Rodrigo Constantino

Mas digo o seguinte: se a
imprensa em geral ficou apavorada com a vitória de Netanyahu, então isso é bom
sinal. A mesma imprensa, não custa lembrar, praticamente soltou fogos de
artifício quando Obama foi eleito. Isso diz muito de seu viés esquerdista.
Esses jornalistas costumam endossar uma visão de mundo mais pacifista, i.e.,
ingênua, e sentem calafrios com qualquer discurso mais exigente ou
intransigente com os bad boys.
Aliás, a simples constatação
de que existem os vilões, os inimigos da liberdade, o eixo do mal, já é
suficiente para despertar a fúria ou o pavor desses jornalistas. Cito um caso
clássico: Reagan. O ex-presidente americano era ridicularizado pela grande
imprensa, a mesma que tecia loas a Obama. Como aquele cowboy beligerante tinha
a ousadia de chamar os soviéticos de ameaça à paz? Esses jornalistas achavam
que Reagan e seu programa de investimento militar iriam causar a Terceira
Guerra Mundial. Pois é: a “neutralidade” da mídia tratava com equivalência
moral os Estados Unidos e a União Soviética na Guerra Fria. Fazia sentido?
Claro que não. E eis o ponto
aqui: todos esses indignados com a vitória da direita em Israel aplaudiram as
negociações entre Obama e o Irã, como se fosse possível confiar minimamente na
boa vontade do governo iraniano em relação ao avanço nuclear. Netanyahu,
convidado pelos Republicanos para falar no Congresso americano, colocou o dedo
na ferida, e foi massacrado pela imprensa, como se representasse um obstáculo
ao acordo de paz, na cabeça deles o mesmo que paz.
Quem poupa o lobo mata as
ovelhas, dizia Victor Hugo. Chamberlain queria acordos com Hitler, e achava que
o discurso beligerante era um grande equívoco. Equívoco, mostrou a história,
foi sua postura negligente e conivente com os nazistas, enquanto Churchill,
visto como muito radical e excessivamente duro pela grande imprensa, estava com
a razão o tempo todo. Não dá para chegar à paz tomando um chá das cinco com
terroristas.
A melhor prova de que os
valores morais andam subvertidos no mundo está na posição da OEA, que considerou “excessiva” a inclusão da Venezuela
na lista de ameaças pelo governo Obama:
A maioria absoluta dos 34
países-membros da Organização dos Estados Americanos (OEA) expressou
desaprovação à ordem executiva assinada pelo presidente dos EUA, Barack Obama,
dia 9, que classifica a Venezuela como extrema ameaça à segurança nacional
americana e impõe sanções a sete funcionários públicos por violação aos
direitos humanos. Reunidos em sessão extraordinária do Conselho Permanente, a
pedido de Caracas, muitos diplomatas admitiram indícios de excessos do governo
de Nicolás Maduro. Mas consideraram a ação dos EUA unilateral, exagerada e
polarizadora. E temem que o confronto capture a agenda da VII Cúpula das
Américas, em abril. Foi a primeira vez que o organismo debateu a crise deflagrada
semana passada.
Ora, quando um presidente
pusilânime e relativista como Obama passa a ser alvo de acusações de
radicalismo contra governos esquerdistas é porque a coisa está feia mesmo!
Segundo a ótica desses países, a decisão americana foi unilateral e
polarizadora, ou seja, atenta contra a paz. Eles reconhecem, vejam só!, alguns
“excessos” de Nicolás Maduro, mas claro que a solução passa por uma conversa
agradável entre os dois governantes, não por uma medida “radical” como essa. É
um mundo covarde, relativista, que coloca no mesmo saco regimes democráticos e
tiranias abjetas.
Por isso mesmo a vitória de
Netanyahu é tão importante para o mundo todo. Israel transmite um sinal de que
fala uma língua mais objetiva, como Reagan fazia antes nos Estados Unidos.
Alguém acha que Abbas realmente quer paz? Alguém pode seriamente considerar o
Hamas, entidade terrorista, um agente legítimo para as conversas de paz no
Oriente Médio? Bibi responde com um enfático e acertado “não”, e isso apavora
os jornalistas de esquerda. Em apenas duas palavras, eis o que significa sua
vitória: clareza moral. E é disso que o mundo está precisando hoje…
PS: A foto abaixo não é de
ninjas, mas de mulheres muçulmanas votando livremente… em Israel. Algo que não
podem fazer em muitas nações islâmicas. A minoria árabe-muçulmana é livre para
criar partidos em Israel, e possui vários representantes no Knesset, o
parlamento israelense. E pensar que tantos na imprensa tratam Israel como o
“país do apartheid”. Como é que as mulheres, árabes e muçulmanas, estão
votando então? Pois é… falta clareza moral a muitos governantes e também
jornalistas.
Título, Imagens e Texto: Rodrigo Constantino, veja,
20-3-2015
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