sábado, 21 de março de 2015

O viés de esquerda dos jornalistas (mesmo dos que cobrem o mercado financeiro)

Rodrigo Constantino

Assistia eu nesta sexta ao programa “Clube de Correspondentes” na GloboNews, com Leila Sterenberg, sobre a cobertura de nossas manifestações pela imprensa internacional, quando percebi que uma convidada, da imprensa sueca, tinha claro viés de esquerda. O próximo a falar seria o premiado jornalista Michael Smith, da Bloomberg, imprensa especializada no mercado financeiro. Pensei, aliviado: “Agora teremos finalmente uma visão menos ideológica e esquerdista”. Qual não foi minha surpresa ao ver que nem os raros cabelos brancos de Smith lhe garantiam bom senso!

O homem começou a fazer vários elogios ao ex-presidente Lula, com quem já até viajou para a China. Tendo morado no Brasil por alguns anos, justamente no começo da era Lula, Smith cobriu a economia do país naquela fase de euforia, mas não disse uma só palavra sobre o boom das commodities por conta do crescimento chinês ou o custo de capital barato no mundo desenvolvido, ajudando a inundar nosso mercado com dólares.

A redução da miséria foi obra dele, o Nosso Guia, o iluminado e abnegado Luís Inácio Lula da Silva! Escutar esse tipo de coisa de um petista tudo bem, a gente aceita. Mas de um jornalista respeitado da Bloomberg? Então ele não sabe que o Brasil cresceu aquém de seus pares nesse período? Então ele ignora que tivemos apenas uma expansão desenfreada de crédito e consumo, sem reformas estruturais? Sim, parece que ele ignora isso, e prefere focar nas esmolas estatais do governo Lula, que teriam retirado milhões da miséria.

Smith estava claramente decepcionado com os rumos de nossa economia, lamentando que acreditara no país do futuro e que finalmente deixaríamos de ser um país de Terceiro Mundo. E ele fez tal análise com base nas medidas de Lula?! Como pode alguém de tal gabarito ser tão ingênuo e ficar surpreso com os efeitos de 12 anos de PT no poder? Como pode alguém que escreve para uma revista lida por investidores do mundo todo ter realmente acreditado que o lulopetismo beneficiava os mais pobres?

Em Esquerda Caviar, falei sobre o viés de esquerda da imprensa, e acho que não precisamos acreditar em teorias conspiratórias apenas para explicar o fenômeno. Ou seja, nem todos são como os “jornalistas” da imprensa chapa-branca que defendem o PT porque recebem por isso. Muitos são realmente de esquerda e acreditam no que escrevem. Tomam sua visão de mundo como a predominante, e passam a julgar tudo pelo filtro ideológico de seu mundo limitado:

Essa é também a tese de Bernard Goldberg, jornalista que trabalhou por anos na CBS, vencedor de vários prêmios. Em seu livro Bias, Goldberg sustenta essa visão de que as matérias tendenciosas da imprensa acabam predominando pelo simples motivo de que muitos jornalistas são de esquerda. Ele afirma:

Esse é um dos maiores problemas no grande jornalismo: as elites estão irremediavelmente fora de contato com os americanos comuns. Seus amigos são esquerdistas, assim como eles são. Eles compartilham os mesmos valores. Quase todos pensam da mesma forma sobre as grandes questões sociais do nosso tempo: o aborto, o controle de armas, o feminismo, os direitos dos homossexuais, o meio-ambiente, a oração na escola. Depois de um tempo eles começam a acreditar que todas as pessoas civilizadas pensam da mesma maneira que eles e seus amigos. É por isso que eles não simplesmente discordam dos conservadores. Eles os veem como moralmente deficientes.

Isso explica, por exemplo, a completa falta de sintonia entre a grande imprensa e Ronald Reagan, que foi o presidente mais popular dos últimos tempos nos Estados Unidos. Reagan falava para a maioria, para o americano comum, em linguagem simples e direta, enquanto a imprensa esquerdista ficava chocada e retratava o presidente como um completo imbecil.

Já o líder soviético, Mikhail Gorbachev, era idolatrado pela grande imprensa americana. Enquanto isso, ele idolatrava… Lênin! Está lá em seu livro Perestroika. Gorbachev tentava salvaro comunismo com reformas, enquanto Reagan tentava acabar com aquele regime nefasto. Quem ganhou a estima da imprensa? O comunista!

O esquerdismo, por ser o mainstream da imprensa, não precisa de rótulos. Mas os conservadores e liberais (no sentido clássico) são sempre rotulados. Quem está à direita do centro é de direita, mas quem está à esquerda do centro, continua de centro ou de moderado. E isso mesmo para quem está muito à esquerda!

Esse domínio da imprensa por jornalistas com viés de esquerda é um dos principais obstáculos ao liberalismo, em minha opinião. Afinal, essas pessoas são formadoras de opinião, e tidas como sérias, isentas, imparciais. Mas não são. Carregam sua ideologia na bagagem, e quase sempre ela é de esquerda. Até mesmo um jornalista que escreve para o mercado financeiro conseguiu ver com bons olhos o populismo demagógico de Lula. Seu viés esquerdista é a única explicação para uma falha tão grave… 
Título, Imagem e Texto: Rodrigo Constantino, veja, 21-3-2015

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