sábado, 12 de janeiro de 2019

[Pensando alto] O dia que decidi me suicidar

Pedro Frederico Caldas

O maior dos crimes é o suicídio, porque é o único que não admite o arrependimento.
Alexandre Dumas

Nem vem que não tem.
Wilson Simonal

Manhã estival, primaveril, mar plácido, sol brilhando sobre as águas levemente onduladas do canal, provocando um mundo de cintilações, como diamantes à luz; contas pagas, mesa posta, taças de cristal límpidas e vinho respirando para se ofertar a paladares excitados.

Pensei comigo mesmo: que dia lindo para morrer! O suicídio seria perfeito, que só os idiotas escolhem para o ato final um dia soturno. Viver na alegria e morrer na alegria, pensei. Lembrei-me de minha tia Carminha. Nasceu para ser feliz e feliz morreu. Procurou fazer da vida uma festa constante e sempre dizia que quando morresse não queria velório triste, queria uma festa com música, comida e bebida. Figura fantástica, morreu nos braços da família com o destemor dos felizes. Pode-se dizer: um exemplo a ser vivido e um exemplo a ser morrido.
               
Mas tudo na vida exige conjecturas. Então comecei a pensar nas consequências, porque, como disse o Conselheiro Acácio, “as consequências sempre vêm depois”.
               
Uma vez suicidado, haveria, por certo, repercussões entre amigos e confrades, dentre os quais os augustos membros do grupo de liberais da Bahia. Alguém do Grupo ponderaria que o ato extremo teria sido fruto da minha angústia com a situação da Venezuela; outro cogitaria que alguém deveria ter falado mal do cabelo de Trump em minha presença, algo para mim, segundo ele, intolerável; um outro confrade poderia não dizer, mas seguramente pensaria que nem todo mal é mal, no fim das contas eu não mais interferiria nos debates com a mania besta de harmonizar princípios e pragmatismo. André Borges, misto de empresário e pensador, com a sua incontestável liderança, obtemperaria que minha morte... não!, não!, minha ida para o “andar de cima” não poderia ter sido em vão, que deveria inspirar o Grupo a pensar qual seria a repercussão da minha “falta” para o livre mercado. Ato contínuo, passaria a palavra para o pensador da turma, o circunspecto Odilardo.
               
Odilardo ajeitaria os óculos de leitor voraz e, após pigarrear umas duas vezes, olharia discretamente alguns manuais da Escola Austríaca, faria uma síntese mnemônica de alguns artigos do Instituto von Mises e, sob o olhar sempre crítico e atento do professor Josuelito Britto, começaria sua peroração.

A morte desse confrade, diria, terá, em que medida não importa, consequências imediatas sobre o mercado. Como parou de consumir e deixou algum cabedal econômico, a poupança deixada será direcionada imediatamente ao investimento produtivo, já agora nas mãos de arrojados e jovens sucessores. Acresceria que o falecido só fazia enaltecer o Capitalismo, mas, contraditoriamente, não queria nada com o batente. Na minha modesta opinião, arremataria, não passava de um agente provocador socialista infiltrado no Grupo para instilar gozações e arrefecer o nosso instinto animal de empreendedores. De qualquer forma, pontuaria, resta a certeza de uma queda de consumo no mercado enológico, o que faria baixar o preço do produto e acender em todo o grupo a esperança de vir a tomar os vinhos que só pessoas muito ricas como André Borges, Antônio Machado, André Azin e Romildo Pessoa conseguem tomar. Selaria a sua análise dizendo que o mercado se adaptaria rapidamente à minha morte.
               
Alguém mais pragmático diria que deveriam parar aquela conversa e voltar a falar mal do anão que governa Salvador, mesmo porque, “entre Amoedo e Bolsonaro, noves fora, nada!”.
               
De minha parte, após o ato extremo, já me via senhor do segredo que tem sido a maior especulação do homem desde que o mundo é mundo: o que há depois da morte.
               
Todos neste mundo sujeitos a morrer e eu, redivivo, tendo a eternidade pela frente, vivendo a verdadeira e definitiva vida.
               
