sábado, 15 de julho de 2017

Marcelo emudeceu

João Pereira Coutinho

Depois da verborreia, Marcelo descobriu finalmente as virtudes do silêncio. Se o Presidente é tão arguto como dizem, já percebeu que é mais importante cair nas graças do país do que nas desgraças do governo

NO INÍCIO ERA O VERBO. Falo do verbo que o Presidente da República usava com abundância – para comentar, festejar, dar palpites e proteger o governo de gripes e constipações. Entende-se. A economia não afundara; o País estava na moda; os portugueses tinham dinheiro no bolso; e o acordo das esquerdas sempre dava para os gastos. Se o futuro era radioso, Marcelo queria associar-se a ele.

Em poucas semanas, a fantasia ruiu: dos mortos de Pedrógão Grande à roubalheira de material militar em Tancos, os portugueses confrontam-se com um Estado ruinoso, inapto e até leta. E agora, com três secretários de Estado na rua e um governo paralisado e agónico, quem, em juízo perfeito, quer associar o seu nome a este espetáculo grotesco?

Depois da verborreia, Marcelo descobriu finalmente as virtudes do silêncio. Será para manter? Mistério. Uma coisa é certa: se o Presidente é tão arguto como dizem, ele já percebeu que é mais importante cair nas graças do país do que nas desgraças do governo.
Texto: João Pereira Coutinho, SÁBADO, nº 689, de 13 a 19 de julho de 2017
Título e Digitação: JP

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