quinta-feira, 4 de junho de 2020

Não, Martin Luther King não defendia protestos violentos

Kyle Smith

Entre os mais desprezíveis truques retóricos da última semana está o uso das palavras de Martin Luther King Jr. a fim de incluí-lo entre as pessoas que defendem os protestos violentos. Celebridades, ativistas, importantes instituições da imprensa e até o Centro Martin Luther King Jr. estão participando de uma campanha mentirosa, citando a fala de King, segundo a qual “o protesto [violento] é a linguagem daqueles que não são ouvidos”, mas tirando a frase do contexto em que foi dita. King não defendia tumultos e arruaças.

Foto: Pixabay
A expressão “linguagem daqueles que não são ouvidos” consta no discurso “A Outra América”. Há duas versões desse discurso. Uma foi proferida em 14 de abril de 1967, em Stanford, e a outra no dia 14 de maio de 1968, na escola Grosse Point South. Os discursos pedem melhores condições de vida para os negros, e não apenas igualdade perante a lei. King não defendia os arruaceiros; ele dizia que havia uma compreensível raiva em suas ações. Na versão de Stanford, King disse:

Preciso condenar veementemente as condições que levam as pessoas a sentirem que precisam se envolver em protestos violentos, assim como preciso condenar esses mesmos tumultos. Acho que os Estados Unidos têm de entender que esses protestos violentos não surgem do nada. Ainda existem em nossa sociedade certas condições que têm de ser condenadas com a mesma veemência com que se condena a violência. Porque, no final das contas, a arruaça é a linguagem daqueles que não são ouvidos. E o que é que os Estados Unidos não estão ouvindo? O país não está ouvindo os suplícios do negro pobre, cuja situação piorou nos últimos anos. O país não está ouvindo a reclamação de que as promessas de justiça e liberdade não foram cumpridas.

Tais palavras talvez não fossem consenso na época de King, mas hoje em dia encontrariam pouca resistência. Longe de ser um radical, em 2020 o que King sentia parece óbvio. Os protestos violentos dos últimos dias não surgiram do nada. Em geral, arruaças não surgem do nada. Mas, apesar da revolta quanto à morte de George Floyd em Minneapolis ser compreensível, é contraproducente recorrer aos saques, incêndios e vandalismo despropositados, sendo que em alguns casos nada disso foi motivado por conflitos raciais com a polícia, e sim pelo eterno desejo niilista de ver o circo pegar fogo primeiro e propor soluções depois.

Hub City Riot Ninjas

A young overclass gets dressed up to join the burning

Michael Lind

What is behind the riots? The violent riots emerging from peaceful protests that have swept liberal, Democratic big cities across the United States in the aftermath of the horrifying death of George Floyd in the custody of the Minneapolis police on May 25 can only be understood in the context of the evolving class structure of American and Western European society. In my recent book The New Class War and the essays on which it was based in the journal American Affairs, I have explained that in the United States and other North Atlantic democracies, the greatest geographic divide is between high-density hub cities and low-density heartlands. The riots are a hub city phenomenon—and so are their most striking participants, affluent young white rioters dressed like ninjas.

Minneapolis, May 28, 2020, photo: Kerem Yucel/AFP/Getty Images

Most factories, warehouses, distribution centers, and new industrial structures like server farms are located in the low-density heartlands, along with industrialized agriculture and energy and mining. The class system in the heartlands tends to be more egalitarian, if only by default, because these regions have relatively fewer rich and poor people as a share of the population than working-class residents. Native-born white citizens are the majority in the decentralized exurban heartlands. However, contrary to the outdated equation of “urban” and “minority” and “poor,” most African Americans and Hispanic Americans belong to the working class and live in the suburbs, exurbs, and small towns.

The hub cities have a radically different social structure than the heartlands. At the top are affluent members of the managerial-professional overclass, which includes well-educated immigrants as well as natives. Their incomes vary, but people with college or post-graduate educations dominate the upper rungs of corporate management, finance, business and professional services, government and the nonprofit sector in hub cities like New York, Washington, San Francisco, Atlanta, Seattle, and Austin.

As young adults, the children of the overclass often spend their 20s in the same few cities, living in gentrified bohemian neighborhoods that used to be factory or tenement districts. Often as they work their way up the cursus honorum of their class, they benefit from elite apprenticeships in the form of unpaid or underpaid internships, which are not available to young people whose parents cannot afford to subsidize them.

The greatest social divide in the United States is that between the overclass with at least a four-year college education, about a third of the national population, and the working class whose education ends with a high school diploma and perhaps a few more years of education or vocational training, regardless of income. These broad categories can be broken down further.

