quarta-feira, 11 de abril de 2018

A “direita” brasileira é a mais burra do mundo

Miguel Pinheiro

Se a Lava Jato é uma invenção da "direita" para prender Lula, então por que é que encheu presídios com políticos, imagine-se, da "direita" e com os responsáveis das maiores construtoras?


Catarina Martins tentou esgotar o dicionário para falar sobre “a direita” brasileira, que pelos vistos é “reacionária”, “racista”, “fascista” e ocupa os seus tempos livres a “destituir”, a “prender” e a “matar”. Mas, apesar da forma exaustiva como descreveu “a direita”, faltaram duas palavras: essa “direita” é também incompetente e burra.

Só pode. Se, de facto, como argumenta a preclara líder do BE (repetindo argumentos do PCP e das viúvas do socratismo), “a direita” brasileira inventou a Operação Lava Jato para conseguir “a prisão de Lula”, “o julgamento da política do Partido dos Trabalhadores” e a promoção, proteção e eternização do “poder das grandes construtoras” — então ela é, sem sombra de dúvida e a grande distância, a mais incompetente e burra do mundo.

É que, de facto, a Operação Lava Jato conseguiu prender Lula, como muito argutamente notou Catarina Martins — mas, antes disso, decapitou a carreira de alguns dos principais políticos da “direita” e enviou para os calabouços os responsáveis das maiores construtoras.

Os factos têm dificuldade em penetrar no mundo de fantasia embrulhada em retórica que a líder do BE gosta de servir nos seus discursos, mas, de qualquer forma, vamos olhar para uma lista muito rudimentar dos alvos da Operação Lava Jato na “direita”:

1) Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, promotor do impeachment de Dilma Rousseff e um dos políticos mais comicamente conservadores do país — é autor de uma proposta que pretendia criminalizar o “preconceito heterossexual” e é defensor da criação do Dia do Orgulho Heterossexual; ou seja, é o nemesis perfeito de Catarina Martins — foi condenado a 15 anos e quatro meses de prisão por corrupção passiva.

2) Sérgio Cabral Filho, do PMDB (o partido do atual Presidente da República, Michel Temer, “usurpador” do cargo de Dilma), ex-governador do Rio de Janeiro e ex-senador está preso por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

3) Aécio Neves, ex-candidato da “direita” contra Dilma Rousseff em 2014, ex-governador de Minas Gerais, ex-presidente da Câmara dos Deputados e atual senador já foi suspenso duas vezes do cargo, tem cinco inquéritos em investigação e no dia 17 deste mês o Supremo Tribunal Federal decide se o constitui arguido num processo por corrupção passiva e obstrução à justiça.

4) Fernando Collor de Mello, ex-Presidente da República que se apresentou como liberal, derrotou Lula e acabou destituído, e agora ocupa o cargo de senador, é arguido por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

5) Renan Calheiros, ex-presidente do Senado, ex-ministro da Justiça de Fernando Henrique Cardoso e atual senador, está a ser investigado por corrupção.

6) Romero Jucá, senador e presidente do PMDB (lembrem-se, o partido de Temer), está a ser investigado em vários inquéritos.

7) Roseana Sarney, filha de José Sarney, ex-senadora, ex-governadora do Maranhão e pré-candidata à Presidência da República em 2002 pelo Partido da Frente Liberal e hoje no PMDB, está a ser investigada num inquérito.

8) Nas construtoras, estão condenados a vários anos de cadeia os ex-presidentes do Conselho de Administração da Camargo Corrêa, da OAS e da Odebrecht e está a ser investigado o da Andrade Gutierrez.

Claro que podemos sempre argumentar que isto faz parte da Grande Conspiração Anti-Lula. Para disfarçar (mal, muito mal) o seu verdadeiro objetivo, os mefistofélicos mentores políticos da Operação Lava Jato decidiram encarcerar boa parte da “direita” e dos líderes das muito capitalistas empresas de construção. Depois de encherem presídios um pouco por todo o país, chegaram finalmente a Lula, que era onde pretendiam começar e onde desejavam terminar. Eu, por mim, acho que faz todo o sentido.
Título e Texto: Miguel Pinheiro, Observador, 11-4-2018

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