sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

O preço real em um país surreal

José Manuel

Surreal, que denota estranheza, transgressão da verdade sensível, da razão, ou que pertence ao domínio do sonho, da imaginação, do absurdo.

O ano de 2015 foi-se, graças a Deus, e com ele a minha vontade de escrever, principalmente sobre o meu fundo de pensão, que me roubou boa parte dos últimos dez anos, na busca por uma solução.


Terminamos o ano anterior com um calaboca meio nas coxas, porque a correção de dez meses mais os juros ninguém sabe ninguém viu. O trivial e de sempre.

Coisas de um Brasil ultrapassado, de um país estacionado no tempo, em que a moda é mentir, passar o semelhante para trás, ofender a vida de quem quer que seja, não importando o quanto importante ele foi para o seu desenvolvimento ao longo dos anos, em que as palavras sociedade, cidadania são extremamente banais para serem levadas a sério. Qualquer bunda ao léu, uma loira gelada descendo redondo, ou um smartphone de altíssima geração vale mais do que uma cidadania bem aplicada.

E assim vamos indo, lendo nas bancas de jornais e en passant as notícias políticas que não param de nos constranger o dia a dia pseudo civilizado e acoplado a um calor subsaariano, que vai nos minando, consumindo, ainda não sei se pelo primeiro constrangimento ou pelo segundo térmico.

Enfim, duas resoluções foram tomadas ao fechar as portas do ano velho: a primeira, esquecer que o Aerus existe, e a segunda, nunca mais perder tempo em escrever sobre os políticos que nos afligem.
No máximo desejar que o Maurício Macri se candidate ao planalto em 2018.

Mas, como tudo sempre tem um mas, minha mãe, com 88 anos, que está passando uma temporada em Portugal com a nossa família, esta semana pediu-me que lhe enviasse 300 euros, pois o seu dinheiro está para acabar e com certeza vai pagar excesso de bagagem, como sempre, em sua próxima volta.

Aí... fui ao banco... e pedi para enviar a módica quantia que, fazendo o câmbio de ontem, não passava de R$ 1.411,20.
Para enviar essa pequena quantia, para suprir uma emergência, o governo me extorquiu R$ 249,04, a título de imposto de renda, mais R$ 5,36 de IOF, e o banco, assecla do ladrão maior, tratou logo de me surripiar R$ 195,00 a título de operação financeira, nome bonito para um reles roubo de periferia.

O total do assalto custou apenas R$ 449,40 ou U$ 112,35 ao câmbio de ontem.

Aí... hoje, tive de enviar pelo correio um documento a uma amiga que reside em Portugal. O envelope pesado no correio tinha apenas 25 gramas. O veredicto foi forte, pesado e sonoro: R$110,00, e sem choro.

Só para termos uma pequena ideia, hoje, 8 de janeiro de 2016, preço do barril de petróleo custa a quantia de US$ 46,17, isso mesmo, quarenta e seis dólares e dezessete centavos.


Pois bem, a última vez que estive na Casa do Caviar em Londres [foto abaixo], a grama custava US$ 1 dólar. Hoje não mudou muito e você compra a grama a US$ 1,60


Entre um barril de petróleo a US$ 46,17 e um grama de caviar a US$ 1,60, cobrar aqui no Brasil por uma carta de 25 gramas, US$ 27,50  ou, respectivamente, um dólar e dez centavos por grama, é no mínimo uma piada.

É assim que querem receber turistas no país da piada pronta.  
Título e Texto: José Manuel, doido para fechar a luz no aeroporto, 8-1-2016 

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