In hub cities like New York and San Francisco, the overclass is divided between what might be called the upper overclass—the well-paid managers and professionals in business and finance—and the lower overclass—made up of civil servants like public school teachers and government administrators who accept modest salaries in return for de facto job tenure and good benefits, including public pensions.

OMS anuncia retomada de testes com hidroxicloroquina para covid-19

Pesquisa que invalidou cloroquina não apresenta argumentos, afirma OMS

Pedro Ivo de Oliveira

Após a análise de um estudo publicado pela revista médico-científica The Lancet, Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), anunciou hoje (3) durante coletiva de imprensa que o grupo responsável retomará os protocolos com a cloroquina e sua variante mais recente, a hidroxicloroquina. 


“Como vocês sabem, na última semana o Grupo Executivo dos Testes de Solidariedade [nome dado ao grupo de pesquisa que busca medicamentos eficazes contra o SARS-CoV-2] decidiu suspender o ramo de testes com hidroxicloroquina por preocupação no uso da droga. Essa foi uma decisão de precaução. Com base nos dados disponíveis, os membros recomendaram que não há razões para suspender o protocolo de testes”, afirmou Tedros.

A suspensão durou 10 dias (o anúncio foi feito em 25 de maio). Os testes com a hidroxicloroquina serão retomados com 3.500 pacientes em 35 países, informou o diretor-geral.

Vários especialistas do mundo inteiro já haviam se manifestado contra a metodologia de mineração de dados usada pela Surgisphere - empresa responsável por coletar números para o estudo. “A OMS está comprometida em acelerar o desenvolvimento de terapias eficazes, vacinas e diagnósticos [contra a covid-19 como parte do nosso compromisso em servir o mundo com ciência, resolução de problemas e solidariedade”, complementou.

Remessa
A decisão vem logo em seguida ao anúncio da doação de 2 milhões de doses de hidroxicloroquina ao Brasil feita pelos Estados Unidos. O presidente americano, Donald Trump, também enviou respiradores mecânicos
Título e Texto: Pedro Ivo de Oliveira; Edição: Narjara CarvalhoAgência Brasil, 3-6-2020, 15h26

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Abandono: Quiosques da praia de Copacabana são ocupados por moradores de rua

Redação Diário do Rio

Os bonitos quiosques da praia de Copacabana, ao serem instalados, poucos anos atrás eram um orgulho para o bairro. Com suas portas deslizantes em vidro, e jardins muito bacanas, atraíam olhares. Com o decurso da quarentena causada pela pandemia, a maioria deles acabou fechando as portas, e agora os frequentadores do bairro reclamam da situação lastimável em que se encontram.

Este é um dos vários quiosques de Copacabana que se transformaram em moradia de moradores de rua e depósito de lixo. Foto: Facebook/Grupo Copacabana Urgente
Diversos dos espaços externos dos quiosques estão ocupados por moradores de rua, que erguem cabanas dentro dos mesmos, criam animais e fazem suas necessidades no chão ou nos vasos de plantas.

Uma moradora de Copacabana chegou a dizer no grupo Copacabana Urgente que tem regado as plantas de um quiosque em frente à sua casa, para que não sequem, como tem ocorrido em diversos deles. Outros moradores reclamam. “O odor é horrível, urina e fezes“, disse a moradora Sônia Jotta, que gosta de correr no calçadão.

São famílias de três a cinco pessoas, habitando nos quiosques e às vezes danificando sua estrutura, além de espalharem o lixo“, diz Severino Pompeu, porteiro de um edifício no Leme.

Para Adriano Nascimento, administrador de um edifício na Avenida Atlântica, a situação tem piorado. “No início, eles hesitaram em invadir as áreas dos quiosques. Mas agora que viram que não dá nada, estão ocupando tudo. Chegam a armazenar lixo nas escadas que descem para os banheiros, que aliás, estão em sua maioria interditados desde o início da quarentena“, diz.

H.S., morador do edifício Camões, na Avenida Atlântica, mostra um quadro pior ainda: “Vendem e usam tóxico ali dentro. Já vi um com um maço de notas, e outro pegando um saquinho com pedrinhas de crack“, atira.

A situação dos quiosques, segundo moradores, já não era das melhores desde os últimos anos da gestão Crivella, que permitiu a ocupação do calçadão de Copacabana por camelôs ilegais que vendem de pão de forma a batidas de cachaça, passeios de barco e mercadorias falsas de todo o tipo. É uma quantidade enorme de camisas falsificadas de times de futebol, shorts “Nike” e “Adidas” (aspas propositais), e contrabando. Pelo menos da venda criminosa de artigos falsificados o calçadão tem estado livre, durante a pandemia.
Título e Texto: Redação Diário do Rio, 4-6-2020

Você se importa mesmo?

