terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Venezuela asfixiada pela inflação e escassez socialista

O ano acaba para uma Venezuela asfixiada pela inflação e escassez socialista
Francisco Vianna
Ao anunciar uma inflação de 56,2 por cento ao apagar das luzes de dezembro de 2013, o governo da Venezuela admitiu que o país tem, agora, a maior taxa de inflação do planeta, mas os economistas advertem que os venezuelanos apenas experimentaram até agora o início da crise econômica gerada pelo socialismo ‘bolivariano’ em 2013 e que a alta dos preços e a escassez serão ainda muito maiores em 2014, com o país entrando num período de hiperinflação.

Uma mulher em Caracas passa em frente a cartazes com os preços dos alimentos, que mudam todos os dias praticamente, além da falta de muitos deles que, todavia, podem ser obtidos no câmbio negro se comprados em dólares a cerca de quatro vezes o valor do câmbio oficial. Foto: AFP/Getty Images
Orlando Ochoa, professor de economia da Universidade Católica Andrés Bello, em Caracas, afirmou que “a Venezuela teve uma forte queda do crescimento econômico, com mais inflação e desabastecimento por escassez e retração do consumo devido ao empobrecimento generalizado da população, com exceção da reduzida burguesia do politburo socialista do regime bolivariano que está cada vez mais rica e poderosa”.  Afirmou também que “isso não constitui propriamente uma surpresa e que o fato ocorre com todos os regimes socialistas conhecidos” e completou dizendo que “o que ocorre no país é apenas a ponta visível do iceberg”, e que a guerra civil é uma possibilidade que começa a assomar no horizonte.

Na situação em que se encontra a economia, onde os compromissos no curto e no médio prazo superam significativamente a receita do regime, “não há nada que possa ajudar a estabilizar os preços na Venezuela. Há uma forte defasagem cambial e nenhum plano para se estabilizar ou reordenar o ‘mercado cambial’, ou tampouco um plano para estabilizar os preços ou para garantir o fornecimento de muitos produtos de primeira necessidade”, explicou Ochoa.

O país sul-americano parece ter chegado a um ponto tal de fragilidade econômica – com a fuga em massa da mão de obra especializada e dos capitais privados – tem tudo para ter um ano de 2014 difícil, especialmente no primeiro semestre. 

Apesar do regime de Nicolás Maduro ter finalmente reconhecido oficialmente uma inflação nacional de 56,2 por cento, superando em mais do dobro a registrada em 2012, muitos especialistas e economistas acreditam que mesmo essa taxa de inflação não corresponde à verdadeira, que dizem se situar entre 68 e 70 por cento ao ano.

Mesmo assim, a taxa admitida agora como oficial pelo Palácio Miraflores superou a da existente na Síria atualmente, país do Oriente Médio que se debate com uma sangrenta guerra civil e que tem a inflação mais alta do mundo. A inflação neste país árabe atingiu 50 por cento em novembro último.

Depois que o Banco Central da Venezuela anunciou que a inflação de novembro teve um aumento de 4,8 por cento, e um acréscimo de 2,2 % em dezembro, Maduro veio a público dizer que a taxa de inflação no país é “inusitada”, produto de uma “bolha econômica”. Só não explicou que essa “bolha” é consequência de o estado venezuelano estar a gastar mais do que consegue arrecadar, principalmente pela queda da produção e da exportação de petróleo bruto.

Os números apresentados por Maduro mostram “uma desaceleração nos preços ao consumidor”, obtida pelas medidas repressivas do regime adotadas em novembro último e que obrigam os comerciantes a baixar os preços de seus produtos sob a ameaça de prisão e de permitir que a população saqueie seus estabelecimentos. Maduro defendeu tais medidas, garantido que, caso não fossem tomadas, o aumento da inflação de novembro teria passado dos dez pontos percentuais. O presidente ‘socialista’ disse que “a inflação é produto de uma ‘guerra econômica’ contra o seu governo empreendida por ‘setores desestabilizadores’ da oposição”, é claro!

Não obstante, os economistas acreditam que, apesar das medidas adotadas pelo regime terem conseguido frear ligeiramente a alta dos preços nas últimas semanas do ano, seu verdadeiro efeito, aquele que vai realmente causar um enorme impacto na vida dos venezuelanos nos meses vindouros, será a agudização da escassez.

“Grande parte do setor comercial e produtivo vai reduzir de modo significativo suas compras do setor industrial e de importação em 2014, não apenas pelo valor artificial da moeda como também pela falta de segurança jurídica para que possam operar no país, em função do grande temor de que as intervenções e estatizações aumentem de forma paroxística e descontrolada por parte do governo”, comentou Ochoa. A oferta de produtos cairá mais ainda e, por conseguinte, os preços subirão. Provavelmente, muitos produtos de consumo só serão obtidos no mercado negro.

