sexta-feira, 20 de abril de 2018

[Aparecido rasga o verbo] Vinte e três anos depois, os “300 picaretas” continuam a todo vapor...

Aparecido Raimundo de Souza

COMO BONS BRASILEIROS, acreditamos que os senhores devam lembrar perfeitamente de um episódio que, na época, deu muito o que falar. Nos idos de 1985, Luiz Inácio Lula da Silva processou o músico Herbert Viana pela magnífica poesia “Luiz Inácio (300 picaretas)”. A nosso ver isso foi uma verdadeira ignomínia das mais torpes e objetas. Em primeiro lugar, o senhor Luiz Inácio, como os demais citados na obra gravada pela banda “Paralamas do Sucesso”, deveriam se sentir orgulhosos por verem seus nomes estampados numa melodia que, na ocasião, ganhou enorme projeção nacional. Afinal de contas, convenhamos, poucos são os que conseguem, hoje em dia, um ato heroico dessa envergadura. Ainda mais sendo bandido.

Chega inclusive, a ser exótico. Vejam, por exemplo, quantas personalidades de projeção, não só nacionais, como internacionais (sem querer nos desfazer dos envolvidos com a letra em questão), existem espalhadas por esse mundo de Deus afora. Contudo, nem por isso, essas celebridades galgam o ponto nevrálgico de alguém (parar para as revenciarem), através de uma letra magnifica, bem escrita, bem estruturada, e que, no fundo, sabemos, de antemão, mostra, a olhos saltados fora das órbitas, todas as verdades desses pilantras enganadores que estão sendo retratados. Foi o caso do companheiro Lula, hoje rotulado, carimbado e selado como ex-presidente. Quem de nós, senhoras e senhores, ilustres desconhecidos, não sentiria um prazer quase sexual, em ser cortejado e aclamado com todas as honrarias e méritos na poesia de uma canção?

Costumamos enfatizar que somente os pacóvios e trouxas, os lerdaços e papalvos, não veriam com olhos arregalados e atentos ouvidos, uma façanha dessa envergadura. Das duas uma: ou esses pilantras (citados) temiam que a sociedade (ao tomar conhecimento dessas aberrações) os alcunhasse de demagogos e salafrários, ou o passado de cada um exteriorizasse promiscuidades relevantes que deixariam saldos negativos e muitíssimo a desejar, e, portanto, em vista desses fenômenos insatisfatórios, nada nesse “ontem adormecido” deveria ser molestado ou tocado. Em outras palavras caríssimos leitores amigos: trazidos escabrosamente à tona.

Na época, bem recordamos, o procurador sectarista da “Câmara dos Deuputados”, um “tal” de Bonifácio de Andrada (na ocasião, PTB-MG Partido dos Trombadinhas Bundões), obstaculizou que a aludida música atentava frontalmente contra a moral dos mais soberbos representantes da cúpula nacional. Vamos abrir um pequeno parêntese. “De fato, para alguns patolas, o “cu” pula. Não só pula como salta também. Parêntese fechado”. Naquele (como nesse) momento, uma indagação por nós levantada foi de pronto, trazida à baila e agora, elegantemente retorna ávida de uma reposta coerente: será que a composição do senhor Herbert Vianna ofendeu, de igual forma, os conhecidos “bons costumes?”. Em passo adiante, vale ressaltar o fato de que ninguém naqueles idos se levantou (nessa mesma casa de ratos e toupeiras), nenhuma alma desgrudou o rabo sujo de sua cadeira, com coragem e bravura suficientes, para dizer, se opor, ou gritar, a plenos pulmões, que as atitudes de certos parlamentares magoavam, lesavam, ultrajavam e faziam profundamente mal, não só a imagem de toda a cidadania, como atacavam, a duros golpes, a dignidade, a moral e o decoro de um País inteiro perante as outras potencias mundiais.

Na esteira desses acontecimentos, não se nega que o senhor Herbert Vianna fez o que gostaríamos de fazer, ou seja, mostrar o que estava de errado, de torto, de pernicioso a todo um bando de bocós e pascácios usque surdos de nascença. Trazer a público, igualmente, a indignação geral em clamor uníssono daqueles indivíduos do lado sério, da galera de caráter e vergonha na cara. Com essa celeuma toda levantada, em torno dessa poesia, esse compositor brilhante e fecundo, dono de méritos indiscutíveis, tratou minuciosamente e sem escrúpulos, de um assunto complexo e reservado. Ofereceu para nosso deleite espiritual e, sobretudo para nosso entretenimento, uma peça rara e de peso, de valor inestimável, regulamentada em forma de melodia lírica, algumas das muitas barbáries e canalhices que aconteciam e pior, amados, ainda acontecem (hoje) nos altos escalões do (des) governo federal.

A música, em si, foi tão eficaz, quanto buliçosa. Insinuante e ferina.  Suscitou uma série de ocorrências opostas às pretensões esperadas. Por ser altamente dissidente e censuradora, não demorou muito para roçar, em cheio, na ferida de muita gente. De igual forma, confundiu as noções do contraditório, melindrando exasperadamente uma grande e expressiva porção de “seres viventes”, entre eles, o augusto e tinhoso “cachaceiro”, alvoroçando seus podres, seus estragados, seus pútridos, cutucando “a curta com vara onça”, dos outros bandidos que não faziam outra coisa no dia a dia a não ser se esforçarem com mórbida tenacidade, para levar o Brasil ao pandemônio generalizado, ao caos total. Lula, nessa época, se emputeceu. Deu uma de santinho. O tempo, todavia, se encarregou demostrar a sua verdadeira face negra. Hoje o forrobodeiro está em cana vendo, repetindo, rotulado, carimbado e selado, e para estragar seus antigos “300 picaretas” (atualmente são mais), vendo o sol nascer quadrado. Apesar dessa “prisão” kikikikikiki ser meio inteira maquiada. Pelo menos o poderoso dos dezenove dedos de São Bernardo, está proibido de sair em caravana brasilzinho a fora vomitando suas merdas e, por debaixo dos panos, “dando tirinhos em ônibus”, botando a “Polícia Fedemal” para investigar o impossível, e, no fundo, o deus de merda do PT (Partido dos Trapaceiros) se fazer de vítima perante essa sociedade de parasitas e boçais.    

