segunda-feira, 15 de abril de 2013

A vida pede passagem

Miryan Macedo
Dona Maria do Rosário, ministra da Secretaria de Direitos Humanos e legisladores do nosso País, pelo que temos lido e vivido, perdeu-se o controle sobre a segurança pública. Presenciamos assassinatos, vemos nossos filhos sendo mortos através de câmeras de segurança instaladas em ruas e edifícios, todos os dias temos notícias de famílias destroçadas com a perda de entes queridos através de um banditismo sobre o qual, repito, vocês perderam o controle. Dona Maria do Rosário e legisladores, em que mundo pensam estar vivendo, no país das Maravilhas? São Alices disfarçados de autoridades que nos representam? Não estão vendo a violência aumentando a cada dia? Por que os braços cruzados? É público e notório que não dominam mais nada! Então, hora de rever as leis e os procedimentos, não acham? Dada a inoperância de nosso Estado diante de situações básicas, como o aprisionamento de bandidos, precisam botar os olhos em várias questões, funções e pessoas que exercem essas funções. A grosso modo, vamos lá! Comecemos por nossa presidente. Dona Dilma, mais que hora de trabalhar fechando nossas fronteiras, bloqueando a entrada de armas ilegais e drogas. Ah, não tem dinheiro ou não tem gente com competência para tanto? Ou nem chegaram a discutir esse tópico para diminuir a violência que nos assola? Hora de trabalhar essa ideia, digamos, essencial, presidente. Dinheiro sobra. É só afastar corruptos do governo que roubam o erário, mas, a senhora os chama todos de volta, ninguém entende! Assim não andamos para frente! Sr. ministro da Justiça, sua vez. Sr. Cardozo, não queremos saber sobre seu sentimento de preferir a morte a ir para um presídio. Queremos saber é de atitude, pois a prerrogativa de mudar o inferno que são nossas prisões também é sua. Menos desabafo e mais ação, ministro! Sr. ministro da Educação, não é igualando por baixo nossos estudantes que vamos elevar o nível de educação de nossas crianças e adolescentes. É ensino básico de qualidade para todos, desde a mais tenra idade. O senhor está muito desnorteado, precisa pensar mais e se cercar de gente que entenda do babado. Como mandar para fora do País estudantes para intercâmbio que não falam outra língua que não a nossa ? Acha que os livros e as aulas lá fora são em português? Como admitir erros em provas de redação nos vestibulares? Acha mesmo que consentir o erro pelos alunos vai ajudá-los, que as desigualdades diminuirão desse modo? Já lhe ocorreu que um português mal escrito ou falado pode acentuar a desigualdade?
Pare e pense, sr. ministro Mercadante! Dona Maria do Rosário, como entendo, a paz retornará aos lares quando todos juntos trabalharem nas questões que geram a violência, o que envolve esforço na área de educação, proteção de nossas fronteiras, criação de frentes de trabalho e presídios e casas estruturados para receber desajustados, além de medidas socioeducativas. Não resolveremos o grave problema social distribuindo dinheiro simplesmente. Sabe a impressão que a senhora com sua ideologia nos passa? Que é injusto para com os bandidos deixá-los presos por tantos anos, coitados, já sofreram tanto em sua infância... ah, vamos fazer justiça colocando-os em liberdade, então... assim, estaremos com nossa dívida paga para com eles...! Bandidos são vítimas da sociedade que os tratou injustamente e quando soltos têm o direito de “descontar” sua revolta em cima dessa sociedade, fazendo justiça com as próprias mãos? É isso? É o que fica parecendo pois somente ele são tratados como vítimas! Oras, sra. ministra, como um estudante que voltando do estágio às 10 da noite e é morto por um bandido com um tiro na cabeça para roubar um celular pode ser responsabilizado pelos males sociais brasileiros? Pagando com a própria vida pelas mãos de desajustados? É isso? Por acaso esse estudante não é vítima, dona Maria do Rosário? Se o sistema carcerário é incapaz de ressociabilizar os detentos, menores ou maiores, então, a solução é simplesmente soltá-los? É por aí? É assim que as autoridades agem, porque é assim que as leis determinam e há pessoas que defendem essa barbaridade! O que acontece aos delinquentes? Através de nossas leis fracas e ultrapassadas, voltam às ruas piores do que quando entraram nas cadeias, mais revoltados e com toda uma população à mercê de sua delinquência. Todos entendemos que esses bandidos precisam se reabilitar, e têm esse direito, mas precisam da ajuda do Estado para tal. E é aí que começa o maior problema pois o Estado não faz a sua parte: presídios superlotados, não há plano de recuperação e, se há, é nada estruturado, é mal conduzido, sem falar da educação de quinto mundo, drogas e armas que entram pela porta da frente, oras, são seres que estão deixando de ser humanos por culpa do Estado! As autoridades, intelectuais e jornalistas costumam dizer que não se devem tomar decisões no calor dos fatos, inclusive, criticando a atitude de Geraldo Alckmin por defender mudança nas leis para menores infratores. Aqui cabe a pergunta: Há quanto tempo mesmo pedimos mudanças nas leis e atitudes? Quantos mais precisarão morrer pelas mãos de bandidos para que algo seja feito? Estamos “no calor dos fatos” há muitos e muitos e muitos anos e os fatos não encontram brecha para esfriarem-se, eis a questão! São assassinatos brutais em cima de assassinatos e crimes hediondos, sem folga! Desde estupros a assaltos com finais trágicos, envolvendo crianças, adolescentes, adultos! Dona Maria do Rosário e legisladores, se bandidos são vítimas, a sociedade também é. De suas excelências! De seu descaso, de sua falta de visão , de sua insensibilidade, de sua irresponsabilidade, de sua incompetência, de seu desprezo, de sua total ausência. Ganham muito dinheiro através de altos salários, fora os “por fora”, têm segurança para toda a família, blindam seus carros e não correm risco de serem abordados pelos bandidos. Sobra para nós, o povo, que paga caro pelos seus luxos e tranquilidade. Que tal cuidarem de nossas famílias também? Precisam trabalhar e fazer menos política. Se não são preparados para enfrentar essa guerra, caiam fora, deem lugar aos com competência e vontade! Ou mudam seu procedimento, atentando para o fato de que não somente os bandidos são vítimas, mas que o povo também é! Para tanto, revejam as leis, revejam suas atitudes, que em nada estão resolvendo o grave problema da segurança. Trabalhem, façam dos presídios lugares de reabilitação, não de pós-graduação no crime, façam jus aos seus honorários! Rápido, pois a vida pede passagem! Direitos humanos, sim, mas, para todos nós!
Título e Texto: Myrian Macedo, São Paulo, Fórum dos Leitores de O Estado de S. Paulo, 14-04-2013

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