domingo, 12 de junho de 2016

Um retrocesso

Rui A.
A leitura conjugada da crónica de João César das Neves, hoje publicada no DN, com algumas, das mais antigas, que Vasco Pulido Valente compilou no seu mais recente livro (De mal a pior), não é um exercício saudável. Neves adverte, hoje, para o precipício para onde o país se encaminha, como, já em 2000, 2001, Valente avisava que, por causa das contas públicas, nos esperava o abismo.

Em comum, o seguinte ponto: a indiferença às evidências que os portugueses, de então e de agora, exibem. Desta vez, com a agravante de um ainda recente estoiro, com o qual nada parecemos ter apreendido, o que desabona a nossa inteligência. Em Neves e em Valente há, também, uma perturbadora coincidência acerca da expiação colectiva das nossas responsabilidades.

Elas nunca são nossas, mas dos outros: dos alemães, da crise internacional, do capitalismo financeiro, dos mercados vorazes. Antigamente, os portugueses matavam a culpa sem lhe atribuírem marido. Agora, ela já não mora cá. Emigrou. É num retrocesso muito significativo.
Título e Texto: Rui A., Blasfémias, 10-6-2016

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