segunda-feira, 15 de outubro de 2018

[O cão tabagista conversou com...] Vitor Grando: “Estamos perante uma oportunidade ímpar de sepultar de vez o projeto bolivariano"

Olá, Vitor!
Vamos começar o nosso terceiro bate-papo...
Religião e Política podem conviver harmoniosamente?
A política é representação da vontade da sociedade. Assim, é natural que os valores religiosos da sociedade tenham sua expressão política. É justamente pelo fato de o Estado ser laico que ele deve respeitar a manifestação de vontade da sociedade e isso inclui sua religião. Vale observar que a própria Constituição, no seu preâmbulo, se diz promulgada "sob a proteção de Deus". Se Deus tem seu papel até na promulgação do texto constitucional, qualquer conceito de laicidade que usurpe a possibilidade da expressão religiosa na política é falso.

Sabe?, cheguei aos quase setenta anos achando muito bem que o Estado Português ou Brasileiro fossem ‘laicos’, sim, independentes do clero e das confissões, e garantidores da liberdade de expressão religiosa...  mas, nem por isso, deixarem de ser países cristãos. Daí a prática corrente dos crucifixos em repartições públicas, no Brasil, em Portugal, nos EUA, na França...

Aliás, no Brasil, teve um ex-presidente que, quando deixou o palácio presidencial, “levou” com ele o belíssimo crucifixo que ornamentava o gabinete presidencial...

Bom, então, por séculos os Estados foram laicos até que a esquerda resolveu apoiar outras religiões que odeiam o Ocidente, e assim hostilizar qualquer manifestação judaico-cristã... para isso, seres do sexo feminino (de gênero asqueroso) não hesitam em urinar/defecar em altares, simularem orgasmos utilizando crucifixos...
O crucifixo está lá não por uma imposição do Estado, mas por manifestação natural da vontade da sociedade. A retirada do crucifixo ou a substituição do "Merry Christmas" por "Happy Holidays" representam, isso sim, uma intromissão arbitrária do Leviatã no sentimento nacional. Como tudo o que a esquerda toca, a noção de "laicidade" tem sido apropriada por eles como instrumento de ataque à religião que eles tanto odeiam.

Isso explica os editoriais dos marxistas, trotskistas, leninistas encastelados nas redações dos jornais atacando a parte do clero católico que se insurge contra o esquerdismo terreno do atual papa... são ateus, odeiam a religião católica, aliás, o cristianismo em geral, mas querem defecar análises sobre uma religião tolerante só porque o ocupante da cadeira de São Pedro é parceiro de ´progressismo’.

Você já os viu escrever sobre o Islã?
Não, eles não falam contra o Islã porque não é coerente com a narrativa dogmática previamente definida. Na ótima do materialismo histórico, a tese cara aos marxistas, todo fenômeno da consciência é resultado das relações dos meios de produção. Assim, não existe nada na esfera dos valores, o que inclui a moral e a religião, que seja verdadeiro ou bom por si mesmo.

Agora, dado que para essa gente as relações de trabalho estão disfuncionais, segue-se que a consciência também está. Daí repudiarem toda a consciência que formou o Ocidente como opressiva, arbitrária e irrelevante. Jogam fora toda a nossa esfera de valores gerando um vácuo que cedo ou tarde terá de ser preenchido por outra coisa. O Islã com sua firmeza tem ocupado esse espaço.

Pois é, mas, justamente por essa “firmeza do Islã” – que eu chamaria de obsessão destrutiva –, aplaudida, prestigiada e promovida pela ideologia que, muito curiosamente, nasceu nas entranhas do Ocidente, se apoderou das Universidades, das redações e da ‘cultura’ para se dedicar à liquidação da civilização que a pariu, nos últimos cento e cinquenta anos, sinto que chegou a hora das populações se rebelarem. Se revoltarem mesmo. E essa revolta espontânea e legítima desnorteia a oligarquia. Daí só saberem chicotear. É a verdadeira face dessa canalhada, agora vindo à tona, graças aos “deploráveis” e outros “inqualificáveis” que teimam em votar em pessoas que os representem... Sinto que estou vivendo um tempo de revolta semelhante à Jacquerie... o que você acha?

