quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

O desavergonhado

Peter Rosenfeld
É possível que muitos que lerem o presente texto saibam, por intuição ou por adivinhação, a quem estou me referindo.
Pois é. Mas buscando em minha já carregada memória, não me vem à mente nenhuma personalidade pública que se iguale à pessoa a quem me refiro.
Muitos, se não todos, tiveram amantes ou relações extra-matrimoniais de maior ou menor importância.
Nenhum, porém, até onde vão meu conhecimento e minha memória, teve a desfaçatez de nomear a amante para um cargo público e, não só isso, mas um cargo de alguma importância (creio que “chefe do gabinete presidencial na mais importante cidade brasileira” não é cargo de se jogar fora...”).
Mais: acompanhante assídua em viagens ao exterior, com direito de entrar e sair à vontade, a qualquer horário, a chamado ou não, da parte da aeronave reservada à Presidência da República, conhecida como íntima!


Isso não é invenção minha! Todos os que viajavam no chamado “Aerolula” presenciaram essa liberdade!
Fico a pensar nos argumentos que eram usados para convencer a Sra. da Silva a não acompanhar o marido em tantas e tantas viagens ao exterior, muitas delas de vários ou de muitos dias de duração.
Aparentemente, a “galega” (como o Sr. da Silva com frequência se referia à esposa) era muito cordata e não gostava muito de viajar. Estou supondo, obviamente.
Mas então o Presidente da República Federativa do Brasil não dava a mínima para seus deveres de representante do País, e afrontava a tudo e a todos para satisfazer um capricho seu?
O que não consigo entender é como esse fato foi omitido durante tanto tempo!
A imprensa brasileira, sempre tão atilada e bem informada, mas que também é fofoqueira, não noticiou nada?
Só foi se dar ao trabalho de informar quase dois anos após a Presidência da República ter sido transmitida à Sra. Rousseff, que não sabia de nada mas que agiu com extrema presteza para intervir no assunto?
Ora, algo está errado nisso; errado ou mal contado.
A Sra. Rousseff, que é tida e havida como uma competente administradora (informo a meus leitores que não compartilho com essa avaliação), levou dois anos para acabar com o gabinete da Presidência em São Paulo!
Gabinete que não servia para mais nada se não dar um emprego à amante do ex-Presidente e que dele fazia uso para proporcionar a terceiros um ponto de encontro para negociatas!
Pela rapidez com que a Sra. Rousseff agiu quando o assunto veio à tona, aparentemente ela não sabia de nada mesmo. Mas que falha de seus assessores mais próximos! É assim que são conduzidos os negócios neste País?
Não posso crer, mas cada vez mais me decepciono com a Presidente!
Voltando ao desavergonhado.
Parece que tomou ainda mais gosto por estar fora do Brasil!
Uma das alegadas razões é a de que estaria em plena campanha para ser escolhido para receber o Prêmio Nobel da Paz! Isso seria uma heresia absurda! Não me atrevo a cogitar disso.
Outra das supostas razões é que teme que, chegando ao Brasil, seja convocado pelo Congresso (?) ou pela Justiça para explicar certas coisas estranhas que ocorreram durante sua Presidência.
A mais séria (ao que se saiba), mas da qual ele não sabia nada, era o inexistente (!) mensalão!
Bem, agora ele deve saber o que era o mensalão e os responsáveis pelo mesmo.
(A propósito, o “chefe da quadrilha” – a expressão não é minha, é da Procuradoria Geral da República – esteve no último fim de semana aqui em Porto Alegre e, além de outras atividades, teve uma reunião com o ex-marido da Sra. Presidente, que nem do mesmo partido é. Mas o ex-casal ainda faz longas reuniões sempre que a Sra. Rousseff vem à capital do Estado)
O desavergonhado também deve saber que os famosos PACs foram, quase todos, para o brejo; deve saber do enorme, monumental, rombo da Petrobrás, presidida pelo Sr. Sérgio Gabrielli, que aspira ser eleito governador do Estado da Bahia. Também deve saber do minúsculo “pibinho” do corrente ano.
É triste constatar que o líder sindical inconteste, admirado por essa liderança; que o nordestino do interior de Pernambuco, que veio para o sul do País para proporcionar a si próprio e a sua família melhores condições de vida, tenha continuado a ser um virtual analfabeto e tenha (junto com seu filho) se tornado um dos homens mais ricos do País, coisa jamais vista no Brasil.
Quando tudo isso se tiver tornado história, e for divulgado amplamente, o povo brasileiro certamente conhecerá a verdade verdadeira, e se entristecerá por todos esses anos que foram perdidos.
Impressionante o mal que uma só pessoa pode fazer a uma nação inteira! A história nos dá alguns exemplos de gente assim; penso que o mais notório, em anos relativamente recentes, tenha sido um maluco chamado Adolf Hitler.
O Sr. da Silva não chegou aos extremos do austríaco-alemão. Mas, mutatis mutandi, também fez um mal enorme ao País!
Título e Texto: Peter Wilm Rosenfeld, Porto Alegre (RS), 19 de dezembro de 2012

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