domingo, 3 de abril de 2016

Congresso PSD – primeiro discurso de Passos Coelho

Vitor Cunha

O discurso de Passos Coelho que abriu o congresso versou dois ângulos: o trabalho feito no governo e o futuro. Estava a ouvir o discurso, que foi longo, e antecipei, mal começou, a reacção da generalidade dos média: sobre o passado diriam algo como “o passado já lá vai” e sobre o futuro diriam que Passos está “preso ao passado, que já lá vai”.

De facto, o que se passou, foi que Passos Coelho venceu as eleições. Ele sabe-o e, por muito que se dê palco ao actual governo para propagar a extrema necessidade (“pelo bem do país”) de renovar a liderança da oposição – coadjuvado pela prova de vida que alguns críticos aproveitam para fazer nestas alturas -, Passos assume estar na oposição contra a vontade expressa dos eleitores, num novo paradigma eleitoral que implica a renovação da proposta política desta liderança do PSD, na oposição.

Ao propor uma reforma do sistema eleitoral, assumindo ser esta a altura adequada pela inexistência de eleições legislativas no futuro próximo, demonstra ter assumido, em pleno, o seu papel de líder da oposição, retirando qualquer argumentação sobre compassos tácitos de espera pela destruição, por ferrugem, da geringonça.

De certa forma, apesar do uso do termo “renovação”, ficou claro que o que se espera é uma reafirmação do caminho traçado no governo, o de que nos compete, a nós, portugueses, a tarefa de limpar a casa, não o catastrófico discurso papagueado pelo governo que consiste em esperar que o BCE, a União Europeia ou o Pai Natal façam por nós o que nos compete. Mais que noções vagas sobre esquerda e direita, “social-democracia” ou “neoliberalismo”, a renovação proposta parece ser, exactamente, entre a estratégia que assegura um futuro europeu para Portugal, através de competitividade e reforma real da crescente burocracia castradora e a estratégia do governo, que assegura um futuro para o clientelismo do aparelho de Estado até à próxima explosão que termina sempre com um muito cínico “eu não tenho culpa”.
Título e Texto: Vitor Cunha, Blasfémias, 2-4-2016

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