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| Foto: Petrobras/Divulgação |
Giulia Fontes
Contrariando a euforia inicial
do mercado financeiro, o primeiro ano de mandato de Jair Bolsonaro (PSL) acabou
resultando em uma tímida recuperação na economia do país. Se, no começo do ano,
a expectativa era de que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro tivesse
crescimento de 2,5%, o último boletim Focus, do Banco Central, por outro lado,
mostra um humor mais cauteloso. Agora, as projeções dos analistas são de um
crescimento de 0,91% em 2019, com uma aceleração mais importante no ano que
vem, de 2%.
O "choque de
realidade" que fez o mercado rever suas projeções foi amenizado
principalmente por quatro medidas efetivas do governo para aquecer a economia:
reforma da Previdência, liberação do saque do FGTS e do PIS/Pasep, 13.º do
Bolsa Família e o megaleilão da cessão onerosa do pré-sal, agendado para esta
quarta-feira (6). Entre elas, somente a reforma da Previdência tem caráter
estruturante, com perspectiva de mudanças de longo prazo.
A reforma foi fundamental para
reduzir a incerteza fiscal no país. Com ela, o mercado começa a ver uma
trajetória de dívida pública que começa a entrar nos eixos. Isso permite que o Banco
Central siga cortando juros, o que nos fez revisar para cima a previsão de
crescimento no PIB do ano que vem", diz Luka Barbosa, economista do Itaú
Unibanco. A previsão da instituição é de que, em 2020, a economia cresça 2,2% –
antes da reforma, a expectativa era de 1,7%.
As outras três medidas do
governo injetam recursos na economia no curto e médio prazo, mas não
necessariamente melhoram o cenário econômico país de modo mais profundo.
"São medidas paliativas. É um choque que vai haver agora, ajudando no
incremento do comércio, dos serviços e do consumo das famílias. Mas não sei se
isso vai continuar puxando o PIB de maneira mais forte no futuro", analisa
Giulia Coelho, economista da 4E Consultoria.
Na mesma linha de
argumentação, Vitor Vidal, economista da LCA Consultores, considera que as
ações da equipe econômica de Paulo Guedes são relevantes não tanto do ponto de
vista do impacto direto, mas sim do aumento da confiança dos investidores na
economia brasileira. "O que fica mais evidente é alguma condição de
elevação mais permanente da confiança. Em um ambiente em que há melhora de
expectativas, pode haver uma aceleração mais intensa do PIB", avalia.
Veja em detalhe as principais medidas de estímulo à economia anunciadas
pelo governo em 2019, além da reforma da Previdência, e seus impactos no PIB:
Saques
do FGTS e do PIS/Pasep: impacto pontual no PIB
A liberação do dinheiro
depositado nas contas do FGTS foi anunciada pelo governo em julho, por meio de
uma medida provisória. Duas modalidades de retirada foram estabelecidas: a
imediata, que permite que o trabalhador saque até R$ 500 de cada conta que possuir
no fundo, de acordo com calendário divulgado pela caixa; e o saque-aniversário,
que muda as regras para resgate dos recursos, permitindo que o contribuinte
retire, anualmente, uma parcela do saldo.