Poderia numa noite dessas vir futucar meu amigo Elias Assef. Já não via a hora de vê-lo acordar espantado e me perguntar: “Meu caro Pedro, você não já morreu?”. E eu, como um Sherlock do além, responderia: elementar, meu caro Elias, estou em outra vida, a que conta, a eterna. Ele, lógico, me perguntaria se vi Cristo é se estava ao lado Dele. Eu responderia que não, porque, como praticara o pecado do suicídio e outras cositas más, descobertas durante o processo de admissão, fui condenado a seiscentos anos de Purgatório, isso porque fui considerado um ficha limpa e tinha bons antecedentes. Assustado ele ponderaria que seiscentos anos era um tempo incrível. Eu responderia que míseros seiscentos anos nada representavam perante a eternidade. Além do mais, como na terra, cumprido um sexto da pena, deixaria o Purgatório e ficaria por ali, sem tornozeleira eletrônica nem nada, num local agradável, esperando a bagatela de quinhentos anos para ingressar no verdadeiro paraíso, algo muito melhor que a mansão do Maluf ou o sambão com requebrado do José Dirceu!
               
Também não via a hora de fazer uma dessas visitas noturnas ao meu amigo Antônio Carlos, também católico fervoroso. Como o amigo Elias, ele perguntaria o que houve, sobre o porquê da minha súbita aparição. Responderia galhardamente que passara só para dar um recado do além, dizer que o Monsenhor Escrivá estava muito bem impressionado com a sua atuação e que recomendava perseverasse no bom caminho.
               
E Nêga?  Aí é que o bicho pega... Já via as comadres, amigas e parentes dizendo que a vida continuava, que ela ainda estava jovem e bonita e coisa e tal. Quem sabe... diria uma delas.
               
Depois de ponderar tudo isso e muitas coisas mais, resolvi que o suicídio era um bom negócio. Restava decidir como.

Pensei que seria muito fácil. Pegaria minha Glock e boom!, estava tudo terminado. Depois me lembrei que ainda não tinha comprado as balas. Afastada a hipótese de um rápido tiro, pensei em veneno ou corda, mas não tinha nem um nem outro em casa. Assim, pensei, só restava a alternativa de pular da varanda.

Fui até a varanda e olhei para baixo. Era alto paca! Não sei se por temor ou precaução, uma dúvida me assaltou. Há muita gente que sobrevive a quedas. Fiquei apavorado. Além de não morrer e de não gozar das delícias de uma vida eterna, poderia ficar seriamente prejudicado, ter irreversíveis danos cerebrais e passar a repetir os improvisos de Dilma, correndo o risco de ser aplaudido pela esquerda acadêmica.

Dei outra espiada no abismo. O abismo atraía-me, mas, ponderações eram necessárias, afinal, um homem prevenido morto vale mais que cem vivos. Duas hipóteses deveriam ser ponderadas: morrer, largar esta vida contingente e ir para a verdadeira e definitiva vida, a vida eterna; ou, não morrer, ficar tetraplégico ou lelé da cuca, pensar e agir como se fora Napoleão, ou ficar pela rua andando de costas e falando grego ao contrário. Desequilibrado, perderia toda e qualquer chance de entrar para a Academia Grapiúna de Letras e me tornar imortal, sem recorrer ao suicídio, como são os queridos amigos Antônio Nunes e Ramiro Aquino, ou ingressar triunfante na Honorável Confraria do Quibe e me reunir secretamente com Pedro Flávio e outros camuflados para tomar cerveja, comer tabule com quibe cru e falar da vida alheia.

A dúvida cruel gelava-me o sangue. Seria covardia ou prudência? Nunca se sabe, às vezes há dúvidas sem solução.

Solução?

Deu-me um estalo, igualzinho ao de Vieira. Já sabia o que fazer! Iria telefonar para minha comadre Mabel, a Solucionática. Para ela, sempre e sempre, em termos de dúvida, não há como talvez!
               
Mãos suadas, corpo trepidante, digito o número mágico de seu telefone.
               
- Alô! comadre Mabel?
- Sim, compadre, qual é o problema?    
- Estava pensando em me suicidar!        
- E daí?
- Não sei como fazer.    
- Usa qualquer coisa que possa acabar com a vida de qualquer um!        
- Dê exemplo.
- Pula na frente do trem, usa revólver, corda, veneno, confia no Supremo, ouve discurso de Dilma, ou vota em Lula, pô!               
- Nada disso está disponível, comadre. 
- Pula da varanda, vacilante!      
- Esse é o problema.      
- Qual problema?           
- E se eu não morrer?   
- Se não morrer, continua vivo e ninguém vai notar!
               
