segunda-feira, 23 de setembro de 2019

[O cão tabagista conversou com...] Rommel Costa: “Temos a obrigação de lutar pelo país e pelas gerações futuras.”

Nome completo: Rommel Reis da Costa

Nome de Guerra: Rommel Costa

Onde e quando nasceu? Nasci em Aquidauana, Mato Grosso do Sul

Onde estudou?
Estudei em Manaus, Amazonas, para onde me mudei aos 3 anos de idade. Fiz o primário (fundamental) no colégio Dom Bosco e o segundo grau (médio) na Escola Técnica Federal do Amazonas – ETFAM.

Então, passou a infância e juventude em Manaus?
Sim, passei a infância e a juventude em Manaus. Nasci em Aquidauana, Mato Grosso do Sul, e aos 3 anos meu pai, que tinha ido assumir no Banco do Brasil de lá, voltou para Manaus com a família. Aqui permaneci até os 22 anos quando me mudei para o Rio de Janeiro, transferido para a Base Rio, em razão do término da Base Manaus.

O nome Rommel, por acaso é uma homenagem ao General Erwin Rommel “A raposa do deserto”?
Meu nome, de fato, é uma homenagem ao Marechal de Campo, Erwin Rommel, conhecido como "A Raposa do Deserto".

Qual (ou quais) acontecimento marcou a sua infância e juventude?
Tive uma infância muito tranquila, muito feliz.

Um fato marcante foi o nascimento da minha irmã caçula.

Na juventude, tenho muito presente a minha participação em campeonatos de handebol no âmbito escolar e de clubes.

Quando começou a trabalhar?
Comecei a trabalhar em 1984 como Técnico em eletrônica, já que me formei no curso de eletrônica na Escola Técnica Federal do Amazonas. 

Em março de 1986 fui para São Paulo como aluno comissário de bordo da Varig, começando a voar meses depois.

Por que procurou a Varig?
Foi uma oportunidade que surgiu à época. A Varig tinha uma base de comissários em Manaus, e em 1986 fez uma seleção para novos comissários, momento em que vi a oportunidade de fazer parte daquela que era uma das maiores empresas de aviação da época.

Vi a oportunidade de conhecer o mundo e expandir meus horizontes na Varig.

Lembra do seu primeiro voo?
Sim, foi um voo de Manaus para Macapá/Amapá. Acredito que em junho de 1986.

Ué?! “Acredita”?! Não lembra do seu primeiro mês de voo na RG? 😉
É que o mês que iniciei como aluno comissário e que consta na minha admissão, março de 1986. Então, não tenho certeza do mês, mas, acredito que foi em junho de 1986.

Certo.
Qual era o equipamento? Quanto tempo voou nele?

Meu primeiro voo foi no B737/200, equipamento que voei por três anos na base Manaus. Além de ter feito voos no B727.

E foi promovido para...?
Com o término da Base Manaus pedi transferência para a Base Rio onde voei um período na nacional e depois fui promovido para a Rota Internacional.

A Base Manaus acabou em 1989, certo?
Sim.

Então no Rio, você é promovido para a RAI. Qual o equipamento?
Inicialmente voei o B767, o DC10-30 substituído depois pelos MD11, o B747, e finalmente o B777.

Como ocupava o tempo nos pernoites?
Sempre procurei conhecer os locais onde pernoitava, era tudo novo para mim.
Depois do repouso necessário saía para conhecer os locais, fazia grandes caminhadas e ia aos pontos turísticos.
Sempre gostei de caminhar e conhecer os museus, praças e tudo mais que pudesse.

Quais os seus pernoites favoritos?
Meus pernoites favoritos eram Nova Iorque, Paris e Amsterdã.


Voou na RG até o fechamento?
Eu voei até 2003 quando decidi aderir ao plano de demissão voluntária (PDV). Naquela época a Varig já enfrentava dificuldades financeiras.

Eu tinha me formado em Direito e estava advogando, pedia para alguns colegas fazerem minhas audiências quando eu tinha voo. Achei então que era hora de virar a página.

Infelizmente, tempos depois a empresa fechou.  Mas, senti muito o baque.

Passou por algum perrengue na sua carreira?
Com relação a perrengues passei alguns, sim, como nosso avião ter perdido potência numa das turbinas decolando de Lima para Los Angeles.

Teve também uma tempestade num retorno para a base, São Paulo/Rio de Janeiro, foi terrível, o avião parecia uma batedeira.

Saudades da RG?
Sinto muita falta da Varig, vivi muitos momentos inesquecíveis, conheci muitos lugares e convivi com muitos colegas valorosos.

Felizmente, fiz alguns amigos com os quais ainda hoje tenho contato. Foram 17 anos de voo que levo no coração.

Então, depois de 2003, deduzo que a sua atividade seja a de advocacia...
Depois que saí da Varig em 2003 passei a advogar e me dedicar exclusivamente ao Direito, profissão que me deu muito orgulho de exercer.

Admiro os colegas advogados, pois, é árdua a vida de quem vive da advocacia, mas, ao mesmo tempo é prazerosa. Como toda a atividade autônoma você não tem estabilidade, não tem segurança quanto aos vencimentos. Se você trabalhar ganha, se tiver clientes, ok, se não, fica complicado. Assim, preocupado com a falta de estabilidade, resolvi fazer um concurso público em 2005, passei e em 2007 fui chamado. Hoje sou funcionário público.

Trabalha em Manaus?
Sim, desde 2007 sou funcionário público, sou Oficial de Justiça, já se vão doze anos nesse mister.