Orgulho

Nelson Teixeira

O orgulho encharca o coração do homem de azedume. Iludido sobre si mesmo, supondo-se superior aos seus semelhantes, melindra-se com as ações alheias quando suas vontades não são atendidas, quando a situação foge do seu controle ou lhe provoca um sentimento de rejeição.

Encharcado de sentimentos inferiores, age ou reage negativamente contra quem lhe desperta tais sentimentos, comprometendo seu presente e sua vida futura.

E é por isso que o homem tem colhido tantas dores e sofrimentos – porque nenhum plantio fica sem colheita.
Título e Texto: Nelson Teixeira, Gotas de Paz, 4-6-2020

quarta-feira, 3 de junho de 2020

“A questão do ‘fique em casa’ se aplica a quem pode ficar em casa.”

Waléska Barboza

Tenho evitado falar de COVID e política. Mas preciso dar a minha humilde opinião diante de tanta coisa que tenho visto por aqui. (Facebook)

A questão do “fique em casa” se aplica a quem pode ficar em casa. Se aplica a pessoas que têm o seu “dindin” garantido no final do mês.

(Ah! Não falei, né? Estou desempregada desde 18 de março!)

A questão do “vá trabalhar“ se aplica aos que não têm a opção de ficar em casa.


Vocês sabem por que aconteceu o tal isolamento, ou quase “lockdown”, seus donos da verdade absoluta? Simplesmente para que os governantes brasileiros conseguissem construir hospitais para acolher a população que será contaminada. E não o fizeram por conta da roubalheira! Fala sério!

Vocês, mega inteligentes, acreditaram piamente que “parariam“ o vírus? 😊😊 Façam-me rir!

O único problema no nosso país é que nossos governantes cagam solenemente pro povo! Eles querem o poder absoluto! Querem dinheiro na conta, nos paraísos fiscais! E você, bobão, defendendo seu bandido favorito! Helloooooooo!

Com hidroxicloroquina ou aspirina, nós morreremos quando a vida voltar! Ou vocês, tão ingênuos, achavam que tudo ficaria parado? Em que mundo vocês vivem?

Vocês acreditaram que uma vacina seria criada num estalar de dedos? Me poupem! Em qualquer lugar do mundo uma vacina demora anos até ser aprovada!

O COVID, como tem se repetido desde o início, é um vírus NOVO! Tudo é experiência! Entenderam?

Pela primeira vez… um presidente doido!

Jimi Scarparo

Qualquer um que goze de mínimo bom senso e que acompanha os passos aí desse presidente eleito, se choca com frases descabidas, atitudes “inapropriadas” para um líder de nação, certamente em algum momento pensou: será que votei certo?


Acho que também gozo de uma inteligência mediana, mas também não sou político. Daí me pergunto se, ele sendo político há mais de 30 anos, tudo o que fala ou faz não compõem parte de sua estratégia recorrente de ludibriar aqueles que querem sua queda: bastou subir numa caminhonete, falar meia dúzias de palavras de duplo sentido e pronto, ninguém fala mais do ministro despedido.

Que homem louco, querendo avançar politicamente, peitaria a não tão mais poderosa REDE GLOBO? E o que colhe com isso? Ataques das 7 às 23h diariamente, com toda a sorte de manipulação, distorção e mentiras para culpar o presidente pelos infortúnios do país, até mesmo um vírus. Não seria mais fácil calá-los com umas propagandas governamentais superfaturadas no seu canal? Não, manda seus jornalistas pastarem o lixo que produzem. Que doido esse Bolsonaro!?

Se não bastasse essa insanidade, ele vai além. Resolveu peitar todo o mecanismo, o sistema apodrecido e corrupto, o tal presidencialismo de coalizão, o establishment, o modus operandi de décadas comprando tudo e todos, sugando vampirescamente o sangue dos brasileiros. E não é que esse insano quebrou muitos tentáculos desse monstro, composto por um conluio entre legislativo, mídia e judiciário. Estancou a hemorragia, não aceitando o tal “diálogo” tão defendido pelo não-brasileiro presidente da câmara.

O que ouvimos e vemos é um mecanismo se contorcendo como que prevendo sua morte, agonizando em sua impotência:  Derrota do governo no Congresso; Rodrigo Maia critica o Presidente; Alcolumbre ameaça o Presidente; Ministro do STF decide contra o Governo; Governadores repudiam Bolsonaro; Ministério Público Federal aciona contra decisão do Governo. Agonizam!  Que louco esse Bolsonaro.

