sexta-feira, 25 de maio de 2018

Greve dos caminhoneiros e a responsabilidade de Dilma Rousseff

Lucas Berlanza


Quando o país se viu aturdido por uma paralisação nacional dos caminhoneiros e começou a se desenhar um cenário de protótipo de Venezuela, com desabastecimento de mercados, postos e até aeroportos, tudo parecia confuso e nebuloso.

Chegaram a ser aventadas pautas positivas por parte de alguns dos “grevistas”, como o cumprimento da lei do voto impresso e a liberdade de negociação com o governo sem a tutela de nossos lamentáveis sindicatos. Porém, deixando de lado certos métodos de reivindicação universalmente condenáveis, como bloqueios de estradas e queimas de pneus, o movimento parece ter alcançado uma proporção tal que fica difícil determinar uma única substância de princípios e pautas por trás de tudo.

Ainda assim, é forçoso reconhecer que os últimos sinais, no momento em que escrevemos estas linhas, do ponto de vista do caráter das bandeiras defendidas, não são muito animadores. Uma reunião com representantes do governo e dos caminhoneiros – no caso, sindicatos, contrariando a tal pauta da “livre negociação sem tutela” – definiu um acordo mediante o qual o governo congelará (isso mesmo, congelará!) os preços do diesel por trinta dias e promoverá um subvencionamento à Petrobrás pelos enormes prejuízos que isso causará à empresa.

Em outras palavras, a velha receita intervencionista do Estado-empresário: o governo controlará a economia através da força da caneta e equilibrará as contas de uma empresa através da verba do pagador de impostos. Até quando isso se sustentará, não sabemos; talvez uma estratégia de um governo virtualmente acabado para empurrar tudo com a barriga até as eleições.

O único grupo representativo de caminhoneiros que se retirou da reunião e declarou insistir na paralisação também não alegou nenhum grande motivo virtuoso para assim agir. Disse simplesmente que só normalizarão as atividades quando a decisão de zerar a alíquota do PIS-Cofins virar lei – o que será compensado, naturalmente, com mais tributação em outras áreas, conforme a proposta apoiada pelo irresponsável presidente da Câmara, Rodrigo Maia, prevendo “reoneração” da folha de pagamento em diversos outros setores.

Aparentemente, os atores principais não estão querendo soluções por alternativas que não orbitem o “pensamento mágico” estatista. Alguns, como o Movimento Brasil Livre, propõem as receitas certas: privatização da Petrobras, privatização de todas as estatais, corte de supersalários, redução drástica da burocracia… Ou seja, medidas que promovam uma redução profunda no tamanho do Estado e consequentemente nos gastos públicos, não que apenas realizem uma ciranda na cobrança dos impostos para trocar os setores sobre os quais eles incidirão. É por essas medidas que o grosso dos caminhoneiros faz barulho nas ruas? Eis o que infelizmente não transparece até o momento.

De todo modo, ninguém contesta que o combustível está caro e sofremos tremendamente com altos impostos. Ninguém contesta que há uma situação delicada a enfrentar no quadro econômico do país, embora a equipe econômica do presidente Temer nos tenha conseguido afastar da recessão. O grave erro estará em admitir o escárnio e o oportunismo das extremas esquerdas e do lulopetismo e imputar ao governo atual a responsabilidade pela criação desse cenário.

Alguns órgãos de imprensa divulgaram que a ex-presidente (graças aos céus) Dilma Rousseff publicou em seu Instagram, em plena “greve” que prejudica o abastecimento de combustíveis, um vídeo antigo em que aparece andando em sua bicicleta, com as inscrições “Bike é vida”, “Vida saudável” e “Presidenta eleita”. As matérias afirmam que a publicação é uma forma de Dilma “debochar” do momento de dificuldade de seu sucessor no Planalto.

Seremos precavidos e não acusaremos a petista de estar escarnecendo de Temer. Admitamos que ela simplesmente quis promover os exercícios físicos… De todo modo, é fundamental que fique claro que a excelentíssima ex-presidente não tem qualquer condição moral de destilar sarcasmo sobre a quadra de sofrimento e agudeza atravessada pela nação, nem os descerebrados próceres do petismo estão em qualquer posição de atribuir aos “paneleiros” e defensores do justíssimo impeachment os tormentos da semana.

Dilma Rousseff é a responsável mais direta por tudo que está acontecendo. Não haveria recessão alguma não fosse por ela. Não haveria tanta dificuldade no manejo das contas públicas, não fosse a aposta lulopetista de “maquiar contas” e brincar com o Tesouro. Não haveria tamanha tragédia sem a malfadada Nova Matriz Econômica. Não estaríamos como estamos se, nos treze anos de PT no governo federal, não tivéssemos prejuízos da Petrobras estimados em cerca de R$ 42 bilhões. Se não houvesse as obras superfaturadas, como as da refinaria Abreu e Lima.

Mais ainda, e talvez mais conectado ao mote do problema em realce nesta paralisação: se Dilma não tivesse sustentado artificialmente os preços da gasolina – exatamente como o governo Temer agora se atreve a fazer – apenas para garantir sua reeleição, freando reajustes, a conversa hoje seria outra.

Podemos, todos nós, criticar o governo pelo que decidiu fazer agora. Todos, menos os petistas. Menos Dilma Rousseff e seu exército de vis mentecaptos. O que eles deveriam fazer era pegar seus trapos e abdicar de qualquer pretensão ao poder, de que se provaram indignos ao atraiçoarem a pátria.

O que passamos hoje tem responsáveis, com nome, sobrenome e carteira de identidade. Que eles não ousem posar de heróis.
Título, Imagem e Texto: Lucas Berlanza, Instituto Liberal, 25-5-2018

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