Na fortaleza de Meaux, Gastão Fébus e João III de Grailli contra-atacam os Jacques, em defesa da família do Delfim. Chroniques de Jean Froissart. Século XV.
A Natureza, cedo ou tarde, cobra as consequências desses grandiosos projetos de reengenharia social. Pode-se tentar a criação de um "novo homem" por uma ou duas gerações, mas eventualmente a Lei Natural escrita no coração humano faz com que todo esse processo caia por terra por mais que as elites insistam em pressionar o Estado para a imposição da ideologia gay, aborto, ideologia de gênero, feminismo e tudo mais que contraria a natureza como ela é.

A reversão do processo já se iniciou e agora é imparável e, por isso mesmo, o desespero cada vez maior deles. No processo eleitoral brasileiro, as pessoas aos milhares estão se apercebendo disso. É visivelmente uma luta entre uma elite e o povo.

Falando em Brasil, como vai essa grande nação? 
O Brasil vive um momento de enorme apreensão em razão da mais importante eleição presidencial das últimas décadas. Dois projetos de poder absolutamente antitéticos se apresentam à nossa frente e nada está garantido. A apreensão é palpável no ar.

Você já escolheu o lado?
É claro. Temos pela primeira vez a oportunidade de eleger um governo liberal-conservador na nossa história. Estamos perante uma oportunidade ímpar de sepultar de vez o projeto bolivariano e promover mudanças estruturais absolutamente fundamentais para o progresso do país: simplificação tributária, simplificação trabalhista, redução do Estado, reforma do Código Penal e o expurgo completo dos revolucionários progressistas do aparato do Estado.


Mas, sobre Bolsonaro, dizem que ele é machista, racista, misógino e outros epítetos mais ou menos pesados...
Ainda que todos os epítetos que lhe são lançados fossem verdadeiros, não cabe ao Estado promover projetos de reengenharia social como querem os progressistas. Não cabe ao Estado se não proteger os direitos naturais que surgem organicamente numa sociedade. Quando o Estado toma para si a função de reformular os valores de uma sociedade, estamos a um passo do totalitarismo.

Como anda o Mestrado? Continua palestrando?
O mestrado está em vias de terminar e não tenho dado muitas palestras ultimamente.

Gabriel Igarashi, William Lane Craig e Vitor Grando, Ipanema, 18-3-2011
Uma derradeira mensagem:
Oro para que a sociedade brasileira permaneça acordada e faça a decisão correta e pressione nosso próximo presidente a governar de acordo com o prometido.

Muito obrigado, Vitor!

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10 comentários:

  1. Editor, bela Entrevista. Gostei muito do parágrafo sobre o Catolicismo em particular o Crucifixo, Vítor a pergunta sobre o que achavas de Bolsonaro, Vc fugiu!!! A Entrevista é muito ilustrativa, são muitas informações, Abs à Ambos !!!

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  2. Considerei muito pequena a conversa,considerando o que este entrevistado tem a dizer , cabia muito mais!
    Paizote

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    1. Também achei.
      cd

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    2. ENTRE OS ASSUNTOS QUE GOSTARIA DE OUVI-LO ESTA A LAICIDADE DO ESTADO!
      "ESTADO" ORIGINALMENTE DESDE OS GREGOS E PRINCIPALMENTE NA IDADE MÉDIA, SEMPRE TIVERAM APOIO RELIGIOSO COMO SUSTENÇÃO!
      QUANDO NÃO, COM A NOMEAÇÃO DO GOVERNANTE , MONARCA OU NÃO!
      ESTADO E RELIGIÃO SE COMPLETAM OU NO MINIMO SE SERVEM UM DO OUTRO!

      PAIZOTE

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  3. O padre diocesano tem direito de fazer testamento e dispor livremente sobre quais serão os herdeiros dos seus bens temporais. Muitos padres deixavam seus bens herdados de familiares para a Igreja Católica e qualquer padre poderá fazê-lo por testamento.

