domingo, 3 de abril de 2011

[O cão do Sócrates] Sondagens ou a arte de bem subir a descer

António Ribeiro (O cão de Sócrates)
De semana para semana parece que tudo se agravava para o meu dono. O desemprego atingia o número de 558 mil pessoas, a falência de pequenas e médias empresas não parava de aumentar, o número de famílias endividadas subia rapidamente, o cerco dos mercados financeiros ia-se apertando, o FMI estava à porta e tínhamos perdido a candidatura conjunta com a Espanha para a realização do Mundial 2018, a única esperança que restava ao meu dono para largar dinheiro para obras que se vissem. O sr. Primeiro-ministro estava a ficar tão isolado que, agora, era ele quem começava a procurar a minha companhia para o confortar nos longos momentos de angústia e solidão do poder. Eu posso ser cão, mas não sou insensível à desgraça dos homens e lá o deixava pegar-me e fazer-me festas. Para mim era, também, uma forma de assegurar a minha presença em São Bento e evitar ser remodelado.
Neste ambiente de grandes e gravíssimos problemas tinha uma curiosidade canina em saber qual deles afetava mais o meu dono. O desemprego? A fuga de uma geração de jovens para o estrangeiro? A entrada do FMI? O fim das pequenas e médias empresas?
Um dia tudo se esclareceu. Encontrei o sr. Primeiro-ministro prostrado a ler um dossiê que os assessores lhe tinham preparado. Pela cara do meu dono – e eu conheço-as todas – o que estava naquele dossiê preocupava-o mais que tudo. Como era costume naqueles dias, ele pegou em mim e pôs-me ao colo: “sabes, cão, estou muito preocupado coma as sondagens! O Passos está à minha frente, pá!”. O meu pêlo eriçou-se instintivamente. No quadro de miséria em que estava o país, ali estava o que mais preocupava o meu dono: as sondagens.
Para mim eram boas notícias. O dr. Passos Coelho era um fervoroso adepto dos animais e dos cães, em particular. Apesar de já ter quatro cadelas não me parecia difícil tentar negociar com ele a minha permanência em São Bento, quando ele aqui chegasse como primeiro-ministro, a troco do meu apoio à sua candidatura através do influente charme que eu tinha junto da comunicação social. Afinal algum dia tinha que pôr a render tudo o que aqui aprendi sobre sobrevivência política com um dos melhores profissionais dos últimos anos em Portugal. E essa capacidade de sobrevivência estava, mais uma vez, a despertar no meu dono. Passada uma fase de desânimo, a casmurrice e a alienação total em relação ao que se passava à sua volta. “Sabes, cão, estas sondagens mostram claramente uma tendência: não é o Passos que está a subir muito, eu é que estou a subir pouco, pá!”.
António Ribeiro, in "O cão de Sócrates", página 143

Carlos Slim inaugura o Museu Soumaya

Museu Soumaya. Foto: Getty Images
O homem mais rico do mundo, o empresário mexicano Carlos Slim, abriu esta semana ao público a nova sede do Museu Soumaya, para abrigar a sua coleção de arte, com 70 mil peças, uma das maiores e mais ricas do mundo. O edifício assimétrico, num dos bairros mais exclusivos da Cidade do México, projetado pelo arquiteto Fernando Romero, tem 17 mil metros quadrados e uma fachada com 16 mil espelhos hexagonais. Slim fez uma festa de inauguração, há dias, a que não faltaram o apresentador de televisão americano Larry King, o presidente mexicano Felipe Calderón e o Nobel da Literatura, Gabriel Garcia Márquez. Neste museu - que tem o nome da mulher do milionário, Soumaya Domit, que faleceu em 1999 - estão obras de um valor incalculável, incluindo trabalhos dos mestres europeus como El Greco, Leonardo da Vinci, Monet e Cézanne - e também a segunda maior coleção privada de Auguste Rodin.
Fonte: Revista Sábado nº 361

Catástrofe no Japão – Uma lição de civismo e dignidade = patriotismo

Japoneses fazem fila em supermercado de Sendai. Foto: Mark Baker/AP
Júlia Baptista
Em qualquer país dito civilizado um terremoto de magnitude 9 justificaria uma série de atitudes menos corretas, como pilhagens, violações e revoltas. Contudo, o Japão sofreu um terremoto, seguido de um maremoto que desencadeou graves problemas nucleares, e demonstra-nos como é possível ainda ser socialmente correto. Faz-nos pensar que força é essa que permite ficar quatro horas numa fila, comprar um só pacote de leite, deixando lá dois para quem possa também necessitar? Alguém da natureza humana dita civilizada roubaria os três pacotes e iria vendê-los no mercado paralelo devidamente inflacionados. Se Darwin fosse vivo, iria neste acontecimento descobrir uma nova espécie, que está uns degraus acima na pirâmide civilizacional: o povo japonês, que, com toda a sua dignidade, faz o mundo, envergonhado, pensar.
Júlia Baptista, Seixal, Portugal

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[Portugal] Campanha eleitoral: o que vem por aí.