E armam na calada da noite, se reúnem aqui e ali, quase loucos para derrubar o louco, mas nada parece funcionar bem. Já dizia Santo Agostinho: “É quase impossível ofender um homem totalmente honesto”.

Era de se esperar, após ter formado a segunda maior bancada do congresso pelo PSL, seu partido de eleição, que se mantivesse lá, mas sai porque percebe manipulação dos quatrocentos milhões do fundo eleitoral que o partido vai receber. Agora temos um presidente sem partido. Que doido um presidente sem partido!

Como um polo repelente da energia oposta, os infiltrados também foram se revelando e vazando: Dória, Witzel, Moisés, Pepa, Bebianno, Mandetta, Frota… a lista é grande, e agora uma facada pelas costas dada por Moro. De novo, incompreensível isso, salvo pela sede precoce de poder deles, não permanecerem do lado daquele que praticamente os elegeram:  o doido do Bolsonaro.

Contos moucos dos loucos (XL) – Chuva

Antes de sair olhou pela janela. Estava chovendo. Pegou o guarda-chuva e saiu.

Morava no 18º andar do Edifício Moretto, no Condomínio Novo Leblon, na Barra da Tijuca, quase fronteira com o Recreio dos Bandeirantes.

Descendo pelo elevador pensava na sua namorada, Roberta Saviano, uma aeromoça italiana que conhecera na praia de Ipanema, em frente ao Country.

O ônibus do condomínio, para a Estação de Botafogo, das 9h20, já estava no ponto em frente. Caminhou até ele.

Não abriu o guarda-chuva, porque, entretanto, parara de chover.

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Bolsonaro diz não estar preocupado em depor à PF

Presidente Bolsonaro afirmou que o inquérito deverá ser arquivado e que o depoimento será presencial ou por escrito

Wesley Oliveira

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira, 3, que não está preocupado com o depoimento à Polícia Federal no inquérito das fake news do Supremo Tribunal Federal (STF). O chefe do Executivo acredita que a investigação deverá ser arquivada.

Foto: Cláudio Marques/Estadão Conteúdo
“Eu acho que esse inquérito que tá na mão do senhor Celso de Mello vai ser arquivado. A PF vai me ouvir, estão decidindo se vai ser presencial ou por escrito, para mim tanto faz. O cara, por escrito, eu sei que ele tem segurança enorme na resposta porque não vai titubear. Ao vivo pode titubear, mas eu não estou preocupado com isso. Posso conversar presencialmente com a Polícia Federal, sem problema nenhum”, disse o presidente.

Aos apoiadores em frente ao Alvorada, Bolsonaro disse ainda que a próxima reunião ministerial vai ser aberta à imprensa.
Título e Texto: Wesley Oliveira, revista Oeste, 3-6-2020, 9h42

Fachin nega pedido da Rede para arquivar ação sobre inquérito das fake news

Em 2019, o partido de Marina Silva solicitou o fim da investigação ao alegar inconstitucionalidade, mas mudou de ideia na semana passada

Cristyan Costa

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Edson Fachin [foto] negou ontem um pedido da Rede Sustentabilidade. A legenda queria arquivar a própria ação que moveu no ano passado.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
À época, o partido de Marina Silva argumentou que o inquérito aberto pelo ministro Dias Toffoli era inconstitucional. O motivo: foi criado sem alvos determinados, entre outros pontos.

Contudo, na semana passada, a sigla informou ao STF que havia mudado de ideia.

Sendo assim, um novo pedido foi enviado depois que uma operação da Polícia Federal, no âmbito do inquérito das supostas fake news, atingiu aliados do presidente Jair Bolsonaro.

Na decisão, Fachin entendeu que, em ações sobre controle de constitucionalidade, o autor não pode retirar o caso de tramitação. Em síntese, a Rede sofreu uma derrota.
Além disso, o ministro afirmou que o tema do questionamento judicial é “indubitavelmente relevante”. E essa ação não pode simplesmente ser retirada do sistema.

“Em relação ao pedido de desistência, o art. 5º da Lei nº 9.868/99, aqui também aplicável por analogia ao sistema uniforme de controle concentrado, veda a desistência da ação direta”, escreveu.
Título e Texto: Cristyan Costa, revista Oeste, 3-6-2020, 9h36

Mandetta ignorou parecer de entidade médica a favor da cloroquina

Documento encaminhado pela Sociedade Brasileira de Cancerologia ao Ministério da Saúde recomendava uso do medicamento em caráter excepcional

Wilson Lima

Quando esteve à frente do Ministério da Saúde, o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta [foto] ignorou uma manifestação da Sociedade Brasileira de Cancerologia (SBC), uma das mais respeitadas entidades médicas do país, com mais de 70 anos de atuação, em favor da utilização precoce da cloroquina e da hidroxicloroquina em pacientes com os primeiros sintomas de covid-19 no país.

