sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Robert Redeker e a Esquerda

José António Rodrigues Carmo

Até 2006, Robert Redeker, um típico intelectual da esquerda francesa, pacato professor de Filosofia e membro da redação do «Les Temps Modernes», (revista de esquerda, fundada por Sartre), era um homem livre e escrevia artigos de opinião sob os mais variados temas.

Em 19 de Setembro de 2006, teve a péssima ideia de publicar, no «Le Figaro», um artigo que o transformou num homem acossado, refugiado na sua própria terra, sob proteção policial, ameaçado de morte pelos terroristas islâmicos.

Redeker escreveu que o Islão ameaça a civilização ocidental, não sendo o Ocidente capaz de reagir à intimidação, porque está refém intelectual do multiculturalismo e do relativismo cultural.

O artigo desencadeou uma tempestade nas ruas, nos media e nos círculos académicos. Vários países muçulmanos proibiram a sua publicação, choveram os insultos de islamofobia e racismo.

Alguns intelectuais franceses (André Glucksmann, Elizabeth Badinter, Bernard Henry Levy, etc), honra lhes seja feita, saíram a terreiro em defesa de Redeker, mas a maioria das reações confirmou a sua tese.

O Partido Comunista insurgiu-se; os sindicatos socialistas fizeram questão de comunicar que não partilhavam as convicções de Redeker; organizações de direitos humanos conotadas à esquerda, referiram-se às suas opiniões como “irresponsáveis e pútridas”.

O professor Pierre Tevanian, que faz a ponte entre a extrema-esquerda francesa e o islamismo, declarou que Redeker era ”racista” e instou a sua escola a puni-lo.

Vários média convidaram Redeker a “pedir desculpa” e até o corpo editorial do “Le Monde” classificou o artigo de Redeker como “insultuoso e blasfemo”, alegação extraordinária que pressupõe que até os não muçulmanos têm de respeitar como sagradas as crenças dos muçulmanos, passíveis apenas de veneração, jamais de crítica ou investigação.

A reação da esquerda repete-se por todo o continente a cada episódio semelhante e demonstra que quando tema é o Islão, a liberdade de expressão claudica.

Trata-se, na verdade, de racionalizar a hipocrisia. Face ao Islão, parte do mundo académico, da esquerda e da comunicação social perde a combatividade e exibe atitudes que vão do silêncio respeitoso e comprometido ao apoio entusiástico e militante.

Esta amálgama apaziguadora fecha os olhos aos factos, chama "actos isolados" aos massacres, atentados e assassínios que se repetem por essa Europa fora, e adopta acríticamente o conceito de “islamofobia”, inventado pelos aiatolas iranianos e, tal como eles, usa-o para deslegitimar todos aqueles que se atrevem a discordar.

Como escreveu o próprio Redeker, a partir da sua vida em cacos, “eu nunca pensei que isto pudesse acontecer na França. Não posso trabalhar, não posso ir e vir, e tenho de viver escondido. De certo modo os islamistas conseguiram punir-me no território da República, pelo delito de opinião"

Hoje, quase dez anos depois, Redeker vive escondido no seu próprio país, mas ao menos não teve o destino trágico dos cartunistas do Charlie Hebdo, também eles de esquerda, ironicamente.



Título e Texto: José António Rodrigues Carmo, Facebook, 6-11-2015

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