sexta-feira, 8 de março de 2019

[O cão tabagista conversou com...] Ruben Aguiar: “acho que a ligeira deficiência motora que tenho desde nascença foi, em grande parte, o motor da minha vida. Por incrível que pareça.”

Arquivo pessoal
Nome completo: Ruben Rafael Gomes Aguiar

Nome de Guerra: Ruben Aguiar

Onde e quando nasceu?
Nasci na Póvoa de Varzim, Portugal, em 26 de janeiro de 1994.

Onde estudou?
Licenciei-me em Desporto na Escola Superior de Desporto de Rio Maior.

Onde passou a infância e juventude?
Entre Vila do Conde e Porto, duas cidades lindíssimas e cheias de história.

Não conheço bem Vila do Conde, embora já tenha passado por lá, a última vez em dezembro de 2017. Quanto ao Porto, lá passei dois anos queridos da minha adolescência, dos 15 aos 17 anos. E, curiosamente, em alguns domingos de verão íamos a Vila do Conde passear, e paquerar, no calçadão de Vila do Conde... isso em 1965/1967... faz tempo, né?
Sim, ainda eu não sonhava nascer.

Qual (ou quais) acontecimento marcou a sua infância e juventude?
Sou da opinião que todos os acontecimentos que acontecem nessa altura nos marcam, são eles que constroem a nossa personalidade.

Mas, acho que a ligeira deficiência motora que tenho desde nascença foi, em grande parte, o motor da minha vida. Por incrível que pareça.

Foi ela que aguçou o meu gosto pelo desporto e o sentido de humor, que me levou, mais tarde, à escrita.

Que tipo de deficiência?
Uma dificuldade motora no braço esquerdo, que afeta sobretudo os movimentos mais minuciosos.

Qual o esporte que pratica?
Por incrível que pareça foi pelo basquetebol que me apaixonei e hoje faço carreira de treinador.

Arquivo pessoal

Maravilha!
Quando começou a trabalhar?
Em 2011, com 17 anos.

Em que área?
Na área do basquetebol. Sou treinador desde então...

Falando em esporte, vi no seu perfil que você torce pelo FC Porto, certo?
Não sou muito ligado ao futebol, gosto muito da equipa de basquetebol do Porto.
E do clube por filosofia.

Como você analisa a campanha do FC Porto na Primeira Liga e na Liga dos Campeões da Europa?
Atrai-me particularmente o trabalho do treinador Sérgio Conceição.
Como referi acima, o Porto tem uma filosofia particular, uma enorme sede de vencer e o Sérgio, como líder, incorpora isso como ninguém.
E os resultados estão à vista.

Ainda falta muito jogo... 😊😊

Atualmente, além de treinador de basquete, você abraça outra(s) atividade(s)?
Não, este ano sou treinador a tempo inteiro.

Qual o clube em que você é treinador?
Clube Desportivo José Régio, de Vila do Conde.

Arquivo pessoal
Quando acertávamos esta conversa você mencionou que está escrevendo um livro...
Sim, já escrevo há algum tempo, mas, honestamente, não pensava em publicar.

Acontece que este ano tive contato com uma notícia horrível: foi diagnosticado a um dos meus atletas (curiosamente seu conterrâneo), com apenas 13 anos, um cancro.

A vontade de ajudar fez-me ganhar coragem e publicar uma compilação de vários textos, escritos ao longo destes anos.

O livro é para ajudar o menino, como assim?
Todo o dinheiro da venda do livro será para ajudar no seu tratamento.

Já podemos ler o “rascunho”?
Sim, claro.

Onde, ou como?
Todos os textos do livro estão disponíveis na minha página de Facebook.
E eu próprio pretendo disponibilizar o livro online. Mas isto apenas depois de sair em formato físico.
Entretanto, creio que já possa ser acessado em formato pdf aqui

Como fazer para ajudar o menino, Kauan Valente? Como é que ele está?
Há várias formas de o ajudar, uma delas é a compra do livro, mas não só.
A família tem uma conta bancária destinada apenas a receber donativos para o seu tratamento. Aqui tem todas as informações para ajudar o Kauan [foto].