Ainda bem vivo, desejo um bom fim de semana para todos.
Título e Texto: Pedro Frederico Caldas, 5-5-2018
Por que aqui estamos? O acaso nos trouxe até aqui? Permaneceremos indefinidamente existindo, ou nosso tempo está apenas correndo para uma conclusão final? Essas indagações podem ser resumidas na afirmação de Camus de que o significado da vida é a mais urgente das questões.

A afirmativa de Camus não passa de uma angustiosa petição para o desate de questões encadeadas: quem somos, de onde vimos e para onde vamos, resumível a um só problema: faz sentido a nossa existência?

Por vários milênios a resposta parecia simples. Vivíamos uma vida terrena e breve por desiderato divino, e, por esse mesmo desiderato, teríamos uma outra vida eterna, boa ou ruim, a depender do mérito de cada um, aferível pela obediência a um decálogo estabelecido por Deus.

Pela dissertação sagrada, passada oralmente e por escrito ao longo da história, Deus criara o universo e a terra, aqui apascentara o seu rebanho para, por seletiva pescaria, coletar para uma vivência eterna, junto a Ele, aquelas almas que viveram uma vida quase sacra, chumbada à obediência ao prefalado decálogo.

Veio o Iluminismo, veio o avanço assombroso da ciência e o tempo bíblico, contado, desde a gênese e por gerações, a partir de Adão, por cerca de seis mil anos judaicos, foi jogado, pelos cálculos dos astrofísicos, para a casa dos quatorze bilhões de anos, lá para os confins da história, quando teria havido uma grande explosão (o Big Bang) de energia altamente concentrada, dando origem a tudo que existe. Assim, tudo aquilo que parecia simples foi colocado em xeque.

E o que ficou ruim piorou com a afirmativa darwiniana de que nem da criação do homem Deus se incumbira. Passamos de filhos de Deus à degradada condição de filhos de um macaco, segundo uma hipótese que nem goza do prestígio de ser uma teoria.

Que seja! Mas nada disso resolve o grito angustiado de Camus: qual o significado da nossa existência?

Mas, gente, ainda há esperança. A ciência mesma não sabe o que havia antes da explosão, antes do Big Bang. E aí, mesmo no campo da ciência, todas as hipóteses estão abertas, e Deus, sob os olhares atônitos dos “doutos”, pode ser reentronizado criador de tudo, concedendo-se foros de verdade à palavra bíblica, mesmo ao custo de considerá-las, na forma, revestidas de caráter alegórico.

Os materialistas, tomados de saber e soberba, afirmam que não há racionalidade na crônica sagrada, que os elementos lógico-científicos não autorizam o remonte, ponto por ponto, da história que nos foi narrada pelos profetas, chegada até nós através de gerações e gerações de fiéis e suas igrejas, arcanas das verdades eternas. Martelam que a razão, à luz dos dados científicos conhecidos e provados (?), colocam em dúvida toda a narrativa bíblica e evangélica.

Acontece que a verdade bíblica não está sujeita a entes de razão. Ela decorre de enunciação divina. Deus, dentro da tradição judaico-cristã, usou Abraão e Moisés, e outros mais, como seus porta-vozes. A verdade divina veio aos homens por revelação. Tendo como fonte a divindade, não precisava dos ritos que o racional advoga. A divindade é a própria racionalidade, não está subalterna ao entendimento humano, assim como o milagre, tantas vezes registrado, não precisa da causalidade mundana, que ele é, em si mesmo, um efeito sem causa. Deus não se explica, Deus É.

A religião busca extirpar a maldade do ser humano, procura catequizá-lo para o bom caminho, o caminho da compaixão e da misericórdia. E não há nada mais compassivo e misericordioso do que o ensinamento cristão, banhado nas águas lustrais da tradição judaica, base moral sobre que descansa a nossa portentosa Civilização Ocidental, de que devemos muito nos orgulhar; civilização que colocou o homem no centro das coisas, que reabilitou o papel da mulher, colocando-a no mesmo plano de igualdade e importância do homem.

Essas bênçãos de bondade, compaixão e misericórdia, de olhar o outro como um igual e também abençoado pela graça de Deus, faz a diferença e foi, a pouco e pouco, no curso dos acontecimentos, se revelando como elemento fundante do reconhecimento da dignidade humana, sem o que não acabaríamos com a escravidão e com o papel subalterno da mulher.

