
É bastante interessante
desenvolver esse raciocínio, pois através dele podemos perceber o quanto, com a
idade, mudamos, alteramos nossos pontos de vista, crescemos, amadurecemos.
Por outro lado, em alguns
aspectos nos tornamos mais jovens, ou até mesmo infantis, com menos
preocupações, dando menos importância a muita coisa que antes nos eram caras.
Nossas atitudes em relação a
filhos e netos são tão distintas do passado, que até os filhos estranham, pois
exigimos bem menos e sorrimos bem mais.
Passamos a não ter interesse
algum em ser o que não somos para agradar quem quer que seja e, sobre qualquer
assunto, não aceitamos mais as fórmulas prontas.
Normalmente corremos mais
riscos do que no passado e nos divertimos com isso. Queremos viver intensamente
e não simplesmente passar pela vida.
Em algumas ocasiões e
ambientes, as bebidas, mesmo para aqueles que sequer bebem, são absorvidas com
menos preocupações com o quanto subirá.
As novas experiências sejam
elas comerciais, sentimentais, ou sexuais, são exercidas com muito menos
cuidados, temores ou pudores. Muitas ideias deixam de parecer insanas e algumas
até procuramos concretizar.
Não queremos mais ser iguais
ou parecidos com alguém, mas simplesmente viver a nossa vida como achamos que
deve ser vivida.
Nos relacionamentos, ainda que
pouco duradouros, gostamos de sentimentos mais fortes, intensos. Deixamos o
coração bater mais forte e comandar nossas atitudes. Não nos apaixonamos pela
metade. Os apetites são mais vorazes, a imaginação bem mais fértil e os
prazeres bem mais intensos.
Muitas coisas que antes
pensávamos ser importantes, hoje pouco significam. O que os outros pensam a seu
respeito é uma delas. Isso passa a ter pouca valia. Atitudes diferentes de cada
um muitas vezes levam outros a se comportarem da mesma maneira, o que leva a
mudanças sociais.
Reações adversas às que
esperávamos de certas pessoas deixam de nos machucar tanto e passam a ser
encaradas com maior normalidade, pois entendemos agora, que cada um é o que é e
não o que esperávamos que fosse.
O comportamento em relação a
milhares de atividades diárias é totalmente diferente do que seria duas ou três
décadas atrás, pois não existe mais a preocupação de acertar sempre.
Adequações aos novos tempos,
novas realidades, novos conceitos ou preconceitos acabam ocorrendo, algumas até
sem que percebamos.
Mesmo os valores morais da
sociedade – muito sólidos em minha educação e na de meus filhos -, em alguns
aspectos e no decorrer do tempo vão sendo flexibilizados, tanto que as próprias
leis do país são alteradas, de modo a dar cobertura a coisas que em décadas
atrás seriam impensáveis, como os casamentos homo afetivos.
As pessoas mudam, crescem, melhoram ou pioram, mas jamais serão as
mesmas.
Título, Imagem e Texto: João Bosco Leal, 26-04-2013
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