José Pacheco Pereira
Deputado Francisco Assis, PS. Foto: Mário Cruz/Lusa
PS – Tem a linha mais clara de orientação em campanha: nós somos patriotas e eles querem os estrangeiros a dominar o nosso País. Nós estávamos a fazer tudo bem, até que a “irresponsabilidade” trouxe raios e coriscos sobre as nossas cabeças. Por que é que “ele” querem o estrangeiro? Porque assim a culpa das medidas “liberais” e dos seus efeitos (privatizações, despedimentos, cortes de salários e pensões) será do FMI e não do PSD. E depois vem o resto: o PSD quer acabar com a saúde para todos, com a escola pública, despedir milhares de trabalhadores, pôr na rua os funcionários públicos, etc., etc.
A campanha do PS tem gigantescos óbices – a começar por ter que responder pela governação -, mas o PS vai fazê-la a partir do que acontecerá desde a queda do Governo, esquecendo o antes. E, como vários cataclismos vão acontecer, eles funcionarão a favor do esquecimento. E, depois, se há coisa em que Sócrates é bom é nisto.

Pedro Passos Coelho, PSD
PSD – Como fará campanha? Não sei e ainda não percebi. Reconheço que será, do ponto de vista discu4rsivo, uma campanha muito difícil, em que o move o voto contra o PS (a monumental recusa de Sócrates) será sempre prejudicado pelo avançar de qualquer medida por parte do PSD. Estas, a serem sérias, serão também de austeridade. Do ponto de vista político, a campanha deveria ser o confronto de dois programas de austeridade, que se presume serem diferentes, mas duvido que o vá ser. Nem sequer será Passos Coelho versus Sócrates. Será metade dos portugueses versus Sócrates, sendo o PSD instrumental.

O segredo de polichinelo

Áurea Sampaio

Receia-se que uma escavadela na contabilidade de Teixeira dos Santos e Cia. revele buracos negros indesejáveis

1. Lá vamos nós para eleições... outra vez. E vamos às urnas sem estarmos na posse de todos os dados... também outra vez. Como aconteceu em 2002, com Durão Barroso, e em 2005, com José Sócrates, um e outro a prometerem o mundo ao eleitorado e a desfazerem as promessas logo que chegaram ao poder. Para quem não se lembra, vale a pena um flashback. Tanto no primeiro caso como no segundo, o governador do Banco de Portugal foi chamado a apurar os valores reais do défice, após cada ato eleitoral, tendo concluído por dados alarmantes, em ambas as situações. O então líder do PSD ficou tão estupefacto com os resultados que retratou lapidarmente a situação com uma frase sem hipóteses de qualquer leitura enviesada: "O País está de tanga!", vociferou. E tratou de aumentar impostos.

Alguns anos depois, Sócrates, que tinha passado a campanha eleitoral a garantir que o aumento da carga fiscal era coisa para incompetentes, não recorreu a plebeísmos, quando Vítor Constâncio fez saber que os números eram deprimentes. Mas decidiu fazer subir, de imediato, a carga fiscal sobre os portugueses, mesmo sabendo que tal medida contrariava a opinião de Campos e Cunha, o seu ministro da Finanças, que acabou por se demitir.

Ilusão e realidade

Merkel & Cia impõem agora o 4.° PEC e amanhã o 5.° e depois o 6.°... Neste momento, já não somos senhores do nosso destino coletivo
Depois de ter deliberadamente provocado uma crise política, Sócrates apresentou-se ao País com o discurso do "eu ou o caos". Ao chefe do Governo convém eleições o mais rapidamente possível. Ele sabe que, à medida que o tempo passa e que as dificuldades das pessoas vão crescendo, diminuem as probabilidades de recuperar os votos perdidos - e já está naquela fase em que perde muitos votos diariamente. Com esse objetivo, Sócrates não hesitou em passar por cima de toda a gente, qual rolo compressor descontrolado. Humilhou o Presidente da República e o Parlamento, gozou com o PSD e ignorou, olimpicamente, a restante oposição. Mas não só. Teve a suprema desfaçatez de não dar cavaco ao seu próprio Governo (palpite: talvez só mesmo a gente imprescindível como Teixeira dos Santos e de absoluta confiança como Silva Pereira e Santos Silva) e, acima de tudo, de não informar os portugueses, ou seja, os visados pelas medidas extremas que prometeu a Bruxelas.
Se, ao contrário do que diz, o primeiro-ministro quisesse evitar uma crise política, teria justamente feito o inverso do que fez. Teria tomado os portugueses por gente crescida e de bom senso e, antes de ir a Bruxelas, dir-lhes-ia o que estava a acontecer: as exigências dos nossos parceiros comunitários em troca do acesso ao novo Fundo Europeu de Estabilidade Financeira, os prós e os contras de tais exigências, as ações a empreender por ele próprio e pelo Governo para conseguir o apoio de outras forças políticas. E, sobretudo, tentaria unir e envolver toda a gente num momento de extrema gravidade para o País. Porque a verdade é que estamos à beira da bancarrota, não há que escamotear a situação como Sócrates faz, ao apregoar que Portugal não precisa da ajuda de ninguém. Infelizmente, já estamos há meses a ser "sustentados" pelo Banco Central Europeu e, à medida que o tempo passa e que o nosso saldo negativo se agiganta, vai-se afundando a soberania nacional. É por isso que Merkel & Cia impõem agora o 4.° PEC e amanhã o 5.° e depois o 6.°... Neste momento, já não somos senhores do nosso destino coletivo.

