quinta-feira, 30 de julho de 2020

[Para que servem as borboletas?] O que podemos assimilar do romantismo filosófico?

Valdemar Habitzreuter

(Esta pandemia, e consequente isolamento social, nos estimula a leituras e reflexões)...

O termo romantismo deriva da palavra romance, cunhada na literatura medieval pelas novelas ou romances de cavalaria cheios de aventuras e amores.

Na filosofia, é um movimento caracterizado pelo sentimento de cunho idealista ou espiritual que se opôs ao rígido conceito da razão nos seus limites de alcance do Infinito que Kant estabeleceu em sua obra criticista. (Crítica da Razão Pura).

O sentimento, para os românticos, vai além dos limites da razão; tem um valor de alcance ilimitado; é capaz de alcançar as coisas superiores e divinas que a razão pura não consegue alcançar. Este movimento romântico começou na Alemanha no final do século XVIII e teve seu auge nas primeiras décadas do século XIX.

Portanto, o romantismo dá outro viés à razão e passa a entendê-la como força infinita e onipotente que habita e domina o mundo, firmando-se, por assim dizer, pela fé e intuição mística.

A razão passa, então, a ser a própria substância do mundo. Nesse sentido, o romantismo desembocou no idealismo alemão cujos principais filósofos foram: Fichte, Schelling e Hegel.

Todos eles têm a razão como Princípio Infinito que deu a origem do mundo. Pode ser chamado de Eu Infinito (Fichte), de Absoluto (Schelling) ou Ideia (Hegel). O princípio Infinito era entendido por eles como consciência, atividade, liberdade, criação incessante.

No entanto, há duas vias de se interpretar o romantismo filosófico: o Infinito como sentimento e o Infinito como Razão Absoluta.

Como sentimento, o romantismo - que teve suas raízes na literatura aventuresca e amorosa -, estendeu-se à Filosofia em que o Infinito revela-se em atividades humanas ligadas à religião, à poesia e à arte.

Na religião, o sentimento é uma aspiração ao infinito, “tornar-se uma só coisa com o infinito; estar, no entanto, no finito. Ser eterno num momento do tempo, tal é a imortalidade da religião” (Schleiermacher)...

Na poesia há a transfiguração do homem no infinito e no eterno; portanto, a sua função também é essencialmente religiosa: “Toda relação do homem com o Infinito é religião…” (Schlegel). Ainda, na poesia a natureza é espiritualizada, enaltecendo-se a força criadora que perpassa o mundo e que o homem pode e deve coincidir com ela...

A arte, como sentimento, é a expressão do Infinito e vê o mundo como uma obra de arte do Absoluto. Portanto, a experiência estética é a melhor via de acesso à compreensão do Absoluto. Mas, “só pode ser artista aquele que tem uma religião, uma intuição original do Infinito” (Schlegel)...

E pela segunda interpretação do romantismo, a Filosofia é tida como a mais elevada revelação do Infinito como Razão Absoluta.

Neste sentido, os três representantes do idealismo alemão, Fichte, Schelling e Hegel, cada qual a seu modo, elaboraram seus sistemas filosóficos tendo como pano de fundo a infinitude da razão, sem os limites atribuídos a ela, apregoados por Kant...

Neste sentido, se quisermos nos valer dessa filosofia romântica idealista para nossas vidas em particular seria apropriado deixar-nos levar pela intuição intelectual, intuição mística, e estabelecer-nos no Ser, e perceberemos que nos identificamos com o Absoluto, somos engolidos pelo Infinito abissal.

Título e Texto: Valdemar Habitzreuter, 30-7-2020

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