Ou seja, o governo venezuelano até agora não tomou qualquer medida para combater as causas da inflação na Venezuela: o financiamento de um gigantesco déficit fiscal através da emissão de dinheiro sem lastro. Ao contrário, o governo parece ter preferido financiar o seu próprio déficit injetando cifras monetárias enormes, sem valor, em circulação. Isso significa que o Palácio Miraflores tenta adotar algumas medidas para “suavizar” o desequilíbrio econômico a vigorarem em 2014.

Entre essas possíveis medidas, o regime deixa entrever, a que pode começar a aplicar a partir de janeiro próximo um aumento nos preços dos combustíveis, principalmente o da gasolina, uma ‘maxidesvalorização’ da moeda, o Bolívar, e a criação de novos impostos. As duas primeiras, que são medidas que diminuem a atividade econômica, associada à falta de segurança jurídica nos negócios, formam uma mistura explosiva com a última, que é o aumento da carga tributária de uma população fortemente empobrecida pelo ‘socialismo bolivariano’.

Tais medidas não apenas são insuficientes para combater um déficit público consolidado estimado em algo em torno de 15 por cento do PIB, e com um chavezismo que sequer parece disposto a discutir medidas que realmente possam ajudar a estabilizar a economia do país – como a suspensão dos gigantescos subsídios de petróleo que a ‘Revolução Bolivariana’ envia regularmente para Cuba e outros aliados do Foro de São Paulo.

Maduro, na verdade, diz que se sente otimista quanto ao futuro desempenho econômico da Venezuela. “O chavezismo está vivo!”, gritou o ex-motorista de ônibus numa entrevista à imprensa local. “2014 será ‘um bom ano’ para se colher um triunfo definitivo na ‘guerra econômica’”.

E a Venezuela cada vez mais adquire ares de uma Cuba maior, em território e tragédia social...
Título e Texto: Francisco Vianna, (da mídia internacional), 31-12-2013 

Leia também no blogue “Las armas de Coronel”: 

2 comentários:

  1. Sexta-feira, um amigo estava me dizendo que o país vizinho dos hermanos a querida Venezuela está nos últimos estertores, na bancarrota, totalmente falida.


    Um amigo dele saiu correndo de lá, depois de morar lá por vários anos com um negócio, correndo até risco de vida, horrorizado, e chegou a Campinas (ele é daqui) quarta-feira. O país não tem mais nada - para vender, para comprar, nem comida; os supermercados vazios, lojas, redes de supermercados o tempo inteiro saqueados direto pela população num desespero; não existe emprego, postos de trabalho, nada. Os jovens que vão se formando ficam todos desempregados.


    O Presidente, o Seu Nicolas Maduro, sucessor do Chaves, afirma o tempo inteiro que toda essa penúria e sofrimento do povo são por culpa exclusiva dos empresários, das classes alta. A população está no limite para uma guerra civil, de destruição, de matanças. E só em Caracas existe uma favela enorme, super tamanho família de 1.200.000 pessoas que não têm nada!


    A Cia. Petrolífera venezuelana está também totalmente falida, não está dando nada. A Bolívia também está passando quase por uma fase semelhante a da Venezuela. Não é à toa que a nossa GRANDE Dona Dilma está toda preocupada, sensibilizadíssima com o seu amigo Maduro, e ela começou a ajudar o governo de lá injetando dinheiro que o Maduro tanto necessita, através de saques ilimitados do Banco do Brasil.


    Para o AERUS, é claro, não há dinheiro...


    Que sorte que o presidente venezuelano tem de contar com uma pessoa tão prestimosa, tão solidária, de coração do tamanho do Titanic, que não mede esforços para ajudar amigos num momento de precisão!

    Em abril deste ano assisti a uma palestra dada pelo Bispo de Boa Vista, RR, que esteve em Itaici (e passou por aqui) e ele estava dizendo que aquela região do norte do Brasil está todo tomado por venezuelanos que vivem aqui passando pela fronteira.


    Ouvi de uma outra pessoa que já quase não existe fronteira entre os dois países - logo logo vai ser uma coisa só (os brasileiros nem sonham com isso). Às vezes fico com minhocas na cabeça: será que isso não é algo um pouco preocupante? Mas logo penso que se o pessoal do governo não está se preocupando, então, não deve ser nada. A gente tem cada idéia sem fundamento...

    Por isso que é bom saber das coisas, estar atualizado...

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