medidas a serem adotadas pelo novo governo e nomes para o Ministério da Fazenda e Banco Central. Claro que tudo isso é muito importante.
     
3. Mas há um elemento consensual que precisa ser devidamente equacionado: a taxa de confiança, a credibilidade no novo governo. Afirma-se que só a saída de Dilma e sua substituição por Temer vai gerar uma reversão de expectativas. No prazo imediato é verdade. Os mais experientes sugerem que o novo presidente se afaste da ilusão de um plano de governo. O fundamental é aprovar de imediato 2 ou 3 medidas de forte impacto que sinalizem a nova dinâmica fiscal e econômica.
     
4. Mas a questão de fundo da taxa de confiança não estará resolvida, pois nem o presidente, nem o nome do ministro da fazenda são suficientes, embora necessários. O presidente terá uma semana para ir ao Congresso e propor duas ou três medidas. Um bom início.
     
5. Mas o ponto-chave da taxa de confiança no caso brasileiro é a expectativa de governos, e investidores externos sobre a sustentabilidade do que disser o governo. A desintegração mais profunda da credibilidade do atual governo se deu no setor externo. O desmanche da imagem do Brasil ocorreu com velocidade surpreendente, estimulado pela coreografia externa do governo se abraçando com os populismos mais coloridos bolivarianos, africanos e no médio oriente.
     
6. A prioridade maior no momento do impedimento de Dilma é a escolha do Novo Ministro das Relações Exteriores. Esse deve ter um currículo carregado de conhecimento e experiência na diplomacia presidencial, geopolítica internacional, na diplomacia econômica…
     
7. Desde a América do Sul, desentravando o Mercosul na direção da União Europeia, afirmando uma coordenação com a Aliança do Pacífico, estabelecendo um diálogo sério e prático com os EUA, reinserindo-se na ONU como uma potência ocidental e cristã, que é, voltando a ter uma voz de prudência nos conflitos de média intensidade, sem tergiversar sobre o terrorismo, afirmando a segurança jurídica internacional…

Charada (206)

Helena prometeu ao seu médico que não comeria
mais chocolates depois de consumir os que
ainda tinha em casa. Ora, como ela tinha
27 tabletes de chocolate e costumava comer,
diariamente, 2/3 de cada tablete, percebeu
que podia formar novas tabletes com
os restos das anteriores.
Então, durante quantos dias comeu
ela chocolates até cumprir a promessa 
que fez ao seu médico?

Comandante da Força Nacional se demite e diz que governo e presidente não têm escrúpulos

Luciano Henrique



Após pedir demissão, o coronel Adilson Moreira, comandante da Força Nacional de Segurança, mandou um e-mail aos subordinados. Ali, explicou que conflitos éticos foram a razão de sua saída. Disse que o governo não tinha escrúpulos, incluindo em sua crítica a presidente Dilma. Leia a íntegra do texto:

“Caros TCs da FN,
Desejo lhes informar, que na data do dia 21Mar16, após reunião com a secretária e seu chefe de gabinete, solicitei a ela que me exonerasse do cargo no prazo máximo de 15 dias.Como os senhores depositaram suas confianças em mim, solicitando minha permanência, nada mais justo do que lhes informar a minha decisão de não mais permanecer na FN.Caríssimos, a única motivação que me prendia na FN era o desejo de não produzir nenhuma “solução de continuidade dos trabalhos”, sendo um facilitador das suas aspirações e assim mantive meu compromisso.

Fui a Santa Catarina em meados/fim de janeiro e solicitei a minha família a autorização para permanecer na FN até o fim dos Jogos Olímpicos e os convenci disso. Também informei ao meu amigo Nazareno de tal intenção, pois foi ele quem me trouxe para cá.

Somente aí aceitei o convite da secretária. No entanto, faço registrar, que o “conflito ético” de servir a um governo federal com tamanha complexidade política sempre me inquietou.

Agora em março não foi mais possível manter o foco na área técnica somente.Minha família exigiu minha saída, pois não precisa ser muito inteligente para saber que estamos sendo conduzidos por um grupo sem escrúpulos, incluindo aí a presidente da República. Me sinto cada vez mais envergonhado. O que antes eram rumores, se concretizaram.

Àquela parte

Rui A.

As boas almas – e Portugal está cheio delas – contorcem-se com o destino do PSD liderado por Pedro Passos Coelho.

