segunda-feira, 9 de abril de 2018

Lula: seus problemas e seus discursos. E La casa de papel!

Cesar Maia
         
1. A "informalidade" que acompanhou líderes sindicais nas suas relações com grandes empresas sempre foi uma rotina. As montadoras não cansaram de detalhar. Uma das idas de lideranças sindicais (entre elas Lula) à Alemanha foi, na época, divulgada com detalhes nos bares e boates, incluindo shows de strip-tease. 

         
2. Essa informalidade e intimidade explicam o que ocorreu com Lula. Pode ser até que ele não entendesse isso como desvio de conduta ou ilegalidade. As explicações que Lula dá ao caso do triplex explica bem e com detalhes essa relação "informal" e íntima que alguns procuradores chamaram de promíscua. Mas ele não entende assim. 
       
3. Seu discurso no carro de som, em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, traz informações que vão além do conteúdo. Por exemplo, ter falado para baixo, para os militantes e não direto para a TV, que era do próprio sindicato.
       
4. Ou seja, não se dirigia ao público que assistia ao vivo na TV ou depois nos sites. Dessa forma, Lula voltava a seu nicho e abandonava a condição de líder popular e mantinha-se apenas na condição de origem como líder sindical. 
       
5. Isso não era a narrativa de sua história, mas a narrativa de sua realidade atual, numa espécie de giro político de 360 graus, voltando a ser o que foi. 
       
6. A agressividade com que se dirigiu ao Ministério Público, ao Poder Judiciário e aos meios de comunicação e, claro, às elites, certamente não correspondia a um candidato a presidente. Não teve nem o cuidado de restringir com "alguns" ou algo assim. Ao contrário, generalizou as agressões.
       
7. Por isso, as associações representativas de procuradores e juízes e da mídia reagiram, porque todas se sentiram agredidas. Era um discurso de candidato a deputado e não de candidato majoritário. 
     
8. A figura de retórica, dizendo que todos os militantes e lideranças sindicais ou políticas deveriam se sentir todos e cada um como Lula, incorporando-o, é bem explicativa.
   
9. Seria o caso de todos serem iguais a Lula, usando sua máscara. E o Sindicato dos Metalúrgicos seria a Casa de Papel (Netflix), todos de máscaras de Lula e cercados pela Polícia Federal. E, depois da prisão, todos os militantes.

  
10. Esse discurso de transferência de personalidade às massas é característica do populismo dos anos 20 e 30 na Europa, incluindo as cores e os gestos. O conteúdo demagógico de seu discurso de que as elites, procuradores e juízes e mídia o perseguiam porque ele representava os pobres sequer produziu emoção. As imagens da TV do Sindicato retrataram isso.
   
11. Os anos de militância pós sindical, de militância política e de experiência internacional deveriam ter dado a Lula uma maturidade que não teve enquanto "enfrentou" a polícia em ‘La casa de papel’. 
   
12. Não é sem razão que Lula repetia à exaustão que sua relação com Bush foi muito melhor e prazerosa que sua relação com Obama.
Título e Texto: Cesar Maia, 9-4-2018

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