segunda-feira, 4 de março de 2019

Está aberta a caça aos judeus


Franz-Olivier Giesbert

Ao fim de tudo, quando as sociedades se desagregam e que nada mais vale alguma coisa, tudo é sempre a culpa do judeu. O mau tempo, o sarampo do pequeno, o aumento da Nutella, etc.

Mas o que está acontecendo com a França? É a pergunta que veio ao espírito de qualquer pessoa sensata ao descobrir, no último sábado (16 de fevereiro de 2019), as imagens de Alain Finkielkraut insultado, no Boulevard Montparnasse, em Paris, por um bando de fanáticos.


Perante esse espetáculo, como não ter vontade de chorar de raiva, de tristeza, sobre o cadáver da doce França?

Parece que não se deve estigmatizar, nem de fazer amálgama, como dizem os cus abençoados dos bem pensantes que, do Le Monde à Mediapart, não pararam de se superar em matéria de negação. Mas eles podem dizer o que quiserem, nada pode mais esconder o ódio islamita em curso.

As ofensas feitas a Alain Finkielkraut por estes falsos coletes amarelos não são um fait-divers (fato pouco importante). É uma reviravolta social, histórica. Uma catarse que permitirá ao país de se recompor se tiver coragem, o que está por provar, de tirar lições dos zurros proferidos: “Porco sionista de merda”, “A França é nossa”, “Vaza daqui”, “Tu vais morrer”, “Deus vai te castigar”, etc.

O que aconteceria a Alain Finkielkraut se ele não tivesse um policial por perto e verdadeiros coletes amarelos para o proteger e retirá-lo? Não queremos imaginar. Atualmente, em França, um judeu ainda tem a liberdade de pensar, mas temos o direito de questionar se ele perdeu a liberdade de circular, como no tempo do 3º Reich.


O concerto de insultos é a primeira etapa do processo. Em seguida vem o progrom, para o qual, no ritmo em que as coisas vão, é preciso se preparar. E ainda assim haverá muita gente para relativizar, minimizar: covardes, islamo-esquerdistas, traidores. Todos herdeiros da França molenga e esparramada indignamente na submissão.

A boa consciência destes companheiros de viagem dá uma ideia do infinito. Eles se dizem enfaticamente antissionistas e não antissemitas, como se não fosse a mesma coisa! Cria do antissemitismo, Israel, alvo obcecante dessa gente, acolheu no último século grupos de sobreviventes da Shoah, que lá puderam se reconstruir. Hoje em dia, o antissemitismo que gangrena a França e uma parte da Europa justifica plenamente a existência do Estado hebreu, que salafistas e seus idiotas úteis, os islamo-esquerdistas, querem riscar do mapa.

A ignorância enciclopédica desta malta permitiu-lhe repetir, desavergonhadamente, uma grande mentira que, ao longo, transformou-se numa verdade histórica: Israel seria uma terra árabe que recentemente teria sido invadida e ocupada pelos judeus. Uma história para boi dormir. Desde há três milênios, ao contrário, é uma terra judia que, regularmente, foi conquistada e devastada – pelos Árabes, notadamente – muitas vezes.

Como prova, antes da criação do Estado hebreu, em 1948, os judeus se chamavam os Palestinos e sua bandeira nacional exibia uma estrela de David, enquanto que o grande jornal judeu se chamava Palestine Post. O grande erro dos judeus terá sido o de trocar o nome voltando ao de Israel: assim, perderam a batalha das palavras, permitindo aos Árabes de se apropriar do termo histórico Palestina e deixado o campo livre à desinformação.

Na confusão, uma outra revolução semântica surgiu: a palavra antissemitismo, demasiado sulfurosa depois do nazismo, foi substituída por uma, quase nova, “virgem”, de antissionismo. Mas todos os antissionistas que, por definição, clamam pela destruição de Israel, são antissemitas. São exatamente os mesmos, com a mesma baba nos lábios.
(...)
Título e Texto: Franz-Olivier Giesbert, em editorial no Le Point, nº 2425, 21-2-2019
Tradução e Digitação: JP, 4-3-2019

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