Não há opinador que não garanta que Passos está a prazo, e o partido condenado à desgraça enquanto ele por lá andar. Rui Rio, a mais ilustre promessa da política portuguesa desde D. Sebastião no dia seguinte a Alcácer-Quibir, garantiu hoje à nação que só não irá ao congresso do seu partido por excesso de virtude e humildade, certo e seguro de que seria o centro das atenções dessa gloriosa epopeia social-democrata. Ele aposta, como faz desde que nasceu para a política, que, tal como Maomé, se ele não for ter com o PSD, o PSD irá ter inevitavelmente com ele.

Mas, afinal de contas, qual foi a desgraça de Passos que o encheu de sarna e, ao partido, de lepra? Fez disparates irredimíveis enquanto governou? Recebeu um país rico e entregou-o falido? Não deu o peito às balas, quando o país precisava dele, e refugiou-se nalguma sinecura do regime ou de Bruxelas? Perdeu, absurdamente, as eleições a que se candidatou?

Mistério! Para o resolver, talvez fosse interessante olhar aqui para o lado, para a vizinha Espanha, para o partido homólogo do PSD, o Partido Popular, e para o seu líder, Mariano Rajoy. Pois bem, Rajoy preside ao PP desde 2004. Só ganhou eleições em 2011. Nesse breve entretanto, de mais de sete anos, em que perdeu eleições, o PP soube aguardar. Não consta que tenha aparecido por lá nenhum Sebastião nortenho com ganas de o substituir. Levou o PP ao governo em 2011 e ganhou as eleições de 2015, mas também perdeu, por enquanto, o governo.

Por estas e outras razões, deste humilde cantinho, deixo uma sugestão a Passos Coelho, em relação aos seus coveiros: levante a cabeça e mande-os à merda. 
Título, Imagem e Texto: Rui A., Blasfémias, 30-3-2016

Uma manobra de Heimlich para a liberdade de expressão

Maria João Marques
Liberdade é assim: os opositores políticos do Bloco podem ser insultados, mas, se as meninas frágeis do BE são gozadas, há que usar meios governamentais e judiciais para punir quem teve a ousadia.

Ainda bem que vivemos na livre Europa, carregadinhos de liberdades individuais suportadas pelo capítulo dos direitos, liberdades e garantias da nossa constituição e das suas primas europeias. Um conjunto de liberdades tão arreigadas que resistem ainda e sempre ao invasor, não é?

Pois: não é. A liberdade de expressão, por exemplo, anda pelo menos engripada. Na versão de gripe masculina, em que a falta de estrogénio leva os valorosos membros do clube masculino, no mínimo, à experiência de morte clínica e de atracão pela famosa luz branca. Vejamos exemplos.

Um veio de Inglaterra, terra de gente temporariamente desorientada com o Brexit, onde um pobre homem foi preso – mesmo: polícia, grades, tudo o que a experiência dá direito – por tuitar que pediu satisfações (tanto quanto se sabe, pacificamente) a uma mulher muçulmana, que encontrou nas ruas britânicas, pelos atentados de Bruxelas. Perante isto, houve quem se portasse com juízo: a senhora muçulmana mandou o pobre homem passear e o twitter ridicularizou o tuite e o autor. Mas a justiça de sua majestade – aquela que preferiu ignorar durante anos que incontáveis raparigas eram sexualmente abusadas por um grupo de paquistaneses a afrontar os ditos rebentos do antigo Raj – esteve felizmente à altura do desafio colocado por tão virulento tuite. O autor foi preso e acusado de incitar ao ódio racial nas redes sociais.

Presumo, com toda a boa-fé, que não vai haver dualidade de critérios no que toca à liberdade de expressão de jovenzinhos excitáveis muçulmanos que morem na Grã-Bretanha quando se regozijarem por atentados ou defenderem que uma mulher que não se tape e que se maquilhe merece sopapos ou o que for necessário para defender a ‘honra’ da família assim tão ofendida. Dada a gravidade relativa dos vários incitamentos, fico a aguardar pelo menos espancamentos públicos para estes últimos casos.

Golpe de Estado no Brasil

Rui A.
Segundo a líder do Bloco de Esquerda, está em curso um «golpe de estado» no Brasil. A acusação é grave e deve ser ponderada, com apreensão.

Ora, o que se está a passar nesse país? Duas coisas, a saber:

A primeira, o apuramento de eventuais responsabilidades criminais da «presidenta» no processo Lava-Jato, que é relativo à corrupção na Petrobrás. Este processo está a ser desencadeado pelas autoridades previstas na Constituição Federal, sob a fiscalização e tutela do Supremo Tribunal Federal, sem qualquer atropelo às formalidades e exigências legais previstas. Não poderá ser nisto que Catarina Martins [foto] estava a pensar.



