domingo, 22 de setembro de 2019

Livros & Leituras] Hierarquias (As 12 regras para a vida)

Jordan B. Peterson

Veja bem, tenho algumas crenças que podem ser consideradas como tendo uma inclinação à esquerda. Acredito, por exemplo, que a tendência de distribuição de bens valiosos com desigualdade pronunciada constitui uma ameaça sempre presente à estabilidade da sociedade. E penso que há boas evidências. Isso não significa que a solução para o problema seja óbvia.

Não sabemos como redistribuir a riqueza sem acrescentar uma nova gama de outros problemas. Sociedades ocidentais diferentes tentaram abordagens diversas. Os suecos, por exemplo, forçaram a igualdade ao seu limite. Os Estados Unidos tomaram um curso oposto, presumindo que a criação da riqueza líquida de um capitalismo mais livre para todos constitui a maré alta que levanta todos os barcos. Os resultados desses experimentos ainda não foram concluídos, e os países divergem muito de formas significativas.

Diferenças em história, área geográfica, tamanho da população e diversidade étnica tornam a comparação direta muito difícil. Mas certamente o caso é que a redistribuição forçada em nome da igualdade utópica é uma cura pior do que a doença.

Acredito, também (o que pode ser considerado de esquerda), que a reorganização incremental das administrações universitárias de forma análoga às empresas privadas é um erro. Acredito que a ciência da administração é uma pseudodisciplina. Acredito que o governo pode, às vezes, ser uma força para o bem, assim como o árbitro necessário de um conjunto de regras necessárias.

Todavia, não compreendo por que nossa sociedade oferece financiamento público para instituições e educadores cujo objetivo declarado, consciente e explícito é a destruição da cultura que os sustenta. Essas pessoas têm pleno direito a suas opiniões e ações se permanecerem dentro da lei. Mas não há uma justificativa plausível para o financiamento público.

Se radicais de direita recebessem financiamento público para operações políticas disfarçadas de cursos universitários, como os esquerdistas radicais fazem, o alvoroço dos progressistas em toda a América do Norte seria ensurdecedor.

Existem outros sérios problemas à espreita nas disciplinas radicais, além da falácia de suas teorias e métodos, e sua insistência de que o ativismo político coletivo é moralmente obrigatório.

Não existe sequer um fiapo de evidência que apoie qualquer uma de suas alegações centrais: que a sociedade ocidental é patologicamente patriarcal; que a lição mais importante da história é que os homens, e não a natureza, eram principal fonte de opressão das mulheres (ao invés de serem seus parceiros e apoiadores, como a maioria dos casos); que todas as hierarquias são baseadas no poder e visam a exclusão.

As hierarquias existem por muitas razões – algumas potencialmente válidas, outras não – e são incrivelmente antigas em termos evolutivos. Os crustáceos machos oprimem os crustáceos fêmeas? Suas hierarquias deveriam ser destruídas?
Título e Texto: Jordan B. Peterson, in “12 regras para a vida – um antídoto para o caos”, páginas 323 e 324. Alta Books Editora, Rio de Janeiro, 2018.
Digitação e Marcação de Texto: JP, setembro de 2919

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