sábado, 11 de fevereiro de 2017

[Para que servem as borboletas?] Ó Espírito Santo! O que é feito de ti?

Valdemar Habitzreuter

Parece que de espírito santo pouco sobrou, mas há muito de espírito maligno neste Estado Federativo do Espírito Santo. Que coisa triste, isto que está acontecendo por lá! Tomara que esta baderna não sirva de exemplo e não se estenda a todo o país. Esta sociedade deixou-se levar pela anarquia e violência, desprezando os princípios éticos e morais.

O que é exatamente ÉTICA na acepção própria da palavra? A palavra é derivada da palavra grega ethos e tem o sentido primordial de morada. Morada é o lugar, supostamente limpo e asseado, onde fruímos de bem-estar; é o refúgio, o espaço íntimo, onde nos recolhemos para estar a salvo da exterioridade perturbadora da paz. Portanto, é o nosso esconderijo onde temos nossa privacidade e onde manifestamos nosso modo mais autêntico de ser, nosso caráter.

Por ética entendo, pois, construir aquele lugarzinho no íntimo do meu ser para abrigar o meu eu mais profundo donde possa com mais discernimento orientar a minha vida ativa que se desenrola na superfície do cotidiano. Este eu ético nada mais é do que minha consciência que sabe distinguir entre o bem e o mal e me mostrar o caminho a trilhar, o caminho da moralidade (mos, moris: do latim, comportamento, costume) - o caminho dos bons costumes.

Os seres humanos só saberão conviver pacificamente se cada qual erigir, em primeiro lugar, sua morada interior com fundamentos que enalteçam a vida, sua própria e a dos outros; e cada qual saber o dever que implica em conservar esta morada limpa, sem nódoas de desonestidade e de falsidade consigo mesmo. A partir daí é possível erigir moradas externas profícuas para uma vida harmoniosa; assim, haverá paz nas famílias, nos bairros, cidades, Estados e em todo o país.

Sem uma consciência ética o ser humano destrói-se pouco a pouco espiritualmente e torna-se um bruto desalmado sem medir as consequências de seus atos violadores da boa e honesta conduta, comprometendo a vivência pacífica em sociedade.

É o que estamos presenciando nestes dias no Espírito Santo, com a greve da polícia militar. O espírito bandido está solto aí feito louco e contagiou uma grande parcela da população conduzindo-se de modo antiético, efetuando ataques à propriedade alheia, pilhando, destruindo e matando. Esta gente não se preocupou, ao longo de suas vidas, em cultivar um ethos, aquele lugarzinho onde seu eu pudesse ter sido imbuído do espírito santo e, assim, caminhar na retidão e honestidade.
Título e Texto: Valdemar Habitzreuter, 11-2-2017

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