sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Um desporto nacional: o tiro ao Coelho

Henrique Pereira dos Santos

Não deve passar uma semana sem que haja um ou dois, pelo menos, anúncios da morte política de Passos Coelho, seja por pessoas que nunca se enganaram em relação ao futuro, como Daniel Oliveira, seja por jornalistas diversos, seja por amigos, adversários e inimigos.


Para esse desporto nacional contribui muita gente, com textos mais divertidos ou simples conversa de porteiras, em que cada afirmação é criteriosamente interpretada para caber na tese previamente definida.
Por exemplo, Manuel Carvalho, há dias, era absolutamente definitivo "É oficial: o ocaso político de Pedro Passos Coelho deixou de ser uma previsão de cartomância. É uma realidade".

Compreendem-se bem estas declarações definitivas quando se olha para a sólida fundamentação apresentada por Manuel Carvalho: Rui Rio vai a jantares de Natal e Hermínio Loureiro disse qualquer coisa. Até se poderia dizer que jantares há muitos, mas Hermínio Loureiro dizer qualquer coisa, isso sim, é um sinal inequívoco e inegável.

"A sua solidão é sinal da sua incapacidade para angariar lealdades com estratégia e fidelidades com vitórias" diz, com lucidez e originalidade Manuel Carvalho.

"Passos Coelho parece seguir cada vez mais sozinho no caminho escolhido por si... há uma divisão cada vez menos silenciosa e mais ideológica que ameaça o PSD… "Estas medidas pré-anunciam o divórcio entre Passos Coelho e os portugueses, mas também entre Passos Coelho e o PSD", afirma... um ex-dirigente do partido. Este social-democrata… está preocupado…

"Depois de criada uma dinâmica social de contestação, incompreensão e desconfiança, um mau resultado eleitoral nas autárquicas pode conduzir ... a uma crise política", antecipa.".

Peço desculpa aos leitores, distraidamente engatilhei uns artigos de jornal noutros e esqueci-me de avisar que esta última citação é de 2012, num artigo chamado "Passos encurralado?".

O tiro ao Coelho é como a fama da aguardente Constantino: já vem de longe.

Tal como as figuras ridículas dos jornalistas que se repetem ano após ano, mês após mês, semana após semana, no anúncio da morte política de Passos Coelho.

Um dia inevitavelmente acertarão, claro, mas penso que nem percebem como no entretanto o pagode se ri com o espetáculo do rei que vai nu.
Título e Texto: Henrique Pereira dos Santos, Corta-fitas, 29-12-2016

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