sexta-feira, 13 de setembro de 2019

[Aparecido rasga o verbo] Terra sonâmbula

Aparecido Raimundo de Souza

O BRAZZIL, COMO JÁ DISSEMOS em textos anteriores (e aqui voltamos a bater na mesma tecla e açoitaremos quantas vezes mais for preciso), é aquela localidade fora do mapa, rincão sem lei, sem regra, sem princípio de norma para seguir. Lugar sem inventário, sem pauta, projeto cambeta, afastado e completamente distanciado dos limites de uma nação séria e sem máculas. Nessa gleba de ninguém, proliferam a céu aberto, a olhos vistos, todos os puteiros do mundo e suas trocentas variantes de iguarias com nomes os mais estrambólicos. Está localizado, esse solo de bestas-feras, nas zonas onde a devassidão e o meretrício abundam em seu grau máximo.

Não só o meretrício, igualmente os meritíssimos, vestidos com as roupas e as insígnias que compõem a toga ordinária da justissa (aquela outra piranha que usa uma venda na fuça) em nome da “Desconstituição Federal”, enlameando de bosta fedorenta as nossas paragens, tornando-as, no fim da história, em mil outras vagabas gostosamente piranhudas. Em grosso expressar, em meretrizes que, por dinheiro, fazem barba, cabelo, bigode, e, se duvidar, cavanhaques e sobrancelhas com a mesma destreza e convicção.

Na capital Brazzília, conhecida como o Grande Avião Pousado, se concentram os velhacos, os fraudulentos, os manhosos, os bilontras e as lombrigas, os vermes, usque os cânceres etiquetados e carimbados de parlamentares ou, dito de forma mais amena, os nossos representantes legais, ou nossos aleivosos e pérfidos deputados federais, os nossos apócrifos senadores da República, os nossos dúbios e temidos miSInistros… Enfim, uma feira livre, onde uma leva gigantesca de filhas e filhos da puta que, em grossa expressão, não passam ou não vão além de meras desgraças nossas de cada dia.

Vamos dar um exemplo. O STJ, Superior Tribunal de Jumentos prevê um gasto de setecentos e vinte e sete mil reais na reforma de um imóvel de um desses inescrupulosos que chamamos de “ministro” e o tratamos pela pompa de “excelência” (excelência é a puta que pariu). A reforma do imóvel dessa lombriga malparida, no Lago Sul, inclui uma área para churrasqueira, uma piscina com painel eletrônico, e pasmem amados, trinta e quatro mil reais só em instalação de aparelhos de ar condicionado. Essa notícia saiu no jornal O “Estadão” do dia 13 de agosto deste ano (ou exatos trinta dias atrás) e tem a assinatura do jornalista Patrik Camporez. Quem quiser conferir, basta acessar o link. Inclusive, traz uma foto da choupana que deverá ser ocupada por esse verme, perdão, por sua reverendíssima Excelência.

Foto: Dida Sampaio/Estadão
“Janjão Farinjeta”, nome artístico de Alceu Alves de Aquino, um comediante surgido dos cafundós do Paraná, pincelou, em começo de carreira, esses porcos do epicentro como “parlamencagares”, “deputacagados federais” e “sarnadores da república”. Segundo ele, sarnadores, por causa das sarnas que carregam no corpo; e, para piorar, propagam aos seres humanos, ainda que vacinados. Os sarnadores são acometidos pela praga da coceira, com salpicos de titica fétida para os nossos lindos e ordinários “miSInistros”.

No geral, gentalhas escabrosas da pior espécie que vivem para sugar nosso sangue. Daí essas ilustres excelências não largarem de nossos colhões. O Brazzil (de Cabral, hoje de cabritos; amanhã, certamente de cabrestos em nossas caras) vive de teimoso; seu povo, de promessas. Brazzília se arrasta aos peidos, num lamaçal, embora os embusteiros e raposeiros de colarinhos brancos façam das tripas coração para mostrarem ao restante do planeta que, por aqui (e por lá) está tudo na mais perfeita ordem e progresso. O certo, amados leitores, seria tornar público um lema mais positivista tipo: “desordem e desprogresso”.

