sábado, 1 de agosto de 2020

Observatório da extrema-direita

Telmo Azevedo Fernandes

Um conjunto de 12 indivíduos decidiu criar uma coisa chamada “Observatório da extrema-direita”. Diz essa gente que se trata de “um projeto plural que junta pessoas com percursos vários”. Fui ver: tem um fundador do Bloco de Esquerda (BE), vários dirigentes do BE, eleitos e candidatos autárquicos do BE, tudo BE declarado e até às entranhas. Fiquei convencido sobre a pluralidade…

A agremiação parece marxista, cheira a trotskismo, lembra estalinismo, portanto, é bloquista.
Um dos dois artigos de opinião já produzidos por este coletivo é assinado pela filha de um Conselheiro de Estado de quem junto três imagens para mais fácil identificação:


A forma eufemística, ou melhor, retrincada com que se apresenta como estrutura independente um coletivo que não passa de um veículo de transmissão do partido é um expediente recorrente do Bloco de Esquerda.


Outro exemplo paradigmático é a Climáximo, uma suposta organização ambientalista enxameada também de dirigentes e militantes bloquistas que é uma mera spin-off do BE. O artifício vai ao ponto de um dos seus principais e mais ativos responsáveis ser apresentado como “especialista em alterações climáticas” quando se omite a verdade de ser antes de mais um membro do BE, por sinal companheiro conjugal da rapariga acima anteriormente retratada. Deste junto igualmente três imagens para mais fácil identificação:

O estaminé de ativistas do personagem acima diz em manifesto que “está tudo lixado” e que se “fartaram”, pelo que se comprometem a “lutar contra o vírus da maximização do lucro”, a “construir uma nova civilização” e anunciam sair às ruas este Outono “em ações de desobediência civil em massa”. É o desígnio da proteção do Ambiente…

Mas talvez valha a pena ouvir, pela voz do próprio, considerações sobre a “emergência climática” aludindo a “fascistas a surgirem em cada região” e afirmando-se pronto a “produzir a ação para um processo revolucionário que substitua o capitalismo”.


Foi também a Climáximo que intercedeu para que Greta Thunberg fizesse há tempos uma escala em Portugal. E, note-se, é com este tipo de plataformas que a Fundação Calouste Gulbenkian vive hoje em concubinato.

Além da multiplicação em diversas estruturas satélites do Bloco de Esquerda uma outra característica desta rede é a de que um conjunto limitado dos seus protagonistas é omnipresente a todas elas.

Por exemplo, na Rede Anticapitalista lá encontramos novamente João Camargo e na revista desta metástase do Bloco escreve com frequência o seu sogro, Francisco Anacleto.

A família junta-se também numa publicação regular do partido ou na produção de um filme sobre “Portugal nos anos 201x quando a Troika aterra em Portugal para mais uma avaliação e começa um surto de morte e violência.”


A polivalência familiar deriva quiçá do seu aburguesamento e múltiplos interesses: Francisco Louçã além de Conselheiro de Estado foi (ainda é?) consultor do Banco de Portugal, a sua mulher (Ana Campos) é nomeada consultora da DGS, a sua filha (Joana Louçã) tornou-se assessora parlamentar com salário pago pela AR, o seu cunhado (Correia de Campos) além de ex-ministro da Saúde foi até há pouco Presidente do Conselho Económico e Social.

Dos irmãos de Anacleto Louçã não me consta que tenham cargos de nomeação governamental nem especial visibilidade pública. Mas registo que estes se tenham zangado com o Bloco, deixando claro e por escrito que “o Bloco se tornou numa organização hierárquica e cristalizada onde imperam os acordos de cúpula”.

Sabendo que os extremos se tocam, partilham muitas práticas e até alguns mesmos princípios, nada mais apropriado que a expertise da extrema-esquerda para monitorizar a extrema-direita.
Boa sorte para o novo Observatório!

Título, Imagens e Texto: Telmo Azevedo Fernandes, Blasfémias, 31-7-2020

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