sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

As Lapas Não Comem Sapos

Cristina Miranda
Confesso que inicialmente sempre pensei que esta aliança do PCP e BE com os socialistas, iria durar pouco. Isto porque, como é lógico, pelo radicalismo destes, via grandes dificuldades no entendimento uma vez que defendem políticas diferentes. Porém, o tempo mostrou que estão aí para durar. Começou-se então a dizer que eles andavam a comer sapos. Mas a realidade é bem outra. Eles afinal, são lapas e as lapas não comem sapos. Acoplam-se. E estas saciam-se de poder.


É este o verdadeiro segredo deste sucesso governativo que até ao Costa surpreendeu. Quando tudo apontava para grandes dificuldades e possíveis ruptura, eis que as “blocas” e Jerónimo estão de pedra e cal no poder, sem sinais de mossa. Berram, criticam, ameaçam, mas tudo show-off. Tudo discurso dirigido aos seus eleitores que tratam como iletrados incapazes de fazer uma análise lúcida do que realmente estão no Parlamento a fazer. Enganar.

Eles não são peixe nem carne. Por isso, agora no poder, já deixaram cair os ideais que os definiam. Aceitam toda a austeridade que Costa cria. Enaltecem o governo no cumprimento do défice imposto por Bruxelas. Assinaram aumentos de impostos no OE2016 e OE2017. Não se enojam com aumento das subvenções vitalícias, com a isenção do IMI para partidos, o chumbo do imposto sobre fortunas e enriquecimento ilícito. Não se importam com despedimentos de cerca de 2500 funcionários da CGD. Não se escandalizam com o fim de tectos para salários de administradores. Não se revoltam com quase 4 mil milhões de impostos para recapitalização de um banco. Não exigem demissões por via da novela da CGD, nem da Galpgate, muito menos pelos falsos doutores que proliferam neste governo. Nada.

Porque as lapas acoplam-se. Agarram-se com força ao seu “hospedeiro” para não cair. E quanto mais as tentam descolar, mais elas se agarram. O poder fascina-os. E vale tudo para não o perder.

Hoje o objectivo tornou-se muito claro: aguentar, com todas as adversidades para ter tempo de fazer a revolução silenciosa que nos levará a uma sociedade marxista. E essa revolução, quer queiramos, quer não, já se iniciou. E tal como as lapas que só de faca saem das rochas, esta gente, agora, só sai à força porque nada do que vier a ser aprovado pelo Costa as demove a desistir.

São lapas e as lapas acoplam-se até morrer. 
Título e Texto: Cristina Miranda, Blasfémias, 2-12-2016

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