Foto: Marcos Corrêa/PR
Oeste obteve com exclusividade o documento. Ele foi incluído em investigações do Ministério Público Federal no Rio Grande do Sul (MPF-RS) relacionadas ao tratamento de pacientes da covid-19. A manifestação da SBC foi encaminhada ao então ministro em 13 de abril; Mandetta deixou o ministério três dias depois. Em suma, sua saída ocorreu após ele resistir a adotar os dois medicamentos como protocolo de atendimento para a covid-19. Enquanto esteve à frente do Ministério da Saúde, Mandetta recomendou o uso da cloroquina apenas para pacientes em estado grave. Nesse meio-tempo, ele alegava que adotaria o medicamento como protocolo após a existência de evidências médicas robustas sobre a droga.

Em sua manifestação, a Sociedade Brasileira de Cancerologia defendeu a ideia de que o medicamento deveria ser ministrado em caráter emergencial em virtude da então “situação crítica de pandemia COVID 19, da ausência de vacina e de tratamentos disponíveis efetivamente satisfatórios”. […] “O protocolo de tratamento monitorado da CQ/HCQ E AZITROMICINA é abrangente, eficaz, de baixo custo com potencial de grande disponibilidade no mercado e com baixa incidência de efeitos adversos”, defendia na época a Sociedade Brasileira de Cancerologia.

Mandetta ignorou documento

O documento é assinado pelo presidente da entidade, Ricardo César Pinto Antunes. Para Antunes, existiam protocolos favoráveis à adoção do medicamento até então. “O protocolo terapêutico precoce está alinhado às melhores evidências científicas (ENSAIOS CLÍNICOS) que se disponibilizam nesse momento emergencial da crise epidemiológica, na manutenção da saúde dos cidadãos brasileiros e na manutenção do equilíbrio dos sistemas de saúde públicos e privados”, defendeu a entidade.

‘Pessoal que reclama da cloroquina, então dê alternativa’, diz Bolsonaro

Presidente lamentou a morte das vítimas de coronavírus no Brasil, mas voltou a defender o uso do medicamento acima de ideologias

Roberta Ramos

O presidente Jair Bolsonaro lamentou a morte de milhares de brasileiros pelo coronavírus nesta terça-feira. “A gente lamenta todos os mortos, mas é o destino de todo mundo”, respondeu a uma apoiadora na entrada do Palácio do Planalto, que pediu uma mensagem de conforto às famílias que perderam entes queridos para a doença.

Bolsonaro lembrou, porém, que muitas mortes poderiam ter sido evitadas caso a utilização da cloroquina não tivesse demorado tanto para ser adotada.


“O pessoal que reclama da cloroquina, então dê alternativa. Que diga ‘sou contra isso’, mas aponte qual é a outra”, disse o presidente. “Sabemos que pode ser que não seja tudo isso que alguns pensam, mas é o que aparece no momento. Pode, mas tem muito relato de pessoas, muito médico favorável. A briga farmacêutica é muito grande”.

Apenas no final de maio o Ministério da Saúde conseguiu liberar o protocolo para a utilização do medicamento para tratamento de casos leves da covid-19 no SUS.

Na rede particular e nos planos de saúde, a cloroquina já é utilizada com sucesso desde o começo da pandemia de coronavírus.
Título e Texto: Roberta Ramos, revista Oeste, 2-6-2020, 18h20

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Quando foi a última vez que aqui escrevi?

Luísa Castel-Branco

Quando foi a última vez que aqui escrevi? Imagino sempre que os leitores estão num autocarro em movimento pela cidade, ou num comboio que se apressa em chegar.

Mas agora, tudo o que sempre imaginei, tudo o que eu e quem me lê sempre tivemos por garantido, de tal forma que não perdíamos tempo a pensar nisso, absolutamente tudo mudou.

O mundo mudou e ninguém nos preparou para isto.

Continuo a acordar e a acreditar que tive um pesadelo, igual aos filmes de ficção científica, que sempre odiei. Mas afinal é a realidade.