1º de abril - O golpe norte-americano

Laerte Braga

A grande preocupação do governo do presidente Lyndon Johnson e do secretário de Estado Dean Rusk com o Brasil é que, antes de Nixon, haviam percebido a importância do País em toda a América Latina – isso em tempos de guerra fria – e os tempos de euforia entre setores populares dessa parte do mundo com a revolução cubana de 1959.

As chamadas reformas de base que vinham sendo implementadas pelo governo do presidente João Goulart eram entendidas pelo governo dos EUA como o fermento para uma vitória eleitoral em 1965. Acreditavam que no curso dos acontecimentos as diferenças que separavam Leonel Brizola (ex-governador do Rio Grande do Sul e então deputado federal da antiga Guanabara com 25% dos votos do eleitorado) do governador Miguel Arraes (Pernambuco) acabariam por sumir resultando numa aliança que provavelmente faria de Brizola o candidato do antigo PTB a presidente e Arraes seu companheiro de chapa, como vice-presidente.

A constituição de 1946 não estabelecia a necessidade de maioria absoluta dos votos, sendo assim, de um segundo turno entre os mais votados e esse fato já havia sido levantado por Carlos Lacerda na tentativa frustrada de impedir a posse de JK, eleito em 1965 com pouco mais de 30% dos votos.

Como o quadro se completava com uma divisão entre as forças à direita, o golpe de 1964 começou a se delinear de forma concreta bem antes de sua materialização, na posse do próprio Goulart.

Os norte-americanos tinham consciência da aversão de boa parte das forças armadas brasileiras por Goulart (desde o manifesto dos coronéis em 1954 contra o aumento do salário mínimo em 100% e Jango era o ministro do Trabalho).

"Não me convidem para um linchamento!"

Reinaldo Azevedo
As ditaduras costumam ser muito simples porque ou não existe a cultura do direito ou ela serve apenas para justificar o poder. As democracias é que são complexas. Elas nos obrigam a conviver com gente que detestamos. Não é mesmo o fim do mundo? Em meio à histeria geral, peço que vocês prestem atenção a algumas questões deste texto e do próximo.
Muito bem! Todos querem o fígado de Jair Bolsonaro. O clima é de linchamento. O linchamento ocorre quando se julga, se condena e se executa ao arrepio dos tribunais. Já disse o que penso sobre as declarações do deputado. Quem quiser que as procure em arquivo. Seus admiradores ficaram bravos comigo. Fazer o quê? Assim procedi em benefício da clareza, não para exibir como credencial o fato de não concordar com ele.  Não preciso disso. Escrevi contra a revisão da Lei da Anistia, questão bem mais cabeluda.  O Supremo me deu razão. Apontei a inconstitucionalidade da Lei da Ficha Limpa. O Supremo também me deu razão. Não participo de circo!
A minha tarefa aqui é pensar junto com os leitores. Se esperassem de mim que dissesse o trivial ligeiro, estariam em outra página, certo? Acovardar-me porque o caso é difícil? Jamais! Ontem, o presidente da OAB, Ophir Cavalcante, entrou na fila. Emitiu uma nota afirmando que o deputado violou a Constituição. O embate jurídico pode ser bom — se embate jurídico houver. Ophir, como bom presidente da OAB, já julgou e já condenou Bolsonaro. Huuummm… Outro dia, na prática, ele lastimou o fato de a maioria do Supremo ter respeitado o Artigo 16 da Constituição, na sessão sobre o Ficha Limpa. Já houve um tempo em que a OAB buscava o direito achado na lei. Hoje, busca  direito achado no clamor das ruas — ou da Internet.
Desde logo, observe-se que, no que concerne aos gays, por mais cretinas que sejam as opiniões de Bolsonaro, ele tem o direito de emiti-las — e não só por causa da imunidade parlamentar, não! Os que se opõem a seu pensamento que o combatam. Na democracia, é assim que funciona. Vamos à questão do racismo e à Constituição.
O que diz a Carta no inciso 42 do Artigo 5º?

sábado, 2 de abril de 2011

Mais de 300 pessoas levantam a voz pela liberdade em Angola

Central 7311

Mais de 300 pessoas manifestaram-se hoje, 2 de Abril, no Largo da Independência, em Luanda, pela LIBERDADE DE EXPRESSÃO em Angola.
De acordo com os promotores, e tal como podemos ver no video, mais de 300 pessoas juntaram-se hoje no Largo da Independência para exigir Liberdade de Expressão em Angola. Os manifestantes fizeram um cordão humano à volta de todo Largo da Independência, rodeando a estátua de Agostinho Neto, gritando “O povo unido jamais será vencido” e “Zedu fora!”.




Título, Imagens, Texto e Vídeo: Central 7311/Angola
Leia mais » http://centralangola7311.net/
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Em Angola existe vida além da família Santos...

