sábado, 16 de janeiro de 2016

Uma vez soldado... Sempre soldado!

Paulo Ricardo Paiva

"Nós, da reserva, já tivemos a nossa vez. Agora, outros estão no comando, assumindo todas as responsabilidades". COMPANHEIRO "DA LUTA"! AFASTEMOS DE NÓS ESSE CÁLICE! Ninguém é dono da nossa vez! Não, não queremos comandar! Mas, que ninguém duvide, não vamos abdicar da responsabilidade de puxar pelo brio, de assumirmos atitudes, de defendermos o Exército sempre, em qualquer lugar e a qualquer hora. Uma vez soldado... sempre soldado! Quem nasceu soldado, viveu como soldado, vai morrer soldado.
Não, nós não vamos beber desse cálice!

Minha mãe conheceu meu pai exatamente "20" dias antes do embarque dele para a Itália e, como tantas mães, irmãs e namoradas, acompanhou, com esperança renovada, a cada dia, a marcha da "FEB" no mapa da Itália.
Não, eu não vou sorver nesse cálice de renúncia!

Morei primeiro na Rua Tenente Nepomuceno, depois na Avenida Duque de Caxias, primeira casa na esquina esquerda da rua que desagua sobre o portão das armas do glorioso 1º BIMTZ-REGIMENTO SAMPAIO. Quantos irmãos em armas, assim como eu, não trazem guardadas no coração lembranças como estas, de outros quartéis, de outras guarnições?
Não, nós não podemos nos saciar nesse cálice de esquecimento!
 
Brinquei muito dentro daquele antigo RI, meu pai me levava para mostrar o filho aos seus companheiros e, de quando em vez, apontava um sargento, um cabo e me dizia:- Meu filho você está  vendo aquele soldado ali? Pois ele esteve comigo em Monte Castelo... era muito valente! Quantos de nós, assim como eu, não têm parentes, amigos, que, pelo seu exemplo de vida, contribuíram para o despertar de tantos soldados vocacionados. 
Não, nós não vamos decepcioná-los bebendo o cálice da ingratidão!

Cansei de ver o antigo regimento, ainda com três batalhões, voltando das marchas, aquele capacete de aço romântico da 2ª GM, a canção do regimento, vale a pena lembrar, ela dizia: "Nossa fama se perde distante, no silêncio dos tempos, onde vê-se erguer-se gigante a memória de bravos soldados..."
Não, nunca, os "velhos soldados" não vão beber no cálice da covardia!


Entrei no meu querido CMRJ com "13" anos de idade, no então 3º ano ginasial. Meu pai tinha sido transferido do Recife para o QG da então ID/I em Niterói/RJ, tendo eu vivido os anos que antecederam a Revolução de 1964 naquele colégio, onde tantos de nós testemunhamos, infelizmente, a propaganda insidiosa de alguns alunos na tentativa de catequização para o credo vermelho!  Vi o então TC Paiva sair de madrugada, justo no dia  "31", para defender o Palácio da Guanabara. Quantos, como eu, não viram seus pais, parentes e amigos participarem naquela luta?
Não, nós não podemos beber no cálice da abstração, do "não estou nem aí"!

No segundo ano do então curso científico abriram concurso para o 3º ano da EsPCEX. Enverguei então pela primeira vez o uniforme "VO", antecipando assim um desejo juvenil que já me acalentava desde a infância. Meu" velho" me acordou com o jornal na mão, tinha sido aprovado. No ano seguinte, 1965, adentrava pelo portão das armas daquela escola e ele partia para a República Dominicana no comando do 1º REGIMENTO ESCOLA DE INFANTARIA! Quantos de nós vivemos momentos como este na conquista de nossos objetivos.
Não, nós não vamos beber do cálice da acomodação! 
Título e Texto (e Marcadores): Paulo Ricardo Paiva, CEL INF e EM, 15-1-2016

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