Uma realidade cruel, que divide novos em velhos, sim, velhos afinal não são só os trapos. Somos nós também. Os mais vulneráveis. Os que acrescentam à idade as doenças e, por isto, estamos confinados em casa, a dizer adeus da janela aos filhos e netos, como se tal coisa matasse a saudade de um abraço, de um beijo, daquela gargalhada que só eles sabem dar!

E quem vai trabalhar vai com medo. Com cuidados, para não contrair este vírus invisível que devasta a humanidade por igual.

E depois o desemprego, a fome, a vergonha de pedir...

Ah! Sonho, sonhamos todos com o dia em que o mundo volte a ser o que era. Até lá vamos indo de mansinho, vamos rezando para que os outros cumpram também a sua parte e que nada de mal ataque quem amamos.

Este medo corrói-nos a alma por dentro, e damos por nós nesta luta solitária para o destruir!
Título e Texto: Luísa Castel-Branco, Destak, 2-6-2020

Covid-19: Brasil ingressa em consórcio global para produzir vacina

Projeto tem adesão de 44 países, além de entidades como a OMS

Agência Brasil

O governo federal anunciou, nesta terça-feira (2), a participação do Brasil no projeto Acelerador de Vacina (ACT Accelerator), iniciativa internacional para produção de vacina, medicamentos e diagnósticos contra o novo coronavírus. O projeto conta com a adesão de mais de 44 países, empresas e entidades internacionais, incluindo a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Foto: Dado Ruvic/Reuters
"Decidimos que o Brasil vai entrar no chamado acelerador de vacinas, que é um projeto aí de vários países e empresas privadas que estão buscando investir e trabalhar em conjunto para o desenvolvimento de uma vacina para o Covid-19", informou o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, após participar de uma reunião, no Palácio do Planalto, para encaminhar a adesão do Brasil. 

Também participaram da reunião, que foi coordenada pelo ministro da Casa Civil, Braga Netto; o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Marcos Pontes; o ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello e o secretário Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade do Ministério da Economia, Carlos da Costa.

Marcos Pontes destacou a competência internacionalmente reconhecida do Brasil no desenvolvimento e produção de vacinas e a qualificação dos pesquisadores brasileiros. Segundo ele, a expectativa é de que o país, participando dessa iniciativa, possa ter acesso mais rápido à futura vacina contra o vírus. "O Brasil é um país que tem uma competência no desenvolvimento de vacinas, a capacidade de nossos pesquisadores e cientistas é reconhecida internacionalmente, assim como a capacidade de produção de vacinas", explicou. 

O estrago da ‘The Lancet’


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Site divulga atualizações e mapa sobre as vacinas em teste para combater o Coronavírus

Redação Diário do Rio

Pensando em ajudar os usuários a encontrarem informações de qualidade sobre os estudos em andamento no mundo sobre as vacinas do novo coronavírus, foi lançado o site Vacina News para juntar diversas informações sobre o tema.
 
Foto: Bicanski
O site foca exclusivamente no tema da diferentes Vacinas contra o Coronavírus em teste pelo mundo e os usuários encontram atualizações frequentes com informações técnicas, notícias, alertas, estudos e pesquisas.

É possível também acessar um mapa com principais projetos de vacina do coronavírus pelo mundo e seus estágios de fabricação.

Várias vacinas contra o coronavírus podem estar prontas para uso em massa até o final deste ano. A principal candidata é a Vacina de Oxford/AstraZeneca que está a caminho de produzir milhões de sua vacina experimental COVID-19 – chamado AZD1222 – até setembro. A Vacina, desenvolvido por cientistas da Universidade de Oxford, passou por testes em humanos maiores depois de mostrar promessas em estudos anteriores.

Outra vacina promissora é a Moderna. Apresentada como uma das pioneiras no desenvolvimento de uma potencial vacina para o novo coronavírus, a Moderna Inc., com sede nos EUA, já concluiu com êxito os ensaios da fase 1 de seu candidato a vacina.
Título e Texto: Redação Diário do Rio, 2-6-2020

O perdão

Nelson Teixeira

Pedir perdão não é fácil, pois envolve enxergar nossos maiores monstros.

Ao pedir perdão temos que enfrentar as nossas sombras, pois pedir perdão muitas vezes diz mais sobre você do que o outro.

Quando praticamos o perdão, não abandonamos só o rancor, mas também, a raiva, orgulho, inveja e muitos sentimentos que nos fazem mal.

