sexta-feira, 24 de abril de 2015

Trabalhador da TAP divulga carta contrária à greve dos pilotos

“Agora são poucos os que concordam com a greve”
Fernando Santos, trabalhador do grupo e autor de uma carta (abaixo) contra a greve enviada ao sindicato dos pilotos, diz que não é apenas uma opinião pessoal, mas "a voz da maioria".

Foto: Mário Cruz/Lusa

Vera Novais
Há cada vez mais sinais de que nem todos os trabalhadores da TAP – nem sequer dos pilotos – estão de acordo com a greve anunciada pelo Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) e prevista para 1 a 10 de maio. “São poucos os que, entre os mais de dez mil trabalhadores, concordam com a greve”, disse mesmo Fernando Santos, trabalhador do grupo, citado pelo Diário de Notícias.

Indignado com a atitude dos pilotos, Fernando Santos enviou uma carta ao SPAC dizendo que: “Como trabalhador da TAP, quero dizer-vos: basta. Chega de olhar para o vosso pequeno mundo. Existe empresa para lá de vós.” Ao Diário de Notícias o trabalhador da TAP explicou que não é uma opinião sua, “é a voz da maioria”.

O SPAC acusa o Governo e a TAP não honrarem “sistematicamente os compromissos a que se vinculam perante os pilotos”, referindo-se em concreto a um acordo de junho de 1999 já considerado “ilegal e inconstitucional pela Procuradoria-Geral da República, pelo que há outros sindicatos que dizem que “não faz sentido falar em incumprimento de acordo quando este só tem efeitos depois da privatização”.

O acordo a que estes sindicatos se referem é o que saiu das negociações de dezembro passado e que juntaram os sindicatos que ameaçavam fazer paralisações, o Governo e a empresa.

Oito sindicatos de trabalhadores da empresa vão reunir-se segunda-feira para analisar a greve. Há até trabalhadores que, segundo o DN estão a ponderar formas de protestos contra a greve.

O ministro da Economia, Pires de Lima, já afirmou que não vai haver requisição civil porque não se reúnem as mesmas motivações que foram encontradas em dezembro. O ministro apela a que o sindicato tenha em consideração o prejuízo para a economia e para o turismo. Segundo o DN, os sindicatos dizem que a TAP está a perder um milhão de euros por dia desde que a greve foi anunciada e que as perdas podem chegar aos 70 milhões se a greve se realizar.

A carta enviada por Fernando Santos aos colegas da TAP

“A todos os Colegas da TAP: se concordam com este apelo, se acreditam, como eu, que não é apenas a TAP, é a nossa vida e a das nossas famílias que é posta em causa por esta atitude insensata e egoísta, divulguem, partilhem esta mensagem, para que o Sindicato dos Pilotos perceba que temos rosto, temos voz, e já não nos conseguimos calar perante tamanha insensatez.

Caro Sindicato dos Pilotos,
Como trabalhador da TAP, quero dizer-vos: basta. Chega de só olhar para o vosso pequeno mundo. Existe empresa para além de vós.

A TAP dá trabalho a mais de 7300 pessoas só na TAP SA, ou 10 800, se considerarmos todo o Grupo TAP.

Todos contribuímos para a sustentabilidade da empresa, que é de todos e não apenas de alguns. Todos os dias, milhares de pessoas, de todo o grupo TAP, se empenham, com dedicação, para que a TAP ultrapasse os seus muitos desafios e assegure a confiança dos nossos Clientes. Esta confiança não pode ser destruída porque sem isso não há futuro para a empresa.

Em 2000, com a falência do Grupo Qualiflyer, o destino mais certo da TAP era também a falência. No entanto, a empresa demonstrou a sua resiliência e com a mobilização e empenho de todos os trabalhadores assegurou a sobrevivência, duplicou a dimensão, tem hoje mais do dobro dos aviões, voa para mais do dobro dos destinos e países, transporta mais do dobro dos passageiros, duplicou o volume de vendas. Tudo isto pode ser destruído se insistirem em extremar posições sem pensar no bem de todos mas apenas no de alguns.

Se existem dúvidas ou interpretações distintas relativamente a acordos assinados em 1999, recorram aos tribunais, sigam as vias judiciais, mas não hipotequem o futuro da empresa nem dos seus trabalhadores.

Se o setor do turismo ou a economia do país não vos diz nada, pensem pelo menos nas mais de 10 mil pessoas do Grupo TAP e nas suas famílias.

A TAP não resiste a tudo por muito que insistam em pensar que sim. Nós, as nossas famílias e tantos outros milhares que dependem da TAP, não queremos ser apenas danos colaterais da vossa insensata teimosia.
Sindicato dos Pilotos: basta. Parem com isto enquanto é tempo.

A todos os Colegas da TAP: se concordam com este apelo, divulguem, partilhem esta mensagem. Se esta greve se mantiver, teremos de ir ainda mais longe, com uma demonstração no aeroporto – para a qual convidaremos todos os portugueses – que faça com que o Sindicato dos Pilotos perceba que existem rostos e vozes para além do seu pequeno mundo, que estão em completo desacordo com tamanha insensatez.”
Texto: Vera Novais, Observador, 24-4-2015

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