segunda-feira, 16 de novembro de 2015

360º - Paris. 129 pessoas. A nossa homenagem a todos eles

Foto: AFP/Getty Images

David Dinis
Bom dia!
Paris. De pé. De luto.

Procurei as palavras certas, mas não há palavras que descrevam o que vimos. Basta dizer Paris e alguns destes 11 vídeos daquela noite de 6ª-feira vão voltar-nos à cabeça (e vai ser assim durante bastante tempo).
Foram horas terríveis (muito planeadas), das mais sangrentas de de sempre na Europa. A que se seguiram outras 20 horas de choque, medo e incerteza (registadas neste liveblog, aquele que preferíamos nunca ter feito). 

Depois desse dia veio outro, pesado, a chorar os que morreram, a identificar muitos deles, a procurar as pistas dos atentados, a correr atrás dos responsáveis. E a ver o Estado francês a atacar o ISIS, em Raqqa, território sírio. Foi tudo isto.

E mais isto, uma mega-rusga, desencadeada em quatro localidades de França durante esta madrugada, notícia com que abrimos o liveblog do dia. Já lá está o aviso de Manuel Valls: "O terrorismo atacou e pode atacar de novo nos dias seguintes”.

Na sexta-feira, foi isto que aconteceu: 129. 129 pessoas que morreram. Cada um deles viveu uma vida, vivia a sua vida. Jantavam, cantavam, dançavam. Como estes portugueses, mas muito para lá deles.
É neles que pensamos quando pensamos em Paris. É para eles a nossa primeira homenagem (lembrando quem eram, um a um).

Houve mais heróis, os muitos que sobreviveram. E é também neles que pensamos, é também por eles que choramos - porque se deve chorar por quem sobreviveu a tudo aquilo. Chorar quando lemos o que escreveu Isobel, a mulher que sobreviveu à chacina do Bataclan e que nos contou como - e que agradeceu por tudo aos que a salvaram. No Bataclan, logo no Bataclan, que deu a Paris 150 anos de felicidades até esta sexta-feira, dia 13.


Paris. A investigação.

Os investigadores chegaram a um nome: Omar Mostefai, 29 anos, terrorista. O New York Times identificou-o como filho de uma portuguesa, cujos vizinhos contam uma história que mal conseguimos acreditar que acabou assim.

É possível dizer já alguma coisa sobre os outros terroristas. Um, por exemplo, que chegou a ser detido, mas está em fuga. Outros que a investigação segue, recorrendo novas pistas. Muitas dessas pistas levam-nos até uma cidade: Molenbeek. E até um país, a Bélgica, aquele que mais terroristas “exporta” para o Estado Islâmico.

Sabemos também que há cidadãos franceses entre os criminosos (metade dos estrangeiros que estão no EI são franceses). E, em qualquer caso, sempre a mesma pergunta: como explicar que cidadãos europeus, nascidos em liberdade e em paz, se sintam atraídos pelo ISIS? É o que os serviços de informações europeus (que já previam um ataque destes na Europa) têm tentado descobrir desde que o EI se tornou uma ameaça visível. E estas são as respostas que conseguiram.

Paris. Síria. Estado Islâmico.Já lhe contei que França retaliou ontem com um ataque em Raqqa, na Síria. A França de Hollande, que logo falou da noite de sexta-feira como um "ato de guerra". E que agora recebe garantias de mais coordenação, de mais apoio, de mais ação, p.e., dos EUA.

Chegado aqui, é importante deixar-lhe este texto: o Estado Islâmico, aliados e inimigos no conflito da Síria em 16 gráficos. Para o ajudar a perceber o que se passa ali. Nestes dias vai ouvir falar muito nisto.

E também este: o Estado Islâmico estará a mudar estratégia militar. Vale a pena ver como.

E ainda este outro texto, que escrevemos há uns meses - mas muito, muito atual: onde é que o Estado Islâmico vai buscar dinheiro?

O que sobra, para nós pensarmos.Sobra uma dúvida: como contar tudo isto aos nossos filhos? (com estas respostas possíveis).

Sobram os cartoons, com uma tremenda homenagem a Paris e a todos os que viveram estes dias.

Sobra a opinião  - e perdoe-me, mas vou destacar as da casa: José Manuel Fernandes ("Esta guerra, o islamismo e a nossa cobardia moral"); Rui Ramos ("Paris fica na Síria"); Helena Matos ("O principado de Zouheir"); Paulo de Almeida Sande ("Do fundo de um poço fundo"); João Marques de Almeida ("13 de novembro"); José Milhazes ("Será que o terrorismo vai vencer?"); e Lucy Pepper ("Nós somos os relações públicas do terrorismo").

Mas sobram sobretudo estes 4 debates que voltam em força com os atentados de Paris: Como devemos lidar com os refugiados? A extrema-direita vai ganhar? Já não vivemos seguros na Europa? O combate ao ISIS passa por uma intervenção militar? Ponto a ponto, obrigatório ler.
[...]

Como vai ser a TAP privada? A resposta curta é 53 novos aviões e bilhetes a 39 euros. A resposta longa está aqui.

O Julgamento de Luaty Beirão arranca hoje, sem que os advogados dos vários ativistas tenham a acusação, mas com uma notícia dando conta que uma conversa no Facebook é apresentada como ‘prova’ da rebelião, conta o Público hoje.

Notícias surpreendentes
Porque a história não tem de ser contada em tom triste, aqui está a história recente contada em 30 fotos inesperadas. A alegria do menino que recebe os primeiros sapatos após a guerra, uma japonesa nua num comunicado militar, Lenine em cadeira de rodas, a primeira mulher de fato de banho. Um outro lado da História.

E agora que falamos do que ficou lá para trás, atente a isto:
um teste para saber se ainda se lembra dos anos 80. Aviso - há por aqui muita coisa de gosto duvidoso :)

Falando nos 80'. O que aconteceu aos bigodes do futebol português?  Em pleno Movember, movimento que recupera o bigode no mês de novembro, o Tiago Pais foi esmiuçar a relação dessa pilosidade facial com uma das classes profissionais que lhe foi mais fiel: os treinadores de futebol. Sim, eu disse esmiuçar.

E destas músicas? Ainda se lembra? Como diriam os Taxi, a maioria dos sucessos pop são como uma chiclete: provamos, mastigamos e deitamos fora. Nós fomos ao caixote buscar êxitos esquecidos. Temos aqui Dina, Da Vinci, Ban e muito mais (porque quem canta...).

Hoje despeço-me de forma diferente. Com um agradecimento especial a todos os jornalistas do Observador que passaram o fim de semana com um computador à frente, com o telefone na mão. Trabalhando muitas horas para lhe contar a história desta tragédia. Infelizmente nenhum de nós vai esquecer estes dias.

Daqui, de todos nós no Observador, segue um voto sincero de um dia bom. Estaremos com Paris no coração, na cabeça, na ponta dos dedos. Por eles, por si. De vermelho, azul e branco, como todo o mundo.

Até já. 
David Dinis, 16-11-2015

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