domingo, 4 de março de 2018

Arrumando o rumo

Haroldo Barboza                                    
                                                                               

Muitas pessoas não se incomodaram muito quando foram implantados programas de Qualidade nas empresas. Acreditavam que seria mais um modismo do tipo que não emplaca seis meses devido à falta de consistência no seu contexto.

Porém, quando começaram a perceber que o tempo de duração dos mesmos estava se alongando, já arregalaram as pestanas e as orelhas. Notaram que a linguagem cotidiana entre setores estava impregnada de vários termos específicos sobre melhoria nas rotinas. Passaram a se preocupar com os novos rumos. Comprovadamente, as ideias agora expostas, tornaram evidentes   as formas obsoletas, difíceis, confusas e caras de realizar tarefas simples, cuja fachada esconde heranças de burocracia secular e acomodação de um segmento que não pretende dar cultura à maioria, para continuar se intitulando especialistas na área onde passam a maior parte do tempo embromando.

Então, mudaram o discurso de combate. Até passaram a divulgar que estão dispostos a mudar juntos, mas não encontram apoio gerencial nem existem canais de comunicação para esclarecimentos sobre o assunto. A seguir, começaram a dizer que tinham de escolher entre trabalhar e desperdiçar tempo em teorias extensas, sem aplicação imediata no seu cotidiano. Alegaram que perdiam mais tempo medindo indicadores e documentando rotinas supérfluas, do que trabalhando (na verdade, desperdiçando recursos, na maioria dos casos).

É claro que os honestamente crentes nos benefícios das novas atitudes (baseadas em ideias antigas, mas não praticadas), também se afobam na ânsia de utilizar novas técnicas e ferramentas para obter resultados fabulosos em curto espaço de tempo. E como isto não ocorre na maioria dos casos por se tratar de um processo lento, estes temas fornecem subsídios aparentemente sólidos aos descrentes.

Na verdade, o que se precisa internalizar em todas as mentes e corações, é que a Qualidade não é uma tarefa A MAIS, que se exerce caso haja sobra de tempo. É simplesmente fazer melhor agora, o que já foi feito nas ultimas dez ou quatrocentas vezes.
Se você tem dificuldade em perceber alguma melhora pelo fato de estar no centro da tempestade, pode coletar opiniões dos que estão à sua volta ou dos que fazem uso do seu serviço/produto.

Quem é avesso a medir, comparar, analisar e registrar, tem que se lembrar que o mesmo acontece com os pesquisadores e cientistas, que levam vários anos efetuando testes e análises, que são transformados em elaboradas soluções, dez ou vinte anos depois, por OUTRA geração. Disto também tem que se lembrar quem gerencia e deseja espantosos resultados positivos em curto período, seja por vaidade, pelo desejo de não se sentir atrasado em relação aos demais ou por convicção mesmo.              
                                                                               
Os mais comedidos, acreditam que talvez, pelo bem da própria Qualidade, seja conveniente evitar pronunciá-la com excessiva frequência, pois suas virtudes falam por si ao longo do tempo. O importante é convidar cada um para administrar a sua rotina cada dia MELHOR, o que exige no mínimo, boa documentação das tarefas, para ajudar ao substituto eventual e permitir que outros possam sugerir MELHORIAS após lê-las, objetivando atender PLENAMENTE a quem depende delas.                         
                                                                               
Os mais corajosos e dinâmicos, acreditam que é necessário intensificar a propaganda em prol dos programas de Qualidade, massificando (sem tornar maçante) ao máximo, as teorias relativas aos assuntos, quase que uma lavagem cerebral, para desintoxicar mentes viciadas após diversos anos de práticas enganosas e danosas apreciadas pelos que nos governam.                                  

Haveria uma terceira corrente de equilíbrio, oriunda da junção das duas acima?        
Não importa. O que vale é o esforço transparente no sentido de praticar mais e teorizar menos, para sensibilizar os ainda indecisos e silenciar os que se escondem nas sombras da barulhenta incompetência.
Título e Texto: Haroldo Barboza, janeiro de 2005

2 comentários:

  1. A "qualidade" é fundamental para o bom funcionamento dos setores empresariais, porém, deve ser trabalhada em "conjunto", individualmente, ocasiona apenas em um "ruído" que a impedem de elencar valor ao serviço ou produto oferecido.

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