O que Merkel não sabe sobre Sócrates

Foto: Wolfgang Kumm/EPA

Revista Sábado
José Sócrates não consegue viver sem inimigos. Depois do Presidente da República, do PSD, dos “mercados” e do FMI, esta semana arranjou um novo: os jornalistas que têm a impertinência de fazer perguntas sobre a crise. Na conferência de imprensa que deu no fim do Conselho Europeu, levantou o dedo, bateu com a mão na mesa e acusou os repórteres que o questionavam de estarem “do lado dos especuladores” e de “pretenderem apenas enfraquecer a posição portuguesa”.
Se este exercício delirante de autoritarismo fosse feito apenas em São Bento, não haveria grandes problemas, uma vez que os portugueses já se habituaram a dar-lhe uma importância relativa. Mas, desta vez, estavam na audiência jornalistas estrangeiros, que seguramente tomarão este comportamento exótico como mais uma demonstração de fraqueza de um Governo que está a esgotar a sua capacidade de resistência.
O ministro das Finanças também tem ajudado a criar essa imagem de desespero. Depois de ter passado os últimos anos a garantir que os contribuintes portugueses não pagariam 1 cêntimo por causa do BPN, admitiu agora que, afinal, é preciso cobrar um buraco de 2 mil milhões de euros. Não o fez num ataque súbito de sinceridade – fê-lo pressionado pelo Eurostat, que, por causa de truques como este, obrigará Portugal a rever a previsão do défice. Além do BPN, os prejuízos das empresas públicas de transporte levarão esse valor para 8%, sendo que o Governo tinha falado em 7,3% e, depois de uma execução orçamental “extraordinária”, reduziu esse valor para uns surpreendentes 6,9%.
Como se vê, a coleção de inimigos imaginário do Governo não para de crescer. O mais desejado, porém, ainda terá de esperar: Para já, tem que lhe obedecer, mas se a chanceler Merkel continuar a ser derrotada nas eleições no seu país e a perder força política. José Sócrates não hesitará em juntá-la à lista de aliados do FMI.
Editorial, Sábado, nº 361, 31 de março a 6 de abril de 2011
Digitação e Edição: JP

[Da série "A vida que levei.."] 20º capítulo: O meu tio Almeida

Primeiro capítulo:
O hastear da bandeira portuguesa no vapor Energie (pertencente à Alemanha) pela marinha portuguesa, quando Portugal entrou formalmente na Primeira Grande Guerra.
Ontem, me lembrei do tio Almeida. Conheci-o em Luanda. Trabalhava na Marinha. Tinha uma grande gaiola com periquitos. Era casado com a minha tia Almerinda - não me lembro mais de quem era irmã.
Por ocasião da independência de Angola, o casal mudou-se para Almada, Portugal. Também o visitei lá, por duas ou três vezes.
Me lembro da sua bonita letra. Era um prazer receber e ler as cartas do tio Almeida.
Meus pais pouco o apreciavam. O restante da família tampouco... Mais tarde descobri as causas. Apesar da idade dele, ele ainda era soldado ou cabo da Marinha, não avançava na carreira militar. Era um questionador implacável. Anti Salazar. Ateu convicto. Comunista, falava-se. Não se conformava. Sempre havia alguma coisa que o incomodava (num conceito social, coletivo) e ele reclamava, reclamava. Eu me lembro bem da maneira como argumentava: articulada, exaltada, embasada. Suas distrações favoritas eram, além da leitura, o xadrez e o jogo de baralho "sueca". Embora fosse um doce de pessoa, a família não o via assim. Era tido como ranzinza. Porque a família partilhava outros valores e outra percepção: estava tudo bem em Angola, Salazar era ótimo, Portugal era um país perseguido pela ONU e pelos comunistas...
O tio Almeida morreu reclamando de Salazar e de outros fascistas. Quase teve um troço quando me viu com a farda da Mocidade Portuguesa. Nunca se calou, mesmo à custa de parecer um intolerável impaciente em rodas sociais.
Se ele fosse vivo nos dias atuais, com certeza que teria um blogue, muito bem organizado, disparando contra ditaduras, disfarçadas ou não, contra as injustiças, contra as manipulações.
Pois ontem, meu querido Diário, me lembrei do meu tio Almeida. Quando eu crescer sonho em me parecer com ele, mesmo que vagamente.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

A hipocrisia do PT (e assemelhados) em instigar o "linchamento" do deputado Bolsonaro