Dizer que a razão também pode criar e introjetar no ser humano e na sociedade esses valores não esgota o tema. Tais valores estão no plano da moral, não estão no plano raso da lógica. E se a razão pode levar ao bem, o mal também se faz de forma racional. Por que a razão nos levaria a socorrer o próximo com diminuição do nosso cabedal? Por que colocaríamos nossa vida em risco para socorrer uma criança que se afoga? A razão nos diria que não deveríamos sofrer qualquer desfalque, ou colocar a segurança em risco, em proveito de um terceiro, muitas vezes desconhecido. Deixados à razão, não interferiríamos em algo que não nos traz proveito material.

O mal causado pelo Comunismo e pelo Fascismo não foi ditado pela loucura. Foi tudo racionalmente planejado e executado. Ideias e entes de razão foram construídos para justificar racionalmente todo o mal praticado. A eliminação de crianças deficientes, judeus e ciganos pelos nazistas seguiam todo um protocolo racional, executado por milhares e milhares de pessoas envolvidas em todo esse processo macabro e intrincado.

A morte e o sacrifício de milhões de pessoas sob o domínio comunista têm toda uma justificativa racional e ainda hoje é defendida pelos seguidores desse ideário nefasto. Levantem a questão do fuzilamento, em anos recentes, autorizado por Fidel Castro, de pessoas cujo crime era tentar fugir do totalitarismo cubano, para verem quantos defensores vão aparecer nas redes sociais.

Razão não é sinônimo do bem. Tanto o bem quanto o mal podem ter bases racionais. O bem, o reto, está em outro plano, está no plano moral, está fundado no substrato de nossa tradição judaico-cristã.

O religioso pode, sim, defender a sua crença na existência de Deus e de outra vida, a vida eterna, a ser vivida por aqueles que vivem submissos e pautam suas condutas pelos ensinamentos de sua religião.

Se assim você acredita, se assim você age, você já tem a resposta para a questão colocada por Camus, você já sabe qual o significado de sua existência.

Defenda sua fé, não se dobre à razão, não se dobre à ciência, que estas operam no campo das coisas materiais, faltas que são de regras e fórmulas para as coisas do espírito. Não nos esqueçamos que a geometria pitagórica, que era uma verdade absoluta, passou a uma verdade doméstica, aplicável somente nas coordenadas de nosso planeta, imprestável no plano universal, presente, por exemplo, a realidade de que uma reta não pode ser traçada no universo, que nele tudo se curva, até o tempo.

Celebre junto aos familiares e aos amigos, com muita alegria, esses dois mil e dezoito anos do nascimento de Cristo, que veio ao mundo para salvá-lo e dar sentido a sua existência. Siga todo o ritual que lhe foi passado por seus ancestrais; festeje com alegria Aquele que veio lhe trazer a boa nova da salvação, que veio dar significado a sua vida, e, se possível, faça, nestes dias, caridade, um bem que não desfalca o seu cabedal e o enriquece.

Não se esqueça: quem não crê não tem essa segurança que o crente tem. O crente tem uma finalidade existencial, não precisa de amparo psíquico, que amparado está em si próprio, na certeza de que sua vida faz sentido.
Em nome de Cristo, um feliz Natal para todos.
Título e Texto: Pedro Frederico Caldas, 5-5-2018

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Um dia de alumbramento esquizopático

12 comentários:

  1. Misericórdia! Um pergunta o que é a vida e o outro escreve sobre o suicídio. Vamos melhorar isso aí, galera! Prozac pra vocês porque o ano está somente começando. Sai pra lá, vudú!

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    1. Um bom vinho não vai melhor que prozac, mesmo que um vinho anônimo? Fofocar e falar mal da vida alheia, como costumo fazer, também é bom.
      Obrigado por me ler, anônimo amigo.

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  2. SUICIDAR QUE VERBO FILHO DA PUTA.
    O AUTOR escreve : QUERO ME SUICIDAR., COMO SE FOSSE POSSÍVEL SUICIDAR O OUTRO.
    SUICIDAR SIGNIFICA MATAR-SE.
    SUICÍDIO é autoflagelo.
    A mesma coisa é dizer que alguém suicidou-se....
    Por ser autoflagelo o correto é alguém suicidou, já que ninguém pode suicidá-lo.
    Mas como a língua lembra Domingos Paschoal Cegallaque: -
    "A língua nem sempre se submete ao jugo da lógica."
    Esse casuísmo é um suicídio, que posso fazer?
    fui...



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    1. Rochinha,
      sou um intransigente defensor e praticante da Língua Portuguesa, e respeitador de nuances e, até mesmo, de ortografia diversa, como facto/fato, recepção/receção... temos aqui no blogue uma coluna [Língua Portuguesa]...