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  4. Religião, política... só faltou revelar o time do coração pra finalmente criar atrito com o mundo!

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  5. Que assim seja.

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  6. Tenho por política e religião manifestações culturais de sentimentos estéticos específicos a cada uma. A boa política é a arte de fazer valer o convívio harmonioso em sociedade e visa o bem-estar material das pessoas. Na política há o espaço para o debate sobre o que pode ser ou não conveniente à sociedade que almeja prosperidade material dentro da ordem, paz e segurança. As religiões oferecem outro viés de bem-estar. Não está propriamente atrelado ao conforto material das pessoas (se bem que não é desprezado) e sim ao conforto psicológico que lhes garanta paz de consciência com perspectivas de infinitizá-la. Ao meu ver, a laicidade do Estado é fundamental e não deve se deixar manobrar, como no passado, por poderosas organizações eclesiais propondo caminhos teocráticos utópicos de prosperidade. Que cada qual fica em seu canto e labore para edificar o ser humano. À política cabe o ônus maior, pois ocupa-se da vida do ser humano de carne e osso que quer, em primeiro lugar, vida digna neste mundo. Na modernidade, as religiões perderam seu brilho. No entanto, ainda imiscuem-se em assuntos do Estado em nome de alguma moralidade duvidosa. As leis do Estado devem prevalecer sobre a pretensa moralidade religiosa. Nos Estados onde vigora a teocracia vive-se um regime ditatorial sem liberdade. Deus aí não liberta, mas escraviza. Portanto, que religião e política não se ataquem e nem se atraquem, e cada qual independente em seu campo de atuação.
    Valdemar Habitzreuter

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    1. Pois é!
      Laicidade é o ideal pois a falta desta condição impacta diretamente na democracia.
      Porém todos os governos são feitos de homens,e que levam suas convicções religiosas ao tomarem o governo, e mesmo que se diga laico tem condutas teocráticas!

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  7. Boa tarde a todos;
    muito bom, ler uma entrevista com pessoa inteligente e assertiva. Qualquer conversa que envolva o trinômio Política - religião - futebol deve ser desenvolvida com a percepção de que o respeito deva vir sempre em primeiro lugar . São assuntos que geram polêmica e , não raro , mortes.
    Esses três pontos cruciais , quando em debate, tornam-se extremamente perigosos e belicosos se houver um elemento de grande força no comando :
    O fanatismo.
    Basta ver o que vem ocorrendo nos quatro quadrantes do globo terrestre ( e não é de hoje...) por conta do extremismo em diversos segmentos. Discutem-se o sexo dos anjos e chega-se a ... lugar algum .
    Aprendi com minha sábia mãe:
    " Presunção em água benta, cada um toma a que quer".
    Quando eu era garoto , lá no início dos anos 60, havia muitas notícias sobre o apocalipse , o fim do mundo . Perguntei a minha mãe se o mundo estava mesmo para acabar. Disse-me ela:

    " Meu filho, o mundo acaba todos os dias para quem morre , e começa todos os dias para quem nasce " .
    Acho que muitos ainda confundem os Filisteus com os filhos teus .
    Mudando para as eleições no Brasil , no próximo dia 28 de outubro ( Dia de São Judas Tadeu) , creio que o capitão sairá vitorioso , pois os brasileiros não suportam mais os desmandos dos "esquerdopatas" desde 2002.
    No início , tudo ia bem até a sede pelo poder permear os malfeitores . Os países que abraçaram o comunismo ( aqui , socialismo travestido) sucumbiram , levando a população a uma escravidão moral e social. É a grande causa do infortúnio , ao nosso ver. Ao que tudo indica, o gigante adormecido está despertando e deverá neutralizar ( oxalá banir) essa essência maléfica da Pátria Brasileira . Merecemos o melhor ! Viva o pendão Auri-Verde !
    Vermelho somente as rosas , o Corpo de Bombeiros e o fogo da paixão ...
    Se Deus quiser, e com a força do Grande Arquiteto Criador do Universo , o bem vencerá .
    Grande abraço.

    Sidnei Oliveira
    Assistido Aerus - RJ

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