Quanto ao livro, que cheguei à página 87, na minha percepção, emana forte preocupação em ser/estar “politicamente correto”....
Nada disso, a primeira parte do livro, os textos humorísticos são, todos eles, a minha visão crítica da sociedade, em alguns casos até geraram discussões acesas na minha página. Sobretudo vindo de apoiantes do partido português de extrema-direita.

Qual é o partido português de extrema-direita?
Partido Nacional Renovador.

Apoiantes de partidos de extrema-esquerda não protestaram?
Claro que sim, a ignorância afeta os dois extremos do espectro partidário.
Acontece que comigo nunca protestaram.

Conhece o Brasil?
Nunca fui ao Brasil, mas conheço bem a realidade, através de amigos que são de lá.

Conhece os EUA?
Tenho uma relação de amor ódio com esse país.
Fascinado com o seu pragmatismo e estupefato com tanta ignorância.

O Partido Nacional Renovador foi o único partido português que se manifestou, presencialmente, em Coimbra e Lisboa, contra a vinda de um fujão brasileiro de extrema-esquerda...
O PNR iria manifestar-se caso fossem brasileiros de extrema-esquerda ou um conjunto de unicórnios anarquistas.
Eles não gostam de imigrantes, sobretudo aqueles que fogem de perseguições políticas ou de guerras, acham que vêm para cá roubar os empregos que eles não querem.
Nota do Editor: O senhor José-Pinto Coelho, presidente do PNR, foi convidado a conversar conosco. Não respondeu.

Qual a “realidade” que os seus amigos do Brasil lhe transmitiram?
A falta de segurança, a desigualdade social, a corrupção e a alta taxa de criminalidade.
Por outro lado, também conheço, através deles, o calor humilde do povo brasileiro, a alegria e a inabalável fé.

Sobre os EUA você se declarou “estupefato com tanta ignorância”. De que ignorância se trata?

É uma ignorância generalizada e quase que voluntária. Os Americanos, são em regra geral, tão cheios de si que não querem conhecer mais nada. Vê-se casos desses nas artes, no desporto ou na política.

Foram esses seus amigos brasileiros as fontes que o levaram a escrever no seu livro “Fasconaro”, “Um monstro de pessoa”, “O mais escuro humano” e “Anormal”?
Não, isso foi o próprio Bolsonaro, o seu discurso de ódio e, sobretudo, os valores que defendo que são totalmente contra.

Sei, compreendo. Mas, onde leu ou assistiu a esse “discurso de ódio”? Nos jornais “Expresso”, “Público”, “Diário de Notícias”, ou na RTP, na SIC Notícias?...
Também, mas fundamentalmente em entrevistas que ele deu e no programa eleitoral.

Quais os “valores” que você defende?
Defendo os valores da igualdade, educação, mas, acima de tudo a liberdade individual e tudo o que ela implica.

Meio vago, não? Quer dizer, politicamente correto, muito lindo, mas o que significa, concretamente, “liberdade individual”? Você acha que em Portugal não se goza de liberdade individual?
Não tem nada relacionado com o politicamente correto, até porque, o politicamente correto mata aquilo que é, na minha ótica, a liberdade individual.

O princípio, para mim, é simples, devo ser livre de dizer, fazer ou estar o que e como quiser.
Se todos pensarmos assim não perdemos tempo com coisas como: censurar ou obrigar os outros a dizer, fazer ou pensar como nós.

Não, acho que, um pouco por todo o mundo assistimos a uma censura diferente do que foi aquela marcada pela inquisição ou fascismo. Temos o povo a censurar o povo. Muitas das vezes de forma hipócrita.

Aliás, falando em Portugal, qual a sua opinião sobre a atual solução que governa Portugal?
Acho que não é de todo a ideal, continuamos com graves casos de incompetência no exercício do poder, principalmente na justiça.
Mas a base do problema não está em quem governa, mas no povo que não se interessa.

