quarta-feira, 15 de julho de 2020

O que Trump, Bolsonaro e o governo cubano têm em comum? A defesa da cloroquina

A posologia do medicamento está descrita nos dois documentos oficiais que dão as diretrizes para o enfrentamento da covid-19 em Cuba


Artur Piva

Não são apenas Donald Trump, nos Estados Unidos, e Jair Bolsonaro, no Brasil, os defensores do uso da cloroquina no combate ao coronavírus. Há mais de três meses, Cuba usa a droga para tratar pacientes infectados pela covid-19.

A posologia do medicamento está descrita nos dois documentos oficiais que dão as diretrizes para o enfrentamento da doença no país. Apenas recentemente, contudo, a orientação virou notícia num site autorizado pela ditadura que comanda o país faz mais de 60 anos.

Na página do Ministério da Saúde Pública de Cuba, estão disponíveis o Protocolo provisional de Cuba vs covid e a Versión 1.4 do Protocolo de Actuación Nacional para la Covid-19. O primeiro foi publicado em 4 de abril, e o segundo, em maio. Ambos trazem diversas recomendações para o combate ao vírus chinês, incluindo o tratamento com um coquetel de Kaletra e cloroquina.

Na última segunda-feira, 13, o site cubaperiodistas.cu repercutiu uma entrevista sobre o uso da hidroxicloroquina no combate à covid-19 em Cuba que foi publicada dias antes pela Anadolu Agency, agência internacional de notícias com sede na Turquia.

O entrevistado foi o médico Agustín Lage Dávila, membro do Partido Comunista Cubano. Ex-diretor do Centro de Imunologia Molecular de Havana, ele ocupa atualmente um alto cargo na BioCubaFarma, empresa que tem joint ventures na China para a pesquisa e a produção de medicamentos.

O cubanoperiodistas é dirigido por membros patrocinados pelo governo cubano. A Andolu Agency também tem crivo governamental de seu país de origem, já que é uma agência estatal de notícias.

Durante a entrevista, Dávila confirmou a prescrição da medicação em Cuba. “Usamos a hidroxicloroquina no protocolo para tratamento de pacientes com coronavírus”, disse o médico, aproveitando para informar que o remédio continuará a ser usado, embora não seja o “componente principal” das normas cubanas.

A empresa para a qual Dávila trabalha tem quatro novas patentes de medicamentos candidatos a substitutos da hidroxicloroquina. De patente livre, o remédio que tem salvado vidas na ilha dos irmãos Castro não gera lucro a ninguém.

Com população de pouco mais de 11 milhões de habitantes, Cuba tem hoje 2.432 casos confirmados de coronavírus, segundo fontes oficiais. Desse total, 2.275 (93,5%) estão recuperados e foram registradas 87 mortes.


Título e Texto: Artur Piva, revista Oeste, 15-7-2020, 9h10

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