Como está a cidade de Manaus, capital do vasto Estado do Amazonas?
Meu caro Jim, Manaus está passando pelas mesmas dificuldades do restante do país, infelizmente chegamos ao fundo do poço.

Teatro Amazonas, Manaus, foto: Karine Hermes
Temos um país fantástico, mas, conseguiram acabar com ele, e em Manaus não seria diferente.

Temos um caos na área da saúde onde profissionais estão há meses sem receber e falta de tudo, crise humanitária em razão de centenas de refugiados venezuelanos, mas, vamos em frente.

Espero que as medidas que estão sendo tomadas pelo governo federal possam dar resultado. Um alento é que conseguimos tirar o país do viés esquerdista, do câncer chamado PT.

Não sei se “conseguimos tirar o país do câncer chamado PT” pois o câncer estava metastizado. Isto é, espalhado pelas universidades, imprensa, academia, ‘cultura’ e, naturalmente, pelo próprio funcionalismo estatal...
Concordo com você, ainda há muito a se fazer, ainda se tem que desaparelhar o Estado brasileiro. Mas, digamos que retiramos uma parte importante do sistema corrupto do país, um partido que institucionalizou a corrupção, que atuou na direção do maior sistema corrupto da história. 

Como os amazonenses viram a polêmica, lançada pelo presidente francês, das queimadas na floresta amazônica?
No meu círculo de amizades e vendo a repercussão do caso aqui em Manaus, acredito que a grande maioria da população repudia esse discurso de internacionalização da Amazônia. Temos um problema histórico de queimadas nessa época do ano e nunca vimos nenhuma grita de supostos defensores da floresta.

Aqui, nosso povo, na grande esmagadora maioria, respeita e protege a floresta, somos amantes da natureza, apesar da vida difícil, do abandono e do descaso das autoridades nacionais e internacionais. Ou seja, ninguém quer que o povo daqui progrida e nem tenha sua sobrevivência garantida, explorando, conscientemente, as riquezas da Amazônia.

Para você ter uma ideia, até hoje não conseguimos nos ligar ao restante do país por estradas. Nossa BR 319 não consegue ser asfaltada por nenhum Governo que passou. Vejamos nesse novo, apesar de não ter expectativa positiva.

O ministro da Infraestrutura, o carioca Tarcísio Gomes de Freitas, sabe disso? 😉
Acho o ministro Tarcísio uma das grandes surpresas positivas do Governo. Tenho acompanhado sua caminhada até aqui e vejo nele um ótimo ministro, mas, nem tudo depende dele, né?

Tivemos um ministro dos Transportes anos atrás que foi Prefeito aqui em Manaus, além de ter sido Senador e outros cargos políticos, que não conseguiu asfaltar a BR. É algo impressionante, "forças" estranhas impedem a conclusão desse sonho dos Amazonenses, que nem é tão grande, é apenas ser integrado ao restante do país por estradas.

E como vai governando Wilson Miranda Lima (PSC), Governador do Amazonas?
Com relação ao atual Governo do Estado não me surpreende sua péssima administração, estamos enfrentando uma série de problemas, em especial na saúde que é dramática, mas, acredito que sua falta de conhecimento e de experiência já indicavam esse caminho.

O Brasil tem futuro?
Meu caro Jim, apesar de me considerar uma pessoa realista, tenho obrigação de acreditar que sim, que o país tem futuro, se não, não faria sentido continuar trabalhando, lutando e fazendo a minha parte, o que me cabe, da melhor forma possível.

Temos a obrigação de lutar pelo país e pelas gerações futuras.

Na sua avaliação, fica mais fácil, ou não, lutar pelo país, sob o atual governo federal?
Sim, acredito que atualmente é muito mais viável lutarmos pelo nosso país, deixamos para trás um viés ideológico que travava o país, temos medidas no sentido de facilitar a vida para os empreendedores e para os empresários brasileiros.

Temos medidas fantásticas sendo empreendidas pelo Ministro dos Transportes, recuperando estradas e reativando ferrovias.

Temos um Ministro extremamente empenhado contra a corrupção e contra o crime organizado.

Sergio Moro, foto: Sérgio Machado/Reuters
Enfim, temos um horizonte melhor, no meu ponto de vista. Apesar dessa cambada de políticos, desses abutres e salafrários do Congresso, com algumas raras exceções, tentarem sabotar tudo que podem, ainda assim eu acredito.

Uma pergunta que não foi feita?
Uma pergunta que gostaria de responder, poderia ser alguma com relação à falência da Varig. Acho que hoje em dia ninguém tem mais dúvidas de que aquilo tudo foi orquestrado pelos governantes e interesses da época.
Grupos já pré-determinados que lucrariam muito com a quebra da empresa e que ficariam com os aviões, com os slots, com as linhas, enfim, com o ativo limpo da Varig.

Deixaram os funcionários desamparados, esquecidos e, até hoje, lesados.

Deixaram acabar uma das maiores empresas de aviação do mundo, referência e cartão postal do Brasil, por pura especulação financeira, interesses escusos e tráfico de influência.

Tudo bem característico do Governo de então. Descaso, interesses escusos, corrupção, desvios etc, etc, etc.

Jamais esquecerei esse triste capítulo da nossa empresa.

Lamento e rezo pelos inúmeros colegas que já se foram e pelos que, ainda hoje, estão lutando para receber seus direitos.

A derradeira mensagem:
Grande Jim, foi um prazer falar com você e espero que seus leitores, acredito que muitos sejam colegas do voo, se lembrem de mim e que bons ventos nos encontrem e nos guiem sempre.
Grande abraço.

Obrigado, Rommel!

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