sábado, 7 de outubro de 2017

O absurdo dos absurdos

Almir Papalardo

Um procedimento injustificável que ninguém por razões óbvias consegue explicar, evidencia uma lamentável mediocridade na atuação dos poderes Executivo e Legislativo, há muito destruindo de forma desastrosa a honradez do nosso sistema previdenciário. E quem paga o pato? É sempre o pobre aposentado, que por suas maiores contribuições mensais ao INSS, conquistou uma aposentadoria maior do que o salário mínimo vigente!

Justamente, para infelicidade do cidadão brasileiro, este absurdo comportamento antiaposentado, contradiz a benemérita Previdência Social, outrora sustentáculo da sociedade por manter o trabalhador protegido, garantindo-lhe a manutenção da saúde e do suprimento das suas necessidades financeiras quando se aposenta.

Há muito perdeu essa condição de guardiã do povo, pela estapafúrdia política adotada contra o trabalhador brasileiro. Este, ao se aposentar, perde um grande percentual do que deveria receber, arcando ainda com os prejuízos anuais que lhes são infringidos, por ocasião dos reajustes salariais que achata cada vez mais a sua aposentadoria, até limitá-la a um salário mínimo.

Então, é este o absurdo que de modo absurdo lidera entre todos os outros absurdos que germinam neste país de justiça social falha e comprometida. É muito absurdo junto, tornando o fardo do trabalhador, principalmente do aposentado, absurdamente pesado e desumano.

E que argumentos usam para justificar tamanha incompetência e deslealdade ao trabalhador? Para explicar este problema originado pela falta de criatividade dos governantes, alegam déficits existentes na Previdência, o que lhes obrigam a prejudicar 1/3 de aposentados que ganham acima do mínimo, em detrimento dos outros 2/3 que recebem o mínimo! Chocou-os? Daqui a pouco todos estarão ganhando o mesmo piso pago pela Previdência(!?). Chamam a isto melhor distribuição de renda e equilíbrio financeiro daquela Instituição, enquanto o bom senso, justiça e coerência, indicam um criminoso preconceito e uma discriminação causadora de infartos e derrames ao velho e angustiado aposentado. Isto não está legal, é crime!! O Capeta os está esperando, com as portas do Inferno abertas!

Ante as afirmações da equipe econômica do governo de que a Previdência é deficitária e as do senador Paulo Paim, de que ela e superavitária, ratificada pela CPI da Previdência ainda em andamento, fico com as afirmações do senador Paim, que mesmo sendo do PT, tem se mostrado mais sensível às justiças sociais aos menos favorecidos, do que certos líderes partidários confusos, insanos e indignos de votarem no plenário do Congresso.

Além do mais, mesmo que a Previdência fosse realmente deficitária, o governo não tinha o direito de prejudicar o idoso aposentado, diminuindo o seu provento, porque recebe acima do salário mínimo. Não poderia quebrar um contrato assinado pelo trabalhador, o empregador e a Previdência Social, ignorando um direito adquirido e desrespeitando um artigo da nossa Carta Magna, ratificado pelo Estatuto do Idoso! Tinha que arrumar recursos de outras fontes para honrar os direitos de aposentados e pensionistas. Realmente, está tudo errado!! Por que não mexem também com os direitos dos todo-poderosos?

Torçamos para que a Câmara dos Deputados recupere o seu tino, sendo um pouco mais leal aos aposentados. Que os deputados, independentemente de interesses partidários, voltem um pouco mais sua atenção para essa infeliz categoria, sem dúvida a mais prejudicada entre todos os outros segmentos da sociedade, colocando os projetos de aposentados em votação. Se o Senado votou, por que a Câmara não quer votar?

A Câmara dos Deputados está com um enorme débito perante os aposentados por ter permitido que manobras sorrateiras impedissem a votação daqueles projetos. Todos estão sensibilizados e apiedados com o drama dos previdenciários, que há muito esperam que seus projetos sejam analisados e votados. É o anseio do povo.

Câmara dos Deputados: Volte a ser a verdadeira Casa do Povo! Faça valer a nossa Constituição Federal. Todos os Projetos de Lei ou Emendas à Constituição, devem e merecem ter a oportunidade de ver seus destinos traçados através das cotidianas votações plenárias...
Título e Texto: Almir Papalardo, 7-10-2017

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