Ora, vejamos, o Brasil, segundo a sua expressa opinião, tem “um monstro de pessoa” presidindo-o, os Estados Unidos da América têm um presidente que, como você aconselha “venha comprar tijolos à Europa afinal de contas acho que os do muro de Berlim estão com desconto (porque ninguém os quer) e tiveram o mesmo efeito.” Tenho muita curiosidade em saber qual a sua opinião sobre o atual presidente de Portugal.
Se estamos a falar do presidente da república, acho que tem desempenhado um papel extraordinário, sempre muito próximo do povo e com um sentido humanitário muito apurado.

By the way, sabe porquê e quem construiu o Muro de Berlim?
Foi construído pelos socialistas para separar o mundo ocidental do oriental.

Quando eu digo que o muro de Berlim teve o mesmo efeito é precisamente isso, criar uma barreira entre pessoas, ideias e culturas.

Qual a sua avaliação sobre a música vencedora do Festival da Canção?
Pessoalmente, não gosto.
Como não gostei da música do Salvador que ganhou a Eurovisão em 2017.
Acho que o festival da canção reflete um pouco o estado da música:
“Um forçar a ser diferente, com um resultado muito desagradável”

E isso ofusca um pouco os músicos de qualidade que o nosso país tem, como é o caso de António Zambujo, Ana Moura, Miguel Araújo, entre outros.

Conhecia O cão que fuma?
Sim, e gosto, mesmo com opiniões diferentes das minhas.

E sobre os Coletes Amarelos?
Sou a favor de qualquer tipo de manifestação desde que bem fundamentada. Em Portugal, não o foi.


Por falar em coletes amarelos, conhece a França?
De política francesa pouco conheço.

Qual a sua opinião sobre Emmanuel Macron?
Não conheço bem ao ponto de comentar.

A pergunta que não foi feita?
Penso que foi falado pouco do livro.

A derradeira mensagem:
Não deixem de ser o que vos faz felizes.

Muito obrigado, Ruben!

Conversas anteriores:

2 comentários:

  1. A entrevista foi muito boa e proveitosa . Ruben aparenta ser bastante assertivo , coerente, centrado, e por veze conflitante com alguns dos próprios argumentos; creio que somos todos assim ... ás vezes nos contradizemos sem saber exatamente por quê, o que não tira o brilho da assertividade e determinação; bastante jovem, mira no rumo certo e sabe onde pretende chegar . Siga em frente, Ruben, parabéns , e lute por tudo aquilo em que acredita.

    Grande abraço.

    Sidnei Oliveira
    Assistido Varig-Aerus - RJ

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  2. Não tenho nada contra o que o entrevistado conseguiu e atingiu por mérito próprio.
    Discordo que torcemos por clubes por filosofia, assim como a religião e os traços de que o mesmo seja um politicamente correto, são ideologias.
    Quanto ao partido de direita português não existe como no Brasil, são todos liberais ou "whigs". O "gramscismo" matou o Brasil e está acabando com Portugal. Engraçado que quando morei em Portugal, no regime salazarista, fui muito bem tratado, exceto por funcionários públicos da época.
    Fazer o que nos faz feliz, chama-se hedonismo epicurista. deveria ser o nosso estado natural de ser.
    O globalismo está acabando com a dita EUROPA cultural.
    Infelizmente o conceito de liberdade individual não existe e nunca existirá.
    LIBERDADE É UM CONCEITO DE OUTRA PESSOA A SE RESPEITAR.
    O único direito livre e individual que temos é o de pensar, agir e falar sempre respeitando o outro.
    O livre pensar não significa o livre agir das ações nem o livre vocabulário de dizer o que quer a qualquer um.
    O socialismo não funciona, mas anarquismo é muito pior.
    Para ser ATEU, tem que ter lido a Bíblia.
    Para considerar que os Estados Unidos e o Brasil são fascistas tem que ler Gramsci e comparar com o que os socialistas fizeram no Brasil.
    MÉRITO NÃO É ESTIGMA.
    FUI...


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