Pedir perdão é muito mais que uma palavra, é um sentimento que fará bem para o outro, mas principalmente para você.
Título e Texto: Nelson Teixeira, Gotas de Paz, 3-6-2020

terça-feira, 2 de junho de 2020

OMS: China atrasou envio de informações sobre coronavírus

Documentos e gravações obtidos pela Associated Press comprovam que laboratórios chineses sequenciaram vírus uma semana antes do anunciado

Roberta Ramos

A China atrasou a entrega de informações importantes sobre o coronavírus durante os primeiros dias da pandemia, segundo documentos e gravações de reuniões da Organização Mundial da Saúde (OMS) obtidos pela agência de notícias Associated Press. O país asiático publicou o genoma do vírus em 11 de janeiro, uma semana após três laboratórios chineses já terem sequenciado o mapa genético do agente causador da covid-19, mostram os documentos vazados.

De acordo com a reportagem da AP, controles rígidos de segurança e a competição no sistema público de saúde da China foram as causas para o atraso. O governo chinês ainda teria retardado em duas semanas a divulgação do número de casos de infectados quando a pandemia teve início na cidade de Wuhan.

“Estamos recebendo uma quantidade mínima de informações, insuficiente para nos planejarmos adequadamente”, declarou a epidemiologista norte-americana e participante do grupo da OMS que lida com a pandemia, Maria Van Kerkhove [foto], em reunião interna do órgão em janeiro.

Foto: Divulgação/OMS
Após testar quase a totalidade de sua população, Wuhan reportou nesta terça-feira que 300 pessoas são portadoras assintomáticas do novo coronavírus no município, enquanto nenhum caso com os sintomas da covid-19 foi registrado. No total, a China somou 83.022 infectados e 4.634 óbitos causados pela covid-19. Hoje, foram adicionados cinco casos à contagem feita pelo governo chinês.
Título e Texto: Roberta Ramos, revista Oeste, 2-6-2020, 17h25

Concessionária é suspeita de pagar propina a políticos e agentes do RJ

Delator revela que dinheiro vivo desviado das obras superfaturadas era entregue ao grupo que participava do esquema

Sylvestre Serrano, Lumi Zúnica, Tony Chastinet e Thiago Samora, da Record TV

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
A concessionária Lamsa, que administra o pedágio da Linha Amarela do Rio de Janeiro, é suspeita de ter pago propina a políticos e agentes públicos para conseguir estender o contrato de concessão por mais 15 anos.

O núcleo investigativo da Record TV conversou com um engenheiro da Prefeitura, na gestão de Eduardo Paes, e hoje delator da Lava Jato. Ele confirmou que dinheiro vivo desviado das obras superfaturadas era entregue ao grupo que participava do esquema.

"Eu posso falar que as obras tinham um sobre preço em geral. Isso é institucionalizado mesmo, sempre na prefeitura existiu", disse o engenheiro. "Quando eu cheguei lá, tinha uma regra: o que tinha de sobra, podia fazer o pagamento de vantagens indevidas."

Ele detalhou como prefeitura e a concessionária acertavam as obras. "No projeto executivo, as coisas são mais detalhadas. E nessa forma de detalhar, você começa a encontrar elementos que possam maximizar o lucro das empresas e, em geral, o retorno para os servidores."

Em dezembro do ano passado, o então secretário da Casa Civil, Pedro Paulo, pediu à Lamsa um estudo para melhorar o projeto de 25 km na via expressa que liga a Zona Norte à Barra da Tijuca. Os projetos escolhidos totalizaram um investimento de R$ 251 bilhões.

Como era o esquema

Para realizar as obras, a concessionária ganharia a extensão do contrato por mais 15 anos além de um cronograma de reajuste nas tarifas de pedágio. Mas o delator revela que o valor pago pela prefeitura foi superfaturado e parte do dinheiro voltou para as mãos dos agentes públicos e políticos em forma de propina.

O engenheiro explica: "R$ 251 milhões ia dar para quantas obras?. Aí foi verificado o orçamento, e a partir dali colocou uma planilha de multiplicador de dois ponto dois. Então a cada R$ 10, você estaria pagando R$ 22. E com esse multiplicador, você considerava vários itens que você não contemplava dentro do seu orçamento inicial. Então, desta forma, garantiu-se na lamsa, que cada obra que foi feita no termo aditivo, da época lá, que tinha esse multiplicador e que gerava dentro desse multiplicador, algumas vantagens para os servidores, para os seus vários níveis hierárquicos."

Alguém se lembra do nome do ucraniano morto nas instalações do SEF (Serviços de Estrangeiros e Fronteiras) em Lisboa?

Zita Seabra

Morto à pancada, torturado por autoridades portuguesas até à morte? Disseram, na altura que esteve 15 horas atado e algemado até morrer. No aeroporto de Lisboa. Mas claro que um ucraniano não interessa nada. Para mais refugiado.

