sábado, 21 de dezembro de 2013

A frágil e insipiente (com 's' mesmo) democracia brasileira...


Valdemar Habitzreuter
Todos sabemos que por democracia entende-se que o governo de uma nação é exercido pelo povo e para o povo. Isto é, para o benefício de todos. É o bem-estar de todos o que importa e não apenas a de uma minoria. É o povo que é o detentor do poder de governar através de representantes eleitos por ele.

Portanto, para que haja uma verdadeira democracia, ou seja, uma voz uníssona representativa da vontade do povo – que dita o caminho certo de como canalizar e gerenciar o anseio popular –, elege-se representantes que estão autorizados a legislar, ajuizar e executar a voz do povo, ou seja, constituir uma sociedade pacífica e garantir os direitos fundamentais do homem. Estes representantes são os guardiães do bom funcionamento das relações humanas. Afinal, todos aspiram pelo ideal da paz social. E estes guardiães são regiamente remunerados pelos cidadãos, através de impostos, com a incumbência, portanto, de bem gerenciar a vontade geral do povo, promovendo assim a verdadeira democracia.

No Brasil algo está errado. Nossa democracia cheira à insipiência. Não podemos dar como desculpa o fato de ela ser incipiente (agora com c), porque já faz 30 anos que a ditadura foi banida do cenário político brasileiro. O que nos preocupa é ver nossos representantes vociferar que estão laborando para defender os ideais democráticos. Mas me parece que o que estão defendendo são ideais de interesses particulares e não o bem-estar dos cidadãos.

A maioria de nossos políticos, ou seja, nossos representantes, eleitos para administrar a 'coisa pública' – o bem de todos –, não tem noção do que seja democracia. Não sabem o real sentido de sua representatividade, e ignoram quem os revestiu do poder de legislar, ajuizar e executar. O demos (povo) e kratos (poder) não lhes interessa mais, uma vez revestidos do poder. A representatividade do poder do povo transforma-se em exploração do mesmo povo. Tripudiam em cima daqueles que os elegeram. Com o poder nas mãos transformam-se em traidores da boa vontade dos cidadãos.

Nenhum dos três poderes de nossa República escapa à crítica de menosprezo à vontade geral do povo e violação de seus direitos. No legislativo promulgam-se certas leis vexaminosas, cujo único interesse é salvaguardar interesses pessoais dos legisladores. No executivo procede-se com igual desrespeito e ignomínia quando se trata de fazer cumprir as leis para garantir os direitos do povo. O judiciário, por sua vez, esbanja seu juridiquês vaidoso, sem resultado satisfatório e consistente em seus julgamentos.

Não é preciso dar exemplos de insipiência democrática de nossos representantes, pois pululam a olhos vistos em todas as esferas da sociedade. Quantas pessoas injustiçadas por falta de bons representantes que realmente cumprem suas tarefas de proteger os direitos do povo! É difícil e altamente desgastante viver numa democracia assim em que o povo é desamparado, desprotegido e vilipendiado em sua dignidade de cidadão.

A famigerada ideologia petista socialista de um Brasil para todos é uma falácia, unicamente para fins eleitoreiros. Não há aí um pingo de espírito democrático. A massa ignara, não por culpa própria, mas por falta de programas educativos mais consistentes do governo, é feito joguete nas mãos desses usurpadores do poder público. É enganada com promessas de benesses que nada mais são que engodo para perpetrar uma dependência psicológica a esses políticos desonestos que sinalizam por dias melhores. Tudo é encenado como se estivéssemos vivendo num dos melhores mundos possíveis e com um futuro ainda mais brilhante.

Se procurarmos a real situação de milhares de pessoas Brasil afora, ficaremos estarrecidos pelo alto índice de pessoas sofredoras, marginalizadas pelo poder público. São pessoas sem evidência e, portanto, sem poder de se manifestar publicamente ou ter um canal apropriado para defendê-los. Estas pessoas sofrem profundamente pela inaptidão de nossos representantes que não tem escrúpulos de deixá-los ao Deus-dará.

Mesmo quando o clamor por justiça de algum grupo chega aos ouvidos do governo, é logo abafado e tratado como irrelevante. Haja vista as reivindicações dos ex-trabalhadores da Varig, Transbrasil, Vasp e aposentados do Aerus que há oito anos são prejudicados em seus direitos trabalhistas e que o governo não quer reconhecer; e foi justamente o próprio governo – os representantes do povo – que infligiu tal desgraça a esse grupo de trabalhadores.

A quem culpar por tal desgoverno, isto é, por tal desvio de poder outorgado pelo povo aos nossos representantes? Ao próprio povo? Em absoluto. Este é puro em suas intenções e só quer o melhor para o nosso querido Brasil. Culpar os candidatos que se apresentam a representantes do poder popular? Sim, aí sim, podemos transferir a maior culpa a eles, se bem que não a todos. Os candidatos, que se apresentam, a maioria tem um discurso, as mais das vezes, o mais atrativo possível, com promessas mil de trabalhar em benefício do povo. Mas, uma vez no poder, portam-se como vilões e traidores da voz do povo. Seu discurso de bom pastor durante a campanha eleitoral transforma-se em traição ao rebanho aos seus cuidados, deixando-o ao relento e sem proteção. São os bandidos de colarinho branco, altamente prejudiciais à sociedade que se aproveitam do poder para seus interesses próprios.

Urge que nós cidadãos formemos uma consciência política autêntica para identificar os bandidos e inimigos da democracia e confiarmos nosso poder aos verdadeiros democratas. Não é uma lula chafurdadora de lama das profundezas oceânicas que devemos ingerir para nossa saúde, como também não devemos dar ouvidos aos discursos lulistas mirabolantes, altamente nocivos à saúde da sociedade, pois destilam veneno e eliminam nossos ideais democráticos. Está na hora de dar um basta a esta democracia frágil e insipiente que está aí.
Título e Texto: Valdemar Habitzreuter, 21-12-2013

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