Vejamos, agora, os versos que chacoalharam os brios desse sem vergonha gravados pelos brilhantes “Paralamas do Sucesso”, que nos foram presentados no exato momento em que atravessávamos (ou, como ainda transpomos, a trancos e barrancos), os difíceis caminhos de um histórico tempo de mudanças não muito claros para todos que se diziam (e se dizem) e se apresentavam (e se apresentam) ou se autodenominavam (ou ainda se autodenominam) como brasileiros natos. Reparem, senhoras e senhores, que versos lindos e maviosos. Segue o link, para quem quiser acompanhar a letra ouvindo a raridade.



Luiz Inácio falou, Luiz Inácio avisou
São trezentos picaretas com anel de doutor
Eles ficaram ofendidos com a afirmação
Que reflete, na verdade, o sentimento da nação

É lobby, é conchavo, é propina e jetom
Variações do mesmo tema sem sair do tom
Brasília é uma ilha, eu falo porque eu sei
Uma cidade que fabrica sua própria lei

Aonde se vive mais ou menos
Como na Disneylândia
Se essa palhaçada fosse na Cinelândia
Ia juntar muita gente pra pegar na saída

Pra fazer justiça uma vez na vida
Eu me vali desse discurso panfletário
Mas a minha burrice fez aniversário
Ao permitir que num país como o Brasil

Ainda se obrigue a votar, por qualquer trocado
Por um par de sapatos, por um saco de farinha
A nossa imensa massa de iletrados
Parabéns coronéis, vocês venceram outra vez

O Congresso continua a serviço de vocês
Papai, quando eu crescer, eu quero ser anão
Pra roubar, renunciar, voltar na próxima eleição
E se eu fosse dizer nomes a canção era pequena

João Alves, Genebaldo, Humberto Lucena
De exemplo em exemplo aprendemos a lição
Ladrão que ajuda ladrão ainda recebe concessão
De rádio FM e de televisão.

Nesta hora, um pouco além da sombra o quanto podemos ver, e até onde, na época vinte e três anos atrás, enxergamos temos aí exposta a visão sumária da produção artística dos “Paralamas”, onde não encontramos subsídios sólidos que pudessem ou que viessem ferir e assustar os nobres e distintos deputados e parlamentares ou quaisquer outros vadios e desonestos mencionados na “Luiz Inácio (300 picaretas)”. Menos ainda agora, até porque a letra, apesar do tempo, continua na moda, como os livros do escritor Júlio Verne. Em outras palavras, uma poesia muito além do seu tempo. Hipoteticamente, lembraria uma “Viagem ao centro da guerra”. Guerra? Que guerra?! Da guerra ensandecida que o senhor ex-presi... presiden... denden... P-R-E-S-I-D-I-Á-R-I-O Lula Fula Mula trava consigo mesmo. 

Quando os (“300 Picaretas”) começaram a tocar nas rádios, Luiz Inácio (com outros bandoleiros) deu início a uma batalha improcedente contra o compositor Herbert Vianna por calúnia, injuria e difamação. Entendemos que naqueles distantes, como agora, esse tríplice aspecto, atrelado às sanções previstas no Código Penal reside exatamente no oposto, ou naquelas figuras eminentes e intocáveis (os borra-botados) que o acionaram juridicamente. Em conclusão, senhoras e senhores, se a carapuça serviu para a cabeça de Lula (perdão ex-prepotente presidente) e seus encrenqueiros caudatários e correligionários, é sinal de que a melodia não falou de utopias e veleidades. Tampouco de mentiras. Sem sombra de dúvidas retratou (e retrata apesar de passados todos esses janeiros) com fidelidade leal e perseverante, o pensamento comunitário de muitos, patenteando as verdades nuas e cruas, como se fosse um filme de nossa pátria despatriada, exilada e profanada. Ora, se aqueles que realmente ambicionam passar o país a limpo se lançam a essa tarefa de peito aberto, jamais se verão enquadrados no contexto ou nos meandros dessa primazia de música e letra ou de outra excelência que vier a surgir. Evidentemente essas pessoas têm a consciência tranquila de salvaguardarem, da melhor forma, os interesses de todos os cidadãos brasileiros que honram os fios de seus bigodes. Quanto ao resto... cuique facere licet nisi qui jure prohibetur. Que surjam outros Herberts Vianna da vida... Herberts impávidos, guerreiros, destemidos e valentes, para em nome dos fodidos e ferrados derramarem no ventre da história, os espermas da nossa eterna INDIGNAÇÃO.   
Título e Texto: Aparecido Raimundo de Souza, de Castelo, no Espírito Santo. 20-4-2018

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Um comentário:

  1. Só na câmara federal, já passam de 550. No senado se aproximam de 70. Só o fato de estarem lá sem fazer nada para limpar o ambiente, não torna os restantes, elementos "honestos".

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