      Não consulto o Aurélio, desde os meus primeiros anos de vida (e felicidade) no Brasil, por considerá-lo 'pernas abertas' a qualquer modismo, quer dizer, a qualquer mal-escrever ou a qualquer diislalia de um jovem da periferia que, entretanto, se tornou “famoso”.

      Agora, quanto ao ‘suicidar’, lamento, caiu em desuso. Fomos derrotados.

      Hhttps://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/suicidar

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    2. Meu caríssimo Vanderlei Rocha, primeiro quero agradecer-lhe por ler-me (êpa!). Escrevo errado, sim, a despeito de ter passado décadas de trabalho acompanhado de gramáticas e bons dicionários ao alcance da mão, na minha faina de advogado. Já escrevi livro de direito, só e em parceria, e tive inúmeros artigos publicados em revistas técnico-jurídicas. Mas isso não faz de mim um escritor. Li, reli e treli Napoleão Mendes de Almeida, para mim o maior gramático da nossa língua. Isso, ao longo do tempo, me deixou em condições de escrever com razoável nível gramatical, o que não quer dizer que meus textos não sejam passíveis de coreeção. Estou aberto a recolher as lições contidas nas críticas de quem me lê, mas, infelizmene, a averbação feita por você não será por mim recolhida, eis que usar o verbo suicidar-se como verbo reflexo não é incorreto. Assim, você diz arrepender-se, embora "ninguém possa arrepende-lo". O mesmo se dá com "esforçar-se", "dignar-se" e outros mais. Dá uma olhadinha no parágrafo 395 da Gramática Metódica da Língua Portuguesa de Napoleão Mendes de Almeida.(página 211 da 46a.edição revista - 2009). Aliás, Cândido Figueiredo diz que o verbo suidar sem o pronome se nunca existiu na língua portuguêsa (vive Falar e Escrever). De qualquer sorte, sou grato ao seu cuidado porque eu poderia estar realmente errado, caso em que reconheceria o erro e procuraria evitar a repetiçaão, como tem ocorrido em toda minha vida de escritor forçado. Quero renovar o agradecimento de ter tido a honra de ter sido lido por você. Um abraço, caro amigo.

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    3. Apesar de todo SEU DOUTORADO, Entenda-se que fiz uma crítica ao verbo e não ao escritor.
      Quem sou eu para criticar sumidades?

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  3. Bastante criativo o Pedro Frederico Caldas. Gostei bastante do “Manhã estival, primaveril, mar plácido, sol brilhando sobre as águas levemente onduladas do canal, provocando um mundo de cintilações, como diamantes à luz; contas pagas, mesa posta, taças de cristal límpidas e vinho respirando (reparem, que coisa imaginosa! – vinho respirando) para se ofertar a paladares excitados”.

    Hoje em dia não se vê criatividade no que as pessoas escrevem. Os grandes escritores, todos “bambas da literatura, autores renomados” não são criativos. Poderia citar, por exemplo, “A cidade morria devagar” de André Carvalho e João Leite. São 304 páginas de um texto denso, mas sem o sabor da imaginação. Texto com palavras corriqueiras, sem o gosto delicioso daquilo que nos faria “viajar na maionese e lambuzar a imaginação”.

    A vampiresca Stephenie Meyer, autora das bestas na cela “Lua nova”, e “Crepúsculo” entre outros empacotados (primeiro lugar na lista dos mais vendidos do The New York Times), não tem criatividade. Confiram: “Ainda assim, naquele instante, eu me senti bem. Inteira. Pude sentir meu coração batendo no peito, o sangue pulsando quente e rápido por minhas veias de novo”. Cadê a inspiração? Onde ficou a criatividade? Ao oposto da mordedora de pescoços, “Cartas entre amigos” de Fábio de Melo e Gabriel Chalita. Observem a criatividade aflorada:

    “O abraço solidário, a cumplicidade diante da dor do que palavras ditas sem a tal gestação. Sofro das ausências, mas sofro de mãos dadas”. A isto eu chamo de invenção, ou engenhosidade de criação. É quando o autor se transporta para um mundo distante. Voltemos ao Pedro Frederico: “já me via senhor do segredo que tem sido a maior especulação do homem desde que o mundo é mundo”.

