Carlos Guimarães Pinto
Alguns orgãos de comunicação
social e comentadores ligados ao PS têm falado de Passos Coelho como um líder
isolado dentro do partido. Um líder prestes a cair e com uma oposição interna
forte e consolidada prestes a substituí-lo. O congresso, tanto aquele que passa
nas câmeras de televisão como o dos bastidores, conta uma história
completamente diferente.
Passos é hoje um líder
consensual. Para além dos habituais apelos às bases, as únicas palavras que
conseguem sacar aplausos dos delegados do PSD são os elogios a Passos. Aqueles
que poderiam, efectivamente, a curto prazo substituir Passos, são mais
passistas que o próprio Passos. Paulo Rangel e Aguiar-Branco, que perderam as
eleições internas contra Passos, são hoje os seus mais acérrimos defensores.
Mesmo os opositores declarados
só conseguiram sacar palmas do congresso quando elogiavam Passos Coelho. Todos,
sem excepção, sentiram a necessidade de elogiar Passos no princípio das suas
intervenções para garantir que os congressistas se mantinham interessados até
ao final. A oposição a Passos é tão inócua que se fica na dúvida se pessoas
como José Eduardo Martins não estarão a fazer o mesmo papel que Filipe
Anacoreta Correia teve durante a liderança de Portas: identificar a oposição
com um líder sem carisma, impedindo assim que uma verdadeira oposição se
desenvolva.

