A Assembleia aprovou algum voto? O Presidente falou? Os intelectuais fizeram alguma manif ou abaixo-assinado? Foi no passado dia 10 de maio.

Mas realmente que interesse tem um ucraniano assassinado (alegadamente) por tortura de inspetores portugueses.

As vítimas ucranianas nunca tiveram nome, nem no tempo do Estaline,  por que havia este emigrante de ter? Esqueçam que nem Presidente, nem governo, nem Parlamento se lembram e estão de boa consciência.

Já me esquecia eu também. Chamava-se Ihor Homenyuk. Mas é um pequeno pormenor porque os ucranianos não têm nome.
Título e Texto: Zita Seabra, Facebook, 2-6-2020

O que é fake news? "É quando a gente conta 800 veículos numa manifestação na Esplanada, como na de domingo, e a 'notícia' diz que havia 150."


Alexandre Garcia

Em agosto de 1954, o major da Aeronáutica Rubem Vaz, guarda-costas voluntário do jornalista Carlos Lacerda, foi morto por um tiro no atentado que visava Lacerda, praticado por integrantes da segurança do Presidente Getúlio Vargas. A Aeronáutica tomou a si a investigação do fato, instalando uma espécie de tribunal na Base Aérea do Galeão, que entrou para a História como República do Galeão.

Quem se sentiu agredido ignorou os caminhos legais, fez o inquérito e julgou. Dois dias depois, Getúlio se matou. Não creio que o Supremo de hoje queira comparar-se àquilo, para tirar um presidente.  É o Inquérito das Fake News mas, ironicamente, essa denominação, em si, já é uma fake news. 

O que se faz é censura, proibida pela Constituição, que garante a liberdade de opinião a da livre manifestação. Ameaça, calúnia, injúria e difamação são crimes; não fake news.

Se alguém posta a intenção de tocar fogo no Supremo ou enfiar outra faca em Bolsonaro, isso não é notícia falsa; é ameaça, crime previsto no Código Penal. Se alguém calunia a mulher de uma autoridade, esse crime também está no código penal; se alguém ofende um juiz ou o Presidente da República, isso é injúria ou desacato; não é fake news.

O que é fake news
Fake news é quando a gente conta 800 veículos numa manifestação na Esplanada, como na de domingo, e a notícia diz que havia 150. Quando um grupo de camisas-pretas, punhos cerrados, com todas as características de movimento fascista, atacando manifestantes pacíficos a socos e pontapés, e é chamado de "antifascista”, porque gritava “democracia”, isso define o que é fake news - assim como quando se chama uma bandeira da Ucrânia de símbolo neofascista.

Na verdade, é justamente nas redes sociais que a desinformação de qualquer origem é desmascarada e desmentida.

Brasil usa vírus da gripe e bactérias para criar vacina contra covid-19

Instituto Butantan, Incor e Fiocruz fazem testes para desenvolver uma forma de combater o novo coronavírus e conter a pandemia

Brenda Marques

Pesquisadores brasileiros de diferentes instituições estão empenhados em produzir uma vacina nacional contra o novo coronavírus, o que garantiria agilidade no combate à pandemia e independência de outros países. Para isso, são testados desde o vírus causador da gripe até o mecanismo usado por bactérias para enganar o sistema imune.


Essa, inclusive, é a estratégia em que o Instituto Butantan concentra seus esforços. Quando estão em ação no organismo, as bactérias liberam vesículas feitas de suas membranas externas. Essa ação confunde o sistema imunológico do corpo humano.

"A gente quer acoplar a proteína do coronavírus na superfície dessas vesículas, assim, estamos fingindo ser o vírus", esclarece Luciana Cerqueira Leite, pesquisadora do Laboratório de Desenvolvimento de Vacinas do Instituto Butantan.

De acordo com Luciana, essa pequena partícula, produzida em laboratório a partir da cultura de dois tipos de bactéria - uma para fabricar a vesícula e outra a proteína igual ao do coronavírus -, possibilita aumentar 100 vezes a produção de anticorpos e também é capaz de estimular a ação de células de defesa.

"Nós já fizemos todo esse processo para a produção da vacina contra a esquistossomose [que já está em testes clínicos], então metade [da produção] já está concluída", afirma.

Após a fabricação, a vacina será testada em camundongos, a fim de verificar sua segurança e eficácia. A expectativa é que essa fase tenha início em um intervalo de seis meses a um ano.

A tática de pesquisadores da USP
Essa etapa já foi alcançada pela equipe coordenada pelo professor Jorge Kalil, do InCor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP). Eles também apostam em uma imitação do novo coronavírus.