    No meu humilde entender, este “já me via senhor do segredo” foge ao comum, escapa ao barato, ao banal. É também criação “repetir os improvisos de Dilma, correndo o risco de ser aplaudido pelas esquerdas acadêmicas”. A criatividade de “O dia que decidi me suicidar” tem o seu apogeu no diálogo:
    “- Qual é o problema? – E se eu não morrer? – Se não morrer, continue vivo e ninguém vai notar...”.
    São palavras singelas, sem a sanha dos profissionais insignes. Todavia, este, em particular, com alto sabor de criatividade, de romance, e, sobretudo, de saborosa ironia. A ironia nos faz digerir a coisa simples e bucólica de uma maneira espetacular. A de viver e mastigar aquele momento, como se estivéssemos na pele do autor. Sem o suicídio pretendido por ele, logicamente.

    Parabéns ao amigo Pedro Frederico Caldas, que não conheço, a não ser pelos textos publicados aqui no “Cão que fuma”. Vamos que vamos.
    (Do saguão de embarque do aeroporto Pinto Martins, em Fortaleza, no Ceará).

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  4. Sobre suicidio,só o que tenho a dizer, é que,quem se suicida tem mais é que morrer!
    paizote

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  5. O "nível de ansiedade mundial" está, em 2018, "em seu ponto mais baixo desde que a Gallup começou, em 2006, a fazer o seu Global Emotions Report. Um de seus destaques; cerca de 300 milhões de pessoas, de 146 países, sofrem de depressão e ansiedade.
    E essa "epidemia global de ansiedade" trará como resultado uma proliferação de novos produtos que aumentarão ainda mais o mercado de medicamentos" adverte a consultoria A.T.Kearney. mercado que hoje se calcula em torno de... US$ 1 trilhão. (Fonte: Estadão/SP)

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  6. Mais do que uma religião, a ansiedade e a depressão se transformaram numa seita e um grande negócio com legalidade, fato que o trafico e as drogas ilícitas não tem. Só para lembrar, os psicotrópicos possuem as mesmas substancias utilizadas nas drogas ilícitas. Cabe a humanidade saber do imbróglio mal intencionado em torno disso tudo.

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  7. Não conheço esse sujeito chamado Aparecido Raimundo de Souza. Aqui, emprego sujeito na acepção filosófica daquele que controla a ação.
    Tenho lido com interesse alguns artigos dele, também aqui plantados, quando semanalmente dou uma espiada em minha pequena lavoura, amanhada em letras no terreno do senhor legítimo e possuidor deste latifúndio cultural, o enigmático Jim Pereira, que até hoje não se abalou a vir tomar um vinho e degustar um charuto em minha companhia para espinaframos o mundo e a vida alheia, enquanto contemplamos o Atlântico Norte, daqui, de minha varanda.
    Já vinha com um olho posto no tal sujeito, pessoa de ideias fortes e posições a pelo menos uma légua da mediocridade. Achava que o cabra tinha posição definida e era de calçar coturnos.
    Ontem, justamente ontem, flagrei-o num comentário crítico-literário de uma despretensiosa crônica que escrevi. Confesso que o sujeito me abalou um pouco vendo luz onde para mim só há brumas. Juro que o homem tem cultura literária, não pelo que disse de meu texto, mas pela análise comparativa que fez de outros, de mim não conhecidos.
    Pensei: vou ver quem é esse sujeito, vou ver quem é a figura atrás da persona.
    O cabra não é pouca coisa, já escreveu 18 livros! Quem achar que é fácil que tente um, unzinho só.
    Gostaria de começar a lê-lo, mas gostaria também que ele me dissesse por onde deveria começar. Aí, vou ver se compro pela Amazon para ler em meu Kindle, ou comprarei em papel quando for ao Brasil no próximo abril.
    Fui um pouco adiante. Acessei a página dele no facebook. Aí vi um monte de fotografia do sujeito nas mais diversas ocasiões e situações.
    Aí não tive dúvida: ele está e não está nas fotos. Está na situação retratada mas com ar de quem está em outras plagas, pensando em algo que ali não está.
    Definitivamente o homem tem o domínio do fato, é sempre o sujeito da ação.
    Obrigado pelo incentivo e receba um fraterno abraço.

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  8. Pedro Frederico Caldas
    Não sei por que, meu caro Jim, meus apontamentos aos comentários estão saíndo como de fonte anônima (unknown). Nunca fico no anonimato. Sempre dou a cara para bater. Prefiro apanhar do que viver anônimo.Pode colocar meu nome nos apontamentos que fiz aos comentários dos amigos Vanderlei Rocha e Aparecido Raimundo. Devo ter feito alguma barberagem, como de costume, e meu nome não apareceu.

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