Por conseguinte, a deputada deveria querer referir-se às jogadas que têm ocorrido no Congresso brasileiro, com as manobras na base dos partidos que formam a coligação governamental, a última das quais ontem ocorrida com o abandono do PMDB do governo. Por aqui, se o governo brasileiro perder maioria nas câmaras parlamentares poderá cair e a «presidenta» será provavelmente substituída pelo seu actual vice-presidente, Michel Temer. Deve ser exactamente a isto que a deputada se queria referir.

Reformismo de Passos Coelho versus reformismo de Costa

João Miranda

Reformas de Passos Coelho:
·         Eliminar golden shares e privatizar empresas públicas
·         Liberalizar as rendas antigas

·         Reduzir indemnizações e outras restrições do mercado laboral
·     Reduzir custos do trabalho (via redução da TSU em certos casos, redução de feriados e de férias)

·         Liberalizar actividades relacionadas com o turismo incluindo alojamento local
·         Acabar com os horários zero no ensino público

·         Implementar mecanismos de mobilidade na administração pública
·         Tornar a ADSE num seguro pago pelos beneficiários

·   Redução dos benefícios sociais para os tornar adequados à contribuições e ao dinheiro disponível
·         Reduzir o IRC para tornar o país atractivo para investimento estrangeiro

·         Concessionar a privados os transportes urbanos, reduzindo custos e efeitos das greves.

Reformas propostas por António Costa (PDF):
·         Gastar mais dinheiro em educação
·       Gastar dinheiro em vários esquemas de fomento de empreendedorismo e apoio a empresas
·         Reduzir a precariedade laboral … no sector público

·         Gastar mais dinheiro nos transportes urbanos e em vários programas para as cidades
·         Subsídios à reabilitação urbana

·       Simplex (contrariando todas as outras medidas que envolvem microgestão da sociedade e da economia)
·         Duplicar o peso da economia do mar no PIB

·         Capitalizar as empresas com vários esquemas de subsídios (depois de ter travado a descida do IRC) e leis especiais.
·         Aumentar o complemento solidário para idosos e outras prestações sociais

Título e Texto: João Miranda, Blasfémias, 30-3-2016

Rodrigo Constantino: “Por que tanto ódio?”

Luciano Henrique


Poucas pessoas da direita entendem o poder do logro na hora da guerra de frames. Muitas vezes um esquerdista diz que o adversário “é cheio de ódio”. Daí lá vai ele escrever linhas e mais linhas expondo a contradição do esquerdista, em comparação com o que ele prega de fato. Tecnicamente, isto é bom, mas é pouco.

Na verdade dizer que o oponente “tem discurso de ódio” é um ataque por si só. É um frame e nada mais. Não é algo a merecer uma elaboração muito séria, mas para ser aplicado em quantidade. O baixo número de vezes em que definimos o discurso de nosso oponente como “ódio” requer reflexão. Precisamos multiplicar isso em várias e várias dezenas.

Neste sentido o texto “Por que tanto ódio?”, de Rodrigo Constantino, cumpre um belo papel.

O PT e a “gangue do pixuleco” estão dispostos a “fazer o diabo” para não largar o osso, para manter suas benesses estatais. É atitude de perdedor deselegante, de quadrilha, de máfia. Mas, em meio a essa iminente e inevitável debacle, há um fenômeno interessante: caíram as máscaras de “paz e amor” dessa gente. O que se vê é a feiura da carranca em sua essência, sem a maquiagem de marqueteiros corruptos.

Sério, gostaria de perguntar a esses que ainda defendem o PT o motivo para tanto ódio. Por que odeiam tanto a democracia, por exemplo, a vontade popular expressa nos milhões de patriotas que foram às ruas de forma espontânea demandar o fim desse desgoverno incompetente e corrupto? Por que odeiam tanto a classe média trabalhadora, que sustenta este país? Por que a baba de ódio ao acusarem de “fascistas” todos os que discordam do socialismo, sendo que está claro quem realmente adota postura fascista nessa história? Por que um Guilherme Boulos da vida, do MTST, fala em “incendiar o país” com tanto ódio irresponsável? Por que o presidente da CUT, Vagner Freitas, incita tanto a violência e faz ameaças absurdas?

Charada (205)


Durante as minhas férias,
eu e um amigo decidimos
jogar uma partida de xadrez por dia,
devendo, em cada partida,
o vencedor receber um euro do perdedor.
Quando, no último dia de férias,
fizemos as contas, concluímos:

a) Eu ganhei mais do que ele.
b) O meu amigo deu-me 9 euros.
c) Ele venceu 13 partidas.

Assim,
quantos dias 
duraram as férias?