Nosso povo é escravo cativo da desordem, se fez servo de meia dúzia de mamadores de cacetes que nos mantêm a ferro e fogo nas garras da desprosperidade. Perdão, a matemática está errada. São (no dizer de Janjão Farinjeta) oitenta e um “sarnadores federais e quinhentos e doze deputacagados”, seguidos de um cem-número de “miSInistros” que vomitam e cagam num bordel maior e alinhadamente mais organizado. Ajeitada à pica da verdade em nossos rabos falamos, com todas as letras, do suntuoso e deslumbrante STJ (Superior Tribunal de Jumentos e do poderoso e opíparo STF, ou Superior Tribunal de Falcatruas).  Acrescentar algo mais, seria chover no molhado.

Vamos para outra banda. O Brazzil, desde os tempos do descobrimento, perdeu a vergonha, o mérito, o respeito, a compostura, a seriedade, a virgindade, a pureza. Seu povo ignaro, cordeiro, simples, modesto e miserável se viu afogado nas águas de corredeiras escuras, negras como o porvir de berço pátrio. De roldão, deixou levar para o fundo do poço a lealdade, a honradez, a soberania e o faustuoso. Permitiu, por vontade própria, seguir a bel prazer o curso da casa do caralho, os direitos de cada um em particular. Nosso paraíso é hoje uma ilha da fantasia ao contrário, onde os bufões são os Manés e as Maricotas, os fodidos e os imbecis, os sem-teto, sem um grão de arroz ou de feijão para colocarem no prato e, “mais mau”: sem um lugar para chamarem de seu.

Ao final de tudo, pessoas leigas, seres que não enxergam um palmo diante de seus narizes, cidadãos que trabalham e dão o suor de seus rostos para manterem na bem-aventurança essa matilha de lobos famintos à beira de nos devorar. Prova disso, supersalários, para uma súcia de parasitas, o Palácio do Planalto empregando dez vezes mais que a Casa Branca, sem falarmos nas reformas diárias onde os privilégios se sucedem numa ordem sempre crescente: auxilio creche para o procurador, auxilio livro para o motorista do governador, auxilio alimentação para a esposa do senador tal, auxilio funerário para o deputado Cu Fedido, auxílio boceta de amante para nossos congressistas, auxílio supermercado e outras listinhas com nomes diferentes. Tudo milimetricamente concentrado, maquiado para enganar e engabelar os babacas. Nós, senhoras e senhores, somos os BABACAS.

O Brazzil há muito está na sarjeta, dopado, enxovalhado na cocaína da merda, atolado até o pescoço nas urinas contaminadas desses amaldiçoados que insistimos em preservar no Imenso Aeroplano Estacionado. Essa aeronave, senhoras e senhores, não é capaz de voar. Não sai do lugar, não deslancha em vista do peso em excesso das bandalheiras e sacanagens que colocam em seus bagageiros. A mais recente desgraça anunciada, a lei que, se aprovada, tornará o pedófilo não um criminoso em potencial, mas um doente e como tal, deverá, após molestar uma criança, ser encaminhado para um hospital psiquiátrico e logo em seguia, depois de avaliado, retornar à sociedade. A pergunta que deixaremos no ar.

Os santinhos sem mães, os micróbios que pugnam pelo passamento dessa lei: se fosse um filho, ou uma filha deles, ou um neto, uma neta, ou a esposa, será que esses “nossos representantes” calhordas teriam coragem de APROVAR??!! Em nosso socorro, veio o cantor Rik, da dupla sertaneja “Rick Renner”. Assistam ao vídeo abaixo e vejam o que o sertanejo teve a coragem de dizer em face de mais essa aberração.
  
Em resumo: temos alternativa? Não temos saída! Temos para onde seguir? Não temos para onde seguir ou correr. Estamos de pés e mãos atados à mercê de malfeitores, picaretas, erroneamente carimbados de “nossos guardiões”. Para terminarmos, façamos um teste tira-teima. Brazzil seja corajoso com você mesmo. Arranque sua calça, abaixe sua cueca, mostre aos brasileiros honestos o que sobrou de sua bunda, das suas pregas. Pelo amor de Deus, nos deixa ver, de frente, o seu constrangimento, o seu desagrado, a sua aflição, a sua destreza, o seu grito de guerra. Queremos todos ver, e não só ver, sentir, de perto, a sua BRAVURA. Sobretudo, a SUA CORAGEM. Tens peito??!!
Título e Texto: Aparecido Raimundo de Souza, de Sorocaba, interior de São Paulo, 13-9-2019

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