Não é novidade para ninguém que o cinismo é marca indelével da classe política brasileira, porém, alguns petralhas estão extrapolando na cafajestada, ao tentar tirar proveito eleitoreiro do infeliz episódio em que o deputado Jair Bolsonaro (PP/RJ), respondendo uma pergunta de Preta Gil, sobre a possibilidade de seu filho ter um relacionamento gay, afirmou que não discutiria promiscuidade com a cantora. Ávidos em "fazer média" com as ditas minorias, alguns manjadíssimos petralhas resolveram posar de defensores dos negros e dos gays, e caíram de pau sobre deputado carioca, inclusive levantando a possibilidade de ele perder o mandato por falta de decoro. Estranhamente, estes mesmos petralhas que hoje se arvoram de defensores dos gays, e acusam o deputado Bolsonaro de racismo e homofobia, não foram tão diligentes na representação do papel de "paladinos da causa" quando, em tempos passados, o ex-presidente Lula disse, no ano 2000, em episódio gravado pela TV, que o município de Pelotas-RS era um "polo exportador de veados", ou mesmo quando a hoje senadora Marta Suplicy, então em disputa eleitoral pela Prefeitura de São Paulo, em 2008, insinuou que o seu adversário, Gilberto Kassab, era gay, sob o ridículo argumento de que ele, apesar da idade avançada (?), continuava solteiro e sem filhos. Nestas duas ocasiões, os mesmos petistas que hoje estão transbordando de indignação, usaram aquela cínica estratégia lulista de fingir que não sabiam de nada, e partiram, na maior cara de pau, para o "esquema de abafa". Dá para acreditar nessa caterva?
Júlio Ferreira
Recife - PE
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[O cão do Sócrates] A engenharia da Greve Geral

António Ribeiro (O cão de Sócrates)
O meu dono não viu a greve geral de 24 de novembro de 2010. Passou o dia fechado no seu gabinete a ver uma longa-metragem. É um filme de 17 horas que foi preparado pelos seus assessores e intitulado O Dia Mais Longo e Lindo e que tem na capa da caixa (com quatro DVD) uma fotografia do sr. Primeiro-ministro muito sorridente, mais novo e sem olheiras. Não é a primeira vez, desde que cá estou, que o meu dono vê este filme. Sempre que há um grande momento de crise no país o sr. Primeiro-Ministro liga o leitor de DVD e enfia-se no gabinete a ver o filme. Eu já o tentei ver duas vezes, mas acabo sempre por adormecer ao fim de 10 minutos. A primeira vez foi quando saíram as notícias maldosas que punham em causa o diploma do meu dono (neste caso esteve dois dias a ver o filme!), a outra quando fizeram aquela malandrice de dizer que o sr. Primeiro-ministro tinha feito uns favorzinhos para acelerar a construção de um centro comercial na outra banda.
Desta vez prometi a mim mesmo que ia ver o filme de uma ponta a outra. Passei a manhã a entrar e a sair dos gabinetes cá da casa a lamber todas as chávenas de café que encontrei e em vez de me deitar de barriga no chão, como fiz das outras vezes, fiquei sentado a olhar para o ecrã de televisão. O filme é uma colagem de imagens de arquivo da emissão da RTP do dia 20 de fevereiro de 2005 sobre as eleições legislativas que o meu dono ganhou com 45 por cento dos votos. Lá aparece o engenheiro Sócrates a votar (esta imagem repete-se mais 5 vezes ao longo do filme), o engenheiro Sócrates a comentar o ato eleitoral (4 vezes), o engenheiro Sócrates reunido na sede do partido (7 vezes), o dr. Santana Lopes a reconhecer a derrota do seu partido e a felicitar o engenheiro Sócrates (12 vezes), o discurso de vitória do engenheiro Sócrates (14 vezes) e a aparição vitoriosa do engenheiro Sócrates à janela do hotel (23 vezes). A parte final do filme (acho que ocupa todo o quarto DVD) mostra a tomada de posse do sr. Primeiro-ministro e o discurso que fez nessa saudosa cerimónia (25 vezes). Foi assim que o meu dono passou o dia da greve geral. Eu fiquei contente por ter aguentado a maratona de DVD sem adormecer, embora depois tenha dormido 14 horas seguidas.

O destino

Luiz Felipe Pondé

O destino humano é sobretudo fisiológico. Carregamos moiras em nossas células. Kafka tinha fixação em janelas como o lugar onde se envelhece. Seus “heróis” envelhecem na janela à espera da resposta acerca de seu próprio desaparecimento. Esse desaparecimento é uma das formas de o destino se revelar enquanto ainda estamos vivos: o envelhecimento. A vida moderna, voltada para o progresso, mostra a sua ambiguidade de forma grotesca no modo como se relaciona com o destino fisiológico do ser humano, que é virar pedra.
Nunca tivemos nas mãos tantas técnicas para retardar o envelhecimento nem tanta consciência de nossa nulidade. Envelhecer hoje nada significa porque o idoso não é mais o narrador da vida. Ele nada mais é do que um corpo que cai no reino mineral. E são tantos os idosos que já sabemos que a maioria deles nada sabe e nada vale como narradores porque eles mesmos querem “aprender” com os mais jovens. Um mundo que endeusa o futuro (os mais jovens) é um mundo sem futuro. Quanto mais exaltamos as tecnologias da juventude, mais declaramos que a vida é um nada que despenca no abismo. A diferença é que hoje sabemos (ou achamos que sabemos) que os idosos nada sabem e, portanto, nada valem.
Uma sociedade como a nossa, em que o jovem é o critério de valor, necessariamente esmaga qualquer dignidade possível do envelhecimento. Quando um pai ou uma mãe quer ser como o filho ou a filha, ele ou ela nega o futuro para sua prole porque demonstra, na sua ridícula esperança de eterna juventude, que não vale a pena viver.
Luiz Felipe Pondé, in “Contra um mundo melhor – ensaios do afeto”, página 132
Digitação: JP
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Cristiano Ronaldo é vendido à Espanha para pagar a dívida

1º de Abril do The Independent: Portugal “vende” Ronaldo a Espanha para ajudar a pagar a dívida

Público
Esta podia ser a transferência mais surpreendente da história do futebol, mas é apenas a notícia do 1.º de Abril do diário britânico “The Independent”.
“Portugal ‘vende’ Cristiano Ronaldo a Espanha por 160 milhões de euros para reduzir dívida”, é o título da notícia publicada pelo jornal nesta sexta-feira. “Numa acção que, segundo alguns observadores, ‘vai levar à destruição do Campeonato do Mundo’, Cristiano Ronaldo concordou em ‘agir como um patriota’ e ser vendido ao país vizinho por 160 milhões”, pode ainda ler-se no mesmo texto.
O “The Independent” escreve ainda que a verba em causa, mesmo sendo o dobro do que o Real Madrid pagou ao Manchester United em 2009, é uma gota de água no oceano de 12 mil milhões de dívida do Estado português. “Sócrates, agora líder de um governo de gestão, acredita que os mercados internacionais vão tomar isto como um sinal da determinação de Portugal em combater a crise”, escreve o mesmo jornal.
A notícia do 1.º de Abril do “The Independent” ressalva que, embora não haja história de uma “transferência” de um futebolista entre dois países, há um longo historial de jogadores que trocaram de nacionalidade. Um adepto anónimo citado pela ficção britânica, porém, não concorda com a “compra” de Cristiano Ronaldo: “Se vamos comprar um estrangeiro, devíamos comprar o Lionel Messi”.
Porém, termina o texto do “The Independent”, David Cameron poderia estar a preparar uma contra-proposta de 200 milhões de libras (226,5 milhões de euros) para persuadir Cristiano Ronaldo e jogar por Inglaterra. “Ele fez-se uma estrela na Premier League”, teria dito o primeiro-ministro britânico.
Texto: Público, 01 de abril de 2011

A animadíssima conversa dos gêmeos

É uma conversa de gente de fraldas, mas ninguém duvide que é uma conversa. Dois bebés de 17 meses são as novas estrelas do YouTube, depois de terem sido filmados na cozinha numa animada troca de “palavras”. Eles riem, gesticulam, mas não há tradutor que consiga saber se estão a falar de papa, fraldas ou brinquedos. As imagens já foram vistas por mais de 6 milhões de pessoas em pouco mais de um mês e têm suscitado um debate na Internet sobre a linguagem dos gémeos mais pequenos. O que os pais, Sam e Wren, não dariam para saber o que quer dizer dá-tá-tá-tá, dá-dá...
Texto: Público, 31-03-2011

"O Governo estava ansioso por ser derrubado, para se libertar do aperto crescente da falência"

Portugal tem uma crise financeira urgente, uma crise económica estrutural e uma crise social latente. Mas o que ocupa todos é a lúdica crise política. Nessa, o mais espantoso é dizer-se que a demissão do Governo marca o início do combate, quando realmente assinala um compromisso e acordo de cavalheiros.
Nos últimos meses viveu-se uma magna encenação, em que cada discurso dizia precisamente o inverso do desejo íntimo do orador. O Governo estava ansioso por ser derrubado, para se libertar do aperto crescente da falência; mas não mostrava tal desejo, querendo poder acusar a oposição disso. A Oposição queria que o Governo se mantivesse em funções, acumulando o odioso da austeridade, mas sem pretender as culpas da sua manutenção.
Esta comédia de enganos tinha uma data limite: o pedido de ajuda externa. O jogo acabaria quando fosse imperioso chamar o FMI, a fatídica ameaça que José Sócrates repetidamente demonizava, assegurando que a exorcizara. O jogo de nervos subia de tom, cada lado atirando a culpa para o outro.
No dia 23, o acordo. O Governo subiu a parada de austeridade para lá do admissível e a Oposição aceitou a responsabilidade pelo derrube político. Assim os dois lados dividiram as culpas e, melhor de tudo, abriram um período intermédio, uma terra de ninguém, onde se chamará o FMI e as medidas duras, sem que ninguém possa ser acusado. O actual Governo, que pede a ajuda, dirá que o fez forçado pela irresponsabilidade de quem o derrubou. O próximo aceitará o facto consumado de que se dirá inocente.
João César das Neves, Destak, 30-03-2011

Sindicalismo no Brasil - Resumo histórico

Foto: daqui
Ronald Santos Barata
Normalmente, o movimento sindical tem períodos de ascensos e os de paralisia, fraqueza. No Brasil, tivemos páginas memoráveis, grandes lutas e vitórias, com suporte de grupos políticos, organizados em partidos ou não, como no início do século XX, com grande atuação dos anarquistas. Em 1906, foi criada a primeira central sindical brasileira, a COB-Confederação Operária Brasileira que se filiou à AIT-Associação Internacional de Trabalhadores, organização revolucionária, a Primeira Internacional. Em 1922 foi criado o Partido Comunista do Brasil. Importantes conquistas com a Revolução de 1930.

Após fase de descenso, o movimento sindical brasileiro cresceu nas décadas de 1950/60, com grandes campanhas e conquistas: a LOPS, a criação do CGT-Comando Geral dos Trabalhadores, greve geral, 13º Salário etc. Veio novo retrocesso, com a ditadura de 1964, mas, mesmo sob forte repressão, atuou nas lutas políticas e sindicais, pelo fim do AI-5, pela anistia, movimentos de base, as greves de Osasco e Contagem em 1968 etc.

Depois de um “racha” no CONCLAT de 1982, em 1983 foi criada a CUT-Central Única dos Trabalhadores que, por cerca de uma década, foi vanguarda da classe trabalhadora brasileira. Mas, ao contrário da COB, filiou-se à CIOSL-Confederação Internacional das Organizações Sindicais Livres, que tem vínculos com a CIA – Central Intelligence Agency. Possui organismos regionais como a ORIT-Organização Regional Internacional de Trabalhadores, para a América Latina. O Comitê de Direção e a Comissão Executiva da CIOLS são presididos pelo Sr. John Sweeney, presidente emérito da AFL-CIO – American Federation of Labour and Congress of Industrial Organization, Central sindical norte-americana e canadense; ele preside também o Comitê Consultivo Sindical da OCDE-Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico. A vice-presidente emérita da AFL-CIO, Laura Chavez-Thompson, preside a ORIT.

Os verdadeiros culpados


Soube pela imprensa do que eu gostaria muito que fosse uma piada de mau gosto, mas não é, e na última semana do mês de Agosto prescreverá o crime de formação de quadrilha no processo, em andamento no Supremo Tribunal Federal, do chamado “Mensalão do PT”.
Com isso, 22 dos 38 acusados estarão livres dessa acusação. Diz a matéria de um dos jornais de maior circulação no país, que pelo cronograma informal do relator do processo, ministro Joaquim Barbosa, o processo só estaria pronto para ser colocado em pauta no segundo semestre de 2012, mas, em decorrência do período eleitoral, o julgamento ficaria para 2013.
Segundo o jornal, nos últimos meses diversas articulações vêm ocorrendo para contribuir com o esvaziamento do processo, como a indicação do ministro Luiz Fux ao Supremo Tribunal Federal, e a indicação por Dilma Rousseff de mais dois membros da Corte que deve ocorrer antes do julgamento, e integrantes do governo dizem que, para essas indicações, haverá a mesma preocupação com o caso.
Como há dificuldades em obter provas de todas as denúncias, os ministros consideram ser praticamente impossível condenar José Dirceu por corrupção ativa, pois com a prescrição da acusação de formação de quadrilha não haverá mais acusações contra ele.
Percebe-se ainda, claramente, diversas manobras para fortalecer membros do PT réus no processo, como José Genoino e João Paulo Cunha. Como que por provocação, o atual governo, ao que parece, escolheu a dedo onde colocar esses acusados.

Ó Sócrates, lê isto aqui!

Defender Portugal é recusar o beija-mão à senhora Merkel
Por culpa própria, Portugal afundou-se em défice e dívida excessivos. Quem concedeu crédito de risco devia pagar parte da factura: Berlim não deixa

José Sócrates e Angela Merkel. Foto: Agência Lusa/i
O primeiro-ministro irlandês Enda Kenny deveria governar Portugal. Só um político inteligente e corajoso ameaçaria, como ele fez e bem, impor perdas aos credores prioritários dos bancos para não carregar o fardo das dívidas privadas sobre os contribuintes. Ainda que numa escala inferior, o equivalente funcional dos bancos irlandeses chama-se, em Portugal, BPN. A nacionalização do banco por um governo pouco avisado ameaça cavar ainda mais o buraco orçamental, na ordem dos 2 mil milhões de euros.
Facto notável: um dia após a ameaça de Dublin, o Banco Central Europeu anunciou a criação de um mecanismo para assistência de liquidez de médio prazo aos bancos em reestruturação. E fê-lo porque as potências da Europa têm muito a perder se um membro do euro decidir, unilateralmente, reestruturar dívida - embora esse seja um dos seus poderes soberanos. Os maiores bancos europeus, sobretudo os alemães, teriam de encaixar as perdas e fazer aumentos de capital, o que obrigava os governos a injectar dinheiro público nesses bancos.

Regras sobre os castigos (aos filhos)

Alguns pais têm dificuldade em aplicar um castigo aos seus filhos. Na altura de o fazer, diz-me a minha experiência, muitos caem, ingenuamente, num erro tremendo que, no entanto, pode ser evitado.
 Se um filho se portou mal e a mãe o avisa de que vai ficar de castigo, o pior que ela pode fazer é oferecer vinte explicações para estar a avisá-lo. Muitas mães não resistem a explicar ao seu filho, pela vigésima vez, por que razão não deve bater nos irmãos, ou porque não deve fazer batota, ou ainda porque não pode comer na sala.
Mas o que estas mães não sabem é que muitas explicações são normalmente interpretadas pela criança como a mãe estar a "implorar" para que o filho se porte bem. Se chega a hora do castigo, a criança sabe muito bem que não se portou bem e a mãe não tem dúvidas de que aquele comportamento não deve ser repetido, o castigo deve ser aplicado sem mais explicações. Nada mais é necessário, apenas acção.
Se for bem aplicado, ficar de castigo não provoca qualquer tipo de "trauma psicológico" na criança. Pode frustrá-la, isso sim. Mas aviso já que é impossível educar um filho sem o frustrar de vez em quando. Não propositadamente, mas faz parte de ser pai ou mãe fazer ver aos nossos filhos que não podem ter tudo aquilo que desejam - e isso implica, por vezes, que fiquem frustrados, quando as suas expectativas não se realizam. Mas isso também os ajuda a crescer.
Texto: Paulo Oom, Jornal "i", 31-03-2011

A próxima campanha eleitoral não augura nada de novo

Esta legislatura foi certamente uma das mais frustrantes da vida parlamentar portuguesa, improdutiva e destrutiva, marcada desde o início por um governo sob condição suspensiva, vivida sempre a prazo em iminências várias de irrupções anunciadas, recheada de erros e contradições, com a oposição incapaz de derrubar o Executivo e a transferência das iniciativas nesta matéria para a esfera do Presidente da República através dos mais mirabolantes cenários. Até a avaliação dos professores, questão resolvida a nível dos princípios, e politicamente é isso que interessa, se esboroou já na finalíssima numa encenação em que todos pareciam ter perdido os papéis e já ninguém conseguia ouvir o "ponto". 
Sem questionar o facto de a sequência dos acontecimentos, de que todos os lados são mais ou menos responsáveis, não poder conduzir com grande probabilidade a outro final, são muitas as perguntas sem resposta, demasiadas se pensarmos na dimensão da crise que se abriu e de quão pouco as suas possíveis soluções estão nas nossas mãos ou dependem de nós. A primeira tem a ver com o tempo. Se há sentimento que nos tem que dominar hoje mais do que nunca é o da urgência, de um tempo que nos foge ou de uma moratória que já nem sequer nos é dada. Quanto tempo alienámos com esta crise, do tempo que já não temos, no pior momento, nas piores condições de fragilização negocial e da nossa credibilidade quanto a sermos parte da solução e não só do problema? Que pensar de um país que se faz representar por um primeiro-ministro que em nome dele se compromete com o PEC IV, que dias depois se apresenta de novo demissionário junto com o seu putativo sucessor, para o mesmo compromisso que apesar de ter sido o motivo da crise continua em cima da mesa da mesmíssima maneira? Como bem disse Luís Amado, "estamos há demasiado tempo a jogar aos dados com o destino da economia portuguesa e dos portugueses". Sendo assim, como é, este foi um lance de altíssimo risco sobretudo pela sua difícil gestão externa e interna: desde a colocação da dívida a 15 de Abril e a 15 de Junho até à cimeira de final de Julho em que se tomarão decisões sobre a constituição do fundo europeu de estabilização, passando pelo desconhecimento sobre a nossa real situação financeira e as dificuldades acrescidas para uma execução orçamental rigorosa num clima interno de desânimo e frustração que pode mesmo tornar-se perigoso, pelo descrédito das instituições políticas e dos seus protagonistas, do crescente cepticismo dos cidadãos em relação ao valor da política ou à eficácia da democracia para resolver os reais problemas dos seus duros quotidianos. 

Ex-trabalhadores da Varig "comemorarão" o QUINTO aniversário da intervenção no Instituto AERUS de Seguridade Social

MOVIMENTO ACORDO JÁ! CONVIDA:

DIA 12 DE ABRIL DE 2011, CINELÂNDIA, A PARTIR DAS 15h 
MANIFESTAÇÃO DE PROTESTO PELOS 5 ANOS DO PROBLEMA AERUS/VARIG


Venha participar caro Variguiano e Variguiana.
Traga a sua família e venha participar desta Manifestação na Cinelândia, dia 12 de abril de 2011, a partir das 15 horas.
O SINDIPETRO/RJ está nos apoiando nesta nossa Manifestação - Petroleiros do Rio de Janeiro ao lado dos Trabalhadores da VARIG.
Já nos conseguiram um carro de som
Nossa Manifestação será Pacífica, mas isto não impede que nós, Trabalhadores da Varig, coloquemos nossas vozes contra este absurdo que foi feito contra todos nós.

SÃO 5 ANOS DE DOR E SOFRIMENTO

APOSENTADOS, PENSIONISTAS, DEMITIDOS VARIG E FAMILIARES VENHAM PARTICIPAR DESTA MANIFESTAÇÃO PELOS 5 ANOS DA INTERVENÇÃO DO AERUS E DA LIQUIDAÇÃO DOS PLANOS I E II DA VARIG.

Venha participar. Não fique em casa reclamando.
Temos que sair para as ruas e botar a boca no trombone.

Que outros estados do Brasil onde existam Trabalhadores da VARIG façam o mesmo.
São Paulo, Porto Alegre, Bahia, Recife e etc... Façam também as suas Manifestações!

MOVIMENTO ACORDO JÁ!
Lutando por todos os Trabalhadores da VARIG.



Iniciativa, Fotos, Texto e